Diário do Amapá - 05 e 06/07/2026

ENTREVISTA ENGENHEIRO |ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 05 E 06 JULHO DE 2026 14 Especialista commais de cinco décadas de atuação na indústria de petróleo e gás destaca potencial da região da chamada Margem Equatorial e defende planejamento e reforça que educação será decisiva para aproveitar as oportunidades. D iário doAmapá - Emmais de cinco décadas dedica- das ao setor, cerca de 30 anos na Petrobras, onde liderou projetos no Brasil e no exterior, alémde ter sido diretor da estatal na Bolívia e CEOda Norse Energy Brasil, acaba de lançar o livro Petróleo na Transição Ener- gética. Almeida, sejamuito bem-vindo. JoséAlmeida - Muito obrigado pelo convite. É umprazer participar do programa e poder conversar sobre umtema tão importante para o Amapá e para o Brasil. O livro que lancei trata justamente do papel do petróleo e dos combustíveis fósseis durante a transição energética, pro- curando apresentar uma visão técnica e baseada emdados sobre como essa transformação deverá acontecer nas próximas décadas. Diário - Muito se fala sobre transição energética. Afinal, qual será o papel do petróleo e do gás natural nesse pro- cesso? Almeida - A transição energética já está acontecendo, mas ela não ocorrerá de forma imediata. Os combustíveis fósseis —petróleo, gás natural e carvão—ainda continuarão sendo fundamentais para a ge- ração de energia e para movimentar praticamente toda a frota mun- dial de transportes durante muitos anos. Nossa avaliação é que o gás natural tende, gradualmente, a substituir parte do petróleo por apre- sentar menor emissão de gases de efeito estufa. Essa já é uma tendên- cia mundial. Hoje omundo possui aproximadamente 1,6 trilhão de barris de petróleo em reservas conhecidas e cerca de 400 trilhões de metros cúbicos de gás natural. Mantidos os níveis atuais de produção, isso representa algo em torno de 50 anos de petróleo e cerca de 100 anos de gás disponível. Naturalmente, esses números podem variar conforme novas descobertas sejam realizadas e conforme evoluam as energias renováveis. Diário - O que faz da Margem Equatorial uma fron- teira tão promissora para exploração de petróleo? Almeida - Existe uma forte base técnica para essa expectativa. A MargemEquatorial brasileira compreende as bacias da Foz do Ama- zonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar, abrangendo praticamente metade da costa brasileira. Oprincipal motivo do oti- mismo está na semelhança geológica entre essas bacias e as da costa oeste africana. Antes da separação dos continentes, América do Sul e África formavamumúnico bloco continental. Por isso, suas forma- ções geológicas apresentammuitas características em comum. A des- coberta de grandes reservas na Guiana, em2015, reforçou essa per- cepção. AGuiana passou quase cem anos pesquisando petróleo até encontrar um campo gigantesco. Hoje é umdos países que mais cres- ce economicamente nomundo graças a essa descoberta. É importan- te deixar claro que isso não significa que o Brasil terá exatamente as mesmas reservas. Somente a perfuração dos poços poderá confirmar isso. Mas os indícios técnicos são bastante animadores. Diário - A exploração acontece em uma região am- bientalmente muito sensível. A tecnologia atual ofe- rece segurança suficiente? Almeida - Eu acredito que sim. Tive a oportunidade de par- ticipar do desenvolvimento do campo de gás de Manati, na Bahia, um projeto extremamente sensível do ponto de vista ambiental e conduzido com absoluto sucesso. Na minha ava- liação, se operações como aquela foram realizadas com segu- rança próximo ao litoral baiano, hoje a tecnologia disponível é ainda mais avançada. Além disso, no caso da Margem Equa- torial, estamos falando de operações muito mais distantes da costa, cerca de 175 quilômetros, o que reduz ainda mais de- terminados riscos. A Petrobras possui experiência acumulada e tecnologia suficiente para conduzir essas operações com elevados padrões de segurança. Diário - Pensando no desenvolvimento econômico, como o Amapá deve se preparar para aproveitar uma eventual produção de petróleo? Almeida - O primeiro passo é planejamento. É importante que autoridades, empresários e sociedade comecem desde já a pensar no futuro, mas sem criar falsas expectativas. Caso ocorram descobertas comerciais, haverá uma nova fonte de receitas para o Estado, principalmente por meio dos royal- ties. O importante será utilizar esses recursos com inteligên- cia. A Noruega é um excelente exemplo. Quando descobriu petróleo, criou um fundo para garantir recursos às futuras gerações. Hoje esse fundo é trilionário e assegura estabilidade econômica ao país. O Amapá também deve pensar no longo prazo, utilizando essas receitas para promover desenvolvi- mento permanente. Diário - A íntegra em diariodoamapa.com.br . Reportagem: CLEBER BARBOSA PERFIL JoséAlmeida dos Santos, geólogo- UFRJ, atuou como gerente geral da Petrobras no Yemen do Sul e na Líbia e diretorda Petrobras Bolívia, foi CEOdaNorse EnergynoBrasil e atualmente é consultorna área de energia em geral. Breve currículo - José Almeida dos Santos, natural da Bahia, Carioca de Coração, Geólogo da UFRJ turma 1972, com especialização em geofísica pela Petrobras. - MBA em Engenharia Econômica UFRJ. Trabalhou na Petrobras de 1972 a 1998, como geofísico de campo, chefe de equipe Sísmica, chefe de setor de geofísica terrestre. - Gerente Geral no Yemen do Sul e Líbia durante 10 anos( 5 anos em cada País). - Trabalhou na implantação da Petrobras na Bolívia e foi seu primeiro Diretor. - Gerente de Novos negócios na Petