Diário do Amapá - 23/06/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 23 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA N o dia 18 de junho de 2026, a Assembleia de Deus celebrou 115 anos de fundação no território brasileiro. Essa que é amaior denominação evangélica do Brasil, comcerca de 25milhões demembros, sendo a quemais cresceu na primeira década do século 21 entre as denominações evangélicas, pois, abriu quase 10.000 novos templos, o que representou um crescimento de 115%. Estimativas apontam, que atualmente ela possui cerca de 100 mil templos e cerca de 40 mil ministros, quando se inclui todas as denominações da sigla. Contudo, aqueles que olham para essa gigante da fé brasileira, muitas vezes não conhecem o seu início humilde e pequeno. Tudo começou em 1906, quando explodiu na América do Norte em Los Angeles na Califórnia, o avivamento da Rua Azusa. Ummovimento que é considerado como o berço do pentecostalismo. Ele foi liderado pelo pastor William Joseph Seymour, umpregador afro-americano que defendia em suas pregações a doutrina do batismo com o Espírito Santo com a evidência do falar em outras línguas. A partir de suas prédicas, a doutrina pentecostal se espalhou pela América, até chegar aos jovens suecos Gunnar Vingren que também foram batizados com o Espírito Santo. Depois de serem alcançados com essa experiência, receberam uma orientação divina para se deslocarempara o Brasil, no estado do Pará, onde deveriamcomunicar a mensagem da experiencia vivida por eles. Em razão desse chamado, viajaram de Nova Iorque para o Brasil no Navio Clement, na terceira classe, por umperíodo de trêsmeses. Em19 deNovembro de !910, eles chegaram em Belém do Pará, no porto das Docas, onde, depois de saírem do Navio, se dirigiram para a praça central, e ali fizeram sua primeira refeição em solo brasileiro, algumas mangas que estavam ao alcance de suas mãos. Sem falar praticamente nada de português, conseguiram chegar a primeira Igreja Batista de Belém, onde foram acolhidos. Nos dias que se seguiram, os dois jovensmissionários, começaram a pregar essa doutrina, que para os Batistas que os acolheram, era nova, portanto, dissociada das crenças doutrinárias dessa Igreja. Essa contradição dou- trinária, levou o pastor Batista da época a excluí-los com mais dezenove pessoas, o que fez com eles começassem a se reunir para a realização de cultos, na casa da irmã Celina de Albuquerque. Em uma dessas reuniões, na madrugada de 18 de junho de 1911, após ser curada de uma enfermidade, Celina recebeu o batismo com o Espírito Santo, sendo a primeira pessoa no Brasil a passar por essa experiência. Apartir dessemomento, osmissio- nários juntamente comos irmãos que comeles se reuniam, decidiram fundar uma Igreja como o nome “Missão Apostólica da Fé”, que passou a ser chamada deAssembleia de Deus a partir de 1918. Ao longo desses 115 anos, diversos pastores estiveram a frente dessa renomada Igreja, desde os primeiros que foram enviados da Suécia, como os pastores Samuel Nyströn e Nels Nelson, assim como os brasileiros, Alce- bíades Pereira Vasconcelos, que assumiu a igreja emBelémem1961, tendo como au- xiliares os pastores José Pinto Menezes, Armando Cohen e Firmino Gouveia. Esse último, presidiu a Assembleia de Deus em Belém de 1968 até 1997, quando então, assumiu o pastor Samuel Câmara, que a lidera até os dias atuais. A Assembleia de Deus teve um profundo impacto na sociedade brasileira, con- tribuindo de várias maneiras. Ela tem sido uma forte defensora da educação, criando várias instituições educacionais. Através de suas missões e projetos sociais, tem de- sempenhado umpapel significativo na ajuda dos menos favorecidos, com foco na er- radicação da pobreza, combate ao analfabetismo e fornecimento de assistência médica. Culturalmente, amúsica gospel temsido uma de suasmaiores contribuições, pois, influenciada por ritmos brasileiros e letras baseadas na fé, tornou-se uma parte inextricável da identidade da igreja. Além disso, a Assembleia de Deus tem sido uma voz significativa no cenário político, com a criação da Bancada Evangélica, que representa os interesses de seus membros no governo. Ao celebrar seus 115 anos, a Assembleia de Deus no Brasil é um testemunho da resiliência e adaptabilidade de uma instituição