Diário do Amapá - 26/06/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 26 DE JUNHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br D ias atrás, a Time publicou a interessante matéria "Esqueça a crise de meia-idade. Pode ser o seu capítulo mais feliz", que pode ser lida online e que farei uma pequena sinopse. A crise da meia-idade é crida acontecer para quase todos entre 40 e 60 anos. A pessoa tem a percepção de que já se viveu metade da vida. É quando se faz um balanço sobre realizações, fracassos e sonhos não cumpridos. E provoca mudanças de comportamento, desde cuidar mais da aparência até trocar de carreira ou buscar novos relacionamentos. E a sensação de que o futuro é mais curto pode levar a decisões mais ousadas (e descuidadas). O termo "crise de meia-idade" foi cunhado em um artigo de 1965 do psi- canalista e cientista social Elliot Jacques, mas "meia-idade" e "crise" nunca foram bem definidas. O que se considera uma crise de meia-idade varia am- plamente, desde doenças até divórcios e angústia, e crises semelhantes acontecem em outras fases da vida com aproximadamente a mesma taxa. Em um estudo de 2000, apenas 10 a 20% dos americanos relataram espontaneamente uma crise de meia-idade, embora não esteja claro como essa taxa se aplica às pessoas de meia-idade hoje. Os pesquisadores normalmente estudam a meia-idade dos 40 aos 65 anos, um período amplo que clama por subcategorias, conforme Hollen Reischer, psi- cóloga clínica da Universidade de Buffalo. Mas estudos mais recentes desafiaram a uni- versalidade da crise de meia-idade. Muitas pessoas na meia-idade sofrem angústia, mas ela é moldada por pressões sociais e econômicas, não por um de- clínio inevitável relacionado à idade. E muitas outras experimentam o oposto. Os pesquisadores afirmam que esse período frequentemente coincide com picos de autoaceitação e satisfação nos rela- cionamentos. Por mais comum que seja associar a meia-idade à crise e a uma marcha desleixada do jovem ao velho, a meia-idade é, na verdade, muito mais do que isso; é um período rico em desenvolvimento com seus próprios "interesses e aspirações únicos", diz Reischer. Pesquisas nos anos 1990 mostraram piora na meia-idade e, em 2004, economistas de Dartmouth descobriram que, por volta dos 40 anos, as pessoas relatavam o pior bem-estar, formando o fundo do U, da curva, em comparação com idades mais jovens e mais velhas. Posteriormente, no entanto, pesquisadores da Universidade de Alberta no Canadá e da Universidade Brandeis adotaram outra abordagem. Em vez de comparar pessoas diferentes em idades diferentes, eles analisaram pesquisas que acompanhavam as mesmas pessoas ao longo dos anos da meia-idade para ver como sua felicidade mudava com o tempo. Ela aumentou de forma constante, em média, levantando dúvidas sobre um mal-estar psi- cológico tão previsível quanto a menopausa ou o crescimento de pelos mas- culinos. Em um estudo recente de Kira Birditt, professora pesquisadora do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan, cuidadores na meia-idade relataram sentir-se menos estressados e sobrecarregados do que adultos mais jovens que eram cuidadores. Pesquisas recentes sugerem que os adultos jovens estão cada vez mais infelizes. ■ Pesquisas nos anos 1990 mostraram piora na meia-idade e, em 2004, economistas de Dartmouth descobriram que, por volta dos 40 anos, as pessoas relatavam o pior bem-estar, formando o fundo do U, da curva, em comparação com idades mais jovens e mais velhas. Crise de meia-idade MARIO EUGENIO T emalgo acontecendo no Brasil e nomundo que pouca gente percebeu. Não é sobre política. Não é sobre economia. É sobre um povo que finalmente descobre que tem o direito de sonhar e de ocupar o seu lugar. Nos últimos dias, duas pequenas ilhas entraram no maior palco do futebol mundial: Curaçao e Cabo Verde. Lugares que durante décadas assistiram os outros viverem grandes histórias. Até que chegou a vez deles. E a parte mais emocionante não aconteceu dentro do campo. Aconteceu dentro da cabeça de quem estava assistindo. Porque existe uma verdade que ninguém ensina nas escolas: os sonhos não nascem da vontade, eles nascem das referências. Uma criança não sonha com aquilo que acredita ser impossível. Ela sonha com aquilo que consegue enxergar. Durante anos, gerações de amapaenses cresceram olhando para São Paulo, para o Sul, para os grandes centros, e pensando: "Aquilo é para eles." Olharam para o Pará, para o Maranhão, para estados que explodem em desenvolvimento, e perguntaram: "Por que lá sim, e aqui não?" Até que um dia, talvez, a gente ligue a televisão e veja o Amapá no mesmo palco. Não de uma Copa do Mundo, mas do desenvolvimento nacional. Com o petróleo e o gás que estão no nosso subsolo. Com o agronegócio que pode florescer nas nossas terras. Comamineração que pode gerar riqueza e transformar vidas no nosso chão. Porque Curaçao e Cabo Verde não nos ensinaram sobre futebol. Nos ensinaram sobre pertencimento. Quando a torcida de Curaçao cantou depois de uma derrota por 7 a 1, não estava comemorando o placar. Estava comemorando uma descoberta. A des- coberta de que eles também estão no mapa. De que eles também podem. E quando um povo descobre que pertence, algo invisível acontece. As crianças começam a sonhar di- ferente. Os jovens começama ousar. As lideranças co- meçam a exigir o que é de direito. As pessoas param de perguntar: "Será que isso é para gente como nós?" E começam a perguntar: "Por que não?" Por que o Amapá não pode ser o novo polo de pe- tróleo e gás do Brasil? Por que o Amapá não pode ser protagonista no agronegócio, como o Mato Grosso, como o oeste da Bahia? Por que o Amapá não pode extrair sua riqueza mineral com responsabilidade e gerar empregos, renda e dignidade para o seu povo? Quem disse que o Amapá não pode? Quem disse que o lugar do amapaense é assistir de longe? Porque não faltam recursos ao Amapá. Falta ousadia. Falta crença. Falta aquilo que Curaçao e Cabo Verde encontraram dentro de um campo de futebol: a certeza de que são capazes. O técnico que chorou. O jornalista emocionado. A torcida que cantou até o fim. Não era sobre futebol. Era sobre uma geração inteira recebendo permissão para sonhar mais alto. E se o Amapá se permitir? Se o amapaense olhar para o seu próprio chão, rico em petróleo, em gás, emminério, em terra fértil e pensar: "Se eles conseguiram, por que nós não?" Existe ummomento na história de todo povo em que ele deixa de admirar os sonhos dos outros e começa a acreditar nos seus próprios. O Amapá já esperou tempo demais. Os recursos estão aqui. A vontade está aqui. Só falta acreditar que esse palco também é nosso. Porque quando um povo descobre que pertence, o futuro nunca mais volta a ser o mesmo. E talvez não exista vitória maior do que essa. ■ O dia em que o Amapá descobrir que também pertence E-mail: diario-ap@uol.com.br Advogado e Jornalista Porque não faltam recursos ao Amapá. Falta ousadia. Falta crença. Falta aquilo que Curaçao e Cabo Verde encontraram dentro de um campo de futebol: a certeza de que são capazes. O técnico que chorou. O jornalista emocionado. A torcida que cantou até o fim. Não era sobre futebol. JORGE ANAICE
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