Diário do Amapá - 01/07/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 01 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Radialista e estudante de Filosofia E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br O brasileiro já aprendeu o ritual. Quando o caixa aperta, corta- se remédio, adia-se obra, congela-se escola, revisa-se bolsa, reduz-se investimento. A palavra da moda muda conforme o governo, mas o sentido permanece. Ajuste. Responsabilidade. Con- tenção. A conta chega sempre aos mesmos endereços. Só existe um bairro onde a tesoura parece perder o fio. A política. Enquanto o cidadão aprende a viver com menos, o orçamento reserva para 2026 uma soma de R$ 11,3 bilhões para sustentar partidos e campanhas. São R$ 6,4 bilhões para o Fundo Partidário e R$ 4,9 bilhões para o Fundo Eleitoral. Onze bilhões e trezentos milhões. Uma cifra que costuma aparecer acompanhada de palavras elegantes como for- talecimento democrático, financiamento insti- tucional e equilíbrio eleitoral. Traduzindo para o idioma da fila do posto de saúde, significa que há dinheiro que envelhece, mas não envelhece igual. Existe o dinheiro que entra na tesoura. E existe o dinheiro "imexível", como diria Antonio Rogério Magri. Sim, aquela velha expressão que entrou para o folclore político brasileiro voltou sem precisar ser pronunciada. Porque há algo de extraordinário quando se observa a engenharia criada ao redor desses recursos. Se houver irregularidade e multa, o teto da penalidade permanece limitado. E, em deter- minadas condições previstas, a quitação pode se estender por anos. Imagine explicar isso para quem atrasou im- posto, prestação ou contribuição. Explique ao pequeno empresário que parcelamento tão ge- neroso não existe para ele. Explique ao traba- lhador que uma dívida comum não costuma receber tratamento tão compreensivo. Explique ao cidadão que a punição máxima, diluída no tempo, pode acabar parecendo mais taxa de condomínio do que sanção. E então aparece a pergunta inconveniente. Se o objetivo é proteger a democracia, por que a sensação recorrente é a de blindagem da máquina política. Porque democracia custa. Mas privilégio também. E o eleitor brasileiro vive preso nesse teatro curioso. Escuta que falta dinheiro para o essencial. Depois descobre que para o eleitoral sempre aparece uma rubrica resistente ao tempo, à crise e ao discurso fiscal. No fim, a lição não vem na urna. Vem no orçamento. Ali está escrito, sem slogan e sem marqueteiro, quem corta e quem permanece intocável. O cidadão aperta o cinto. A política afrouxa o prazo. ■ Depois descobre que para o eleitoral sempre aparece uma rubrica resistente ao tempo, à crise e ao discurso fiscal. No fim, a lição não vem na urna. Vem no orçamento. Ali está escrito, sem slogan e sem marqueteiro, quem corta e quem permanece intocável. O corte de gastos é para todos. Menos para os políticos GREGÓRIOJ.L. SIMÃO M acapá vive um momento histórico de transformação. A nossa linha do horizonte, antes marcada pela horizontalidade, agora começa a ser desenhada por prédios que desafiam as alturas e ‘tocam o céu’. Mas como sempre defendemos, o progresso só é legítimo quando caminha de mãos dadas com a segurança e o respeito ao cidadão. O tremor sentido nessa semana em edif ícios de 23 andares no centro da capital, reflexo de um abalo sísmico na Venezuela, não deve ser encarado apenas como um susto passageiro. Deve ser encarado como um teste de estresse para o nosso desen- volvimento urbano. Como advogado que atua diariamente nas áreas Cível e de Família, vejo este episódio sob uma ótica de responsabilidade e proteção ao patrimônio das nossas famílias. Juridicamente, é preciso que todos saibam que a responsabilidade das construtoras pela solidez e segurança de uma obra é de respon- sabilidade objetiva. Ou seja, nesses casos, a vítima, dono do apartamento, não precisa provar que a cons- trutora agiu com negligência, imprudência ou dolo. Basta comprovar que o dano ocorreu e que existe um vínculo de causa e efeito com a con- duta da construtora, que é o agente. Isso significa que quem constrói tem o dever legal de garantir que esses gigantes de concreto não sejam apenas imponentes, mas absolutamente seguros contra ressonâncias e abalos. O balanço sentido no 21º andar pode ser previsto pela engenharia, mas o pânico e a dú- vida sobre a estrutura não podem fazer parte da rotina de quem investiu o suor de uma vida inteira num imóvel. A verticalização de Macapá exige um novo pacto de fiscalização. O Poder Público, o Crea e o Corpo de Bombeiros devem ser os guardiões deste crescimento. Para as famílias que estão migrando para as alturas, o recado é de vigilância. O recado é que exijam laudos, conheçam os protocolos de emergência e cobrem transparência dos condomínios. O Amapá é terra de gente forte e de solo firme, mas a nossa mo- dernidade exige uma cultura de prevenção que ainda estamos cons- truindo. Que o susto sirva para alicerçar a segurança de amanhã. Porque o patrimônio mais valioso que um prédio pode abrigar não é o luxo de suas coberturas. O patrimônio mais valioso que um prédio pode abrigar é a vida e a tranquilidade de cada família amapaense. ■ O céu como limite e a segurança como alicerce E-mail: diario-ap@uol.com.br Advogado e Jornalista Para as famílias que estão migrando para as alturas, o recado é de vigilância. O recado é que exijam laudos, conheçam os protocolos de emergência e cobrem transparência dos condomínios. O Amapá é terra de gente forte e de solo firme, mas a nossa modernidade exige uma cultura de prevenção que ainda estamos construindo. JORGE ANAICE

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