que começou com poucos, mas cresceu para milhões. Sua história é tecida na tapeçaria cultural e social do Brasil, e será interessante observar como a igreja continuará a evoluir e a impactar a nação nos anos vindouros. ■ A Assembleia de Deus teve um profundo impacto na sociedade brasileira, contribuindo de várias maneiras. Ela tem sido uma forte defensora da educação, criando várias instituições educacionais. Através de suas missões e projetos sociais, tem desempenhado um papel significativo na ajuda dos menos favorecidos, com foco na erradicação da pobreza, combate ao analfabetismo e fornecimento de assistência médica. Parabéns a Assembleia de Deus no Brasil E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com . Teólogo, pedagogo e advogado RODRIGO LIMA JUNIOR M inha conversão ao Catolicismo foi acompanhada pelo meu desvio ideológico para a esquerda, afinal, como permanecer o mesmo depois de ler Atos dos Apóstolos (2,44-45): "Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum, vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a ne- cessidade de cada um". Isso foi denominado Koinonia (ΚΟΙΝΩΝΙΑ), comunidade! Creio que foi o mesmo caminho trilhado por Karl Marx, cujo pai era um judeu convertido ao Luteranismo. Ele se apropriou da ideologia cristã, tirou Deus e rebatizou com nome parecido. A koinonia toma forma com os Padres Apostólicos São Clemente de Roma, Santo Inácio de Antioquia e São Policarpo, espalhando-se pelo Império Romano, impressionando profundamente a todos os pagãos. Um dos primeiros escritos cristãos, a Didaqué, primeiro Catecismo da Igreja, escrita entre os anos 60 e 80, afirmava que o ser humano não é dono, mas tão somente usuário dos bens ma- teriais. Cabe-lhe administrá-los, sem se eximir jamais do dever de socorrer os que pouco ou nada têm: "Não rejeite o necessitado. Compartilhe tudo com seu irmão e não diga que as coisas são apenas suas. Se vocês estão unidos nas coisas imortais, tanto mais estarão nas coisas perecíveis" (Didaqué. IV,8). Essa época passou, e consolidou-se o enten- dimento que o fiel deve sustentar a Igreja de Deus, mas voluntariamente e no que puder e quiser, conforme vemos nos escritos de Justino Mártir em Apologia (I,67) em 156 d.C.: "Os que estão na abundância e querem dar, deem livre- mente, cada um, o que quiser”. E Tertuliano, em Apologético, em 197 d.C.: "Mesmo se existe entre nós uma espécie de caixa comum, ela não é formada por uma 'soma honorária', versada pelos eleitos, como se a religião fosse colocada em leilão. Cada qual paga uma cotização módica, num dia fixo do mês ou quando achar melhor, se ele quiser e puder. Pois ninguém é forçado; sua contribuição é livre". O Pastor Hermas (IX, 27) registrou que: "os Bispos continuamente protegeram os necessitados e as viúvas e sempre levaram vida pura". Não menos incisivo, São Policarpo destaca que os ministros da comunidade têm por of ício o dever de promover a prática da caridade de Cristo, as- sistindo aos indigentes da comunidade em suas necessidades religiosas e econômicas (Aos Fil. VI,1). No século IV, Basílio se dirige aos ricos com dureza: "aquele que despoja um homem de sua roupa é um ladrão. Quem não veste a nudez do indigente, quando pode fazê-lo, merecerá outro nome?" (Hom. contra a riqueza, 7). "Quem pode remediar o mal dos famintos e, por avareza, não oferece o seu socorro, com justiça, pode ser condenado como homicida” (Hexaemeron, Homilia in fame, 7). Santo Ambrósio, Bispo de Milão, afirma que na criação do mundo, a terra foi criada para todos, ricos e pobres (De officiis ministrorum). E para fechar com chave... boca (stomos) de ouro (crisós), João Crisóstomo pergunta inconvenientemente: "Quem se libertou das próprias riquezas? Da metade dos seus bens? Da terça parte? Ninguém?" (De Mateus, Ho- milia). ■ No século IV, Basílio se dirige aos ricos com dureza: "aquele que despoja um homem de sua roupa é um ladrão. Quem não veste a nudez do indigente, quando pode fazê-lo, merecerá outro nome?" (Hom. contra a riqueza, 7). "Quem pode remediar o mal dos famintos e, por avareza, não oferece o seu socorro, com justiça, pode ser condenado como homicida” Comunismo ou Koinonia? MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior
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