Diário do Amapá - 20/06/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 20 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA A Assembleia de Deus completou nesse último dia 27 de junho, 108 anos de história no Estado do Amapá. Essa que hoje é a maior denominação evangélica do Brasil e do Amapá, alcançando índices significativos entre os segmentos religiosos que mais cresceram nessas últimas três décadas. Nessa quadra de celebração, os poderes estatais, entidades, autoridades civis e militares e entes da esfera política, manifestaram ações de reconhecimento de sua história centenária, declarando sua importância para o desenvolvimento espiritual e social dos cidadãos amapaenses. No entanto, essa história não foi escrita inicialmente, em um ambiente de sossego e tranquilidade, mas, emumcenário de rejeição, opressão emuita perse- guição. OBrasil que até o ano de 1890 era regido por uma constituição que tinha em sua essência jurídica, um estado religioso, que determinava o catolicismo como religião oficial dos brasileiros. E ainda, que em1891 tenha sido promulgada a primeira constituição que consolidava o Estado Laico, os protestantes evangélicos da Assembleia de Deus, tinham seus direitos cerceados sofrendo as mais diversas perseguições religiosas. Em 1911 a Assembleia de Deus já havia sido fundada em Belém, pelos Mis- sionários Daniel Berg e Gunnar Vingren. Desde sua origem essa denominação possuía uma vocação evangelística e missionária, o que fez com que ela rapidamente se espalhasse pelo Brasil. Depois de se converter ao evangelho em1913, Clímaco Bueno Aza, tornou-se um colportor, uma pessoa que vende ou distribui mercadorias de porta em porta. No caso dele, evangelizava as comunidades e distribuía Bíblias. Foi assimque ele chegou emMacapá em1916, que na época se resumia auma vila comquasemil habitantes, dispostos no entorno da Fortaleza de São José. Sua viagem durou cerca de trinta dias, enfrentando os de- safios de navegar os rios caudalosos da bacia amazônica, emumbarco a vela. Quando chegou naquela pequena vila, foi surpreendido por uma comitiva liderada pelo Padre Júlio Maria Lombard, que não estava ali para lhe dar boas-vindas, mas, para ordenar a sua prisão. Clímaco ficou preso na fortaleza de São José, teve suas Bíblias apreendidas e queimadas publicamente. Cerca de um ano depois, a Igreja Mãe enviou para oAmapá o evangelistaManoel José deMatos Caravella, que se instalou em Macapá e no dia 27 de junho de 1917 realizou o primeiro culto, fundando assim, a As- sembleia de Deus no Amapá. O Natal daquele mesmo ano, ficou marcado por um acontecimento. Era uma terça feira, depois de al- cançar a primeira família, o evangelista recém-chegado, marcou o primeiro batismo nas águas, as margens do Rio Amazonas. Na ocasião, convidou o empresário judeu, Leão Zagury para prestigiar aquele ato de iniciação religiosa. Quando a irmã, Raimunda Paula de Araújo, desceu as águas batismais, ela foi batizada com o Espírito Santo, e começou a falar em outras línguas, evidência que manifestava uma das principais doutrinas pentecostais. O extraordinário se deu, quando o convidado que como dito era judeu, e, portanto, falava hebraico, começou a dizer: “Glória ao Deus de Israel, pois, ouço essa mulher falar em minha língua materna”. Nesses 108 anos, muitos semeadores passaram por nossas terras, desde os missionários enviados pela IgrejaMãe emBelém, até os primeiros pastores fixos, como: Flávio Monteiro; João Alves; Deocleciano Cabralzinho de Assis; Vicente Rêgo Barros; Ananias Gomes da Silva; Otoniel Alves de Alencar e OtonMiranda de Alencar. Esses nomes reúnem mais de 100 anos de história, construíram um legado com lágrimas e sofrimento. Esses dois últimos a quem faço especial referência, fizeramdessa Igreja uma gigante da Fé, tornando-a grande e respeitada por todos. Hoje, a Assembleia de Deus é liderada pelo Pastor Iaci Pelaes dos Reis, um homem ousado, que em pouco tempo, conseguiu concretizar um antigo sonho do povo assembleiano, a inauguração da sua Catedral, o que ocorreu no primeiro ano do seu pastoreio em 2023. A certeza que temos em nossa geração é que pre- cisamos continuar semeando, ainda que em lágrimas, para que as futuras gerações tenham o que colher, e o façam com alegria. ■ Depois de uma intervenção da Assembleia de Deus em Belém, o missionário recém- chegado foi libertado, contudo, sob ameaça de que sua volta, incorreria em penalidade maior. Assim, Clímaco retornou para sua casa, porém, não desistiu de sua Missão, tornando-se o fundador das Assembleias de Deus do Maranhão e Minas Gerais, além de evangelizar muitos vilarejos e cidades. Colhendo o fruto das lágrimas E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com . Teólogo, pedagogo e advogado RODRIGO LIMA JUNIOR M uitos brasileiros, como eu, já tiveram experiências negativas na Justiça ou assemelhados, por exemplo, o inventário do meu sogro completou 20 anos e continua parado e a fiscalização estadual de Taubaté cobrou indevidamente o ITCMD, o juiz limpou a conta da minha esposa, depois a fiscalização admitiu o erro, mas o juiz não encerra o caso, e ainda queria o depósito do valor para julgar... Eu e muitos funcionários do INPE ganhamos uma causa tra- balhista bilionária, mas o juiz não manda o Estado pagar... Rui Barbosa disse com propriedade que Justiça tardia é injustiça. São fatos para contrapor quem pensa que juiz escolhido por concurso significa que foi por mérito... Somente concurso não parece ser sufi- ciente. E quando se observa as vantagens que a Justiça dá aos seus, choca, escandaliza e desmoraliza. E falta aos deputados e senadores coragem para enfrentar o problema. O deputado Kim Kataguiri (União Brasil- SP) apresentou uma proposta para extinguir os privilégios de agentes públicos da Justiça brasileira, como juízes, desembargadores e pro- curadores em 2021, mas o texto não foi votado. Agora, segue como Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mas lentamente e sem des- pertar muito interesse dos parlamentares. O texto do deputado pede regras mais claras se comparadas a outras categorias de servidores e o fim de adicionais. A proposta gerará uma economia de até R$ 15 bilhões anuais aos cofres públicos. Atualmente, agentes públicos como juízes, desembargadores e ministros do Supremo Tribunal Federal podem receber até R$ 41.650, que é o teto do funcionalismo. Mas por artif ícios como indenizações, acúmulo de férias e diversos auxílios, os salários chegam à estratosfera, como o de um juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que recebeu R$ 909 mil em maio último. A PEC implicará no fim das fantásticas férias anuais maiores que 30 dias (60 dias, que o juiz pode vender 30 dias e ganhar um décimo quarto salário). E ainda no fim dos adicionais referentes a tempo de serviço, do aumento de remuneração retroativa, licença-prêmio, licen- ça-assiduidade ou outra licença por tempo de serviço. Acaba também com a redução da jornada sem redução de re- muneração, com a aposentadoria compulsória como punição (como aconteceu com diversos juízes desonestos) e outras vantagens. O deputado também é o autor de um projeto de lei para obrigar a publicarem os contracheques dos juízes e explicando o que se está pagando. Atualmente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não es- clarece o que cada magistrado recebe, pois cada tribunal tem seu próprio modelo. O Tribunal de Justiça do Piauí, por exemplo, não apresenta os contracheques no sistema do CNJ desde outubro de 2019, o do Ceará desde 2021 e o de Roraima desde o ano passado. Entre os Tribunais Regionais, o TRT-14 não presta contas desde outubro de 2020 e o TRT-21 desde outubro de 2021. Afinal, o juiz também é funcionário público e é preciso saber se cada recebimento é legal e moral, quanto cada Tribunal custa, quanto cada comarca custa. E, que se possa saber se esses magistrados estão recebendo o que seja moralmente justo. ■ A PEC implicará no fim das fantásticas férias anuais maiores que 30 dias (60 dias, que o juiz pode vender 30 dias e ganhar um décimo quarto salário). E ainda no fim dos adicionais referentes a tempo de serviço, do aumento de remuneração retroativa, licença- prêmio, licença- assiduidade ou outra licença por tempo de serviço. A injustiça da Justiça MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior

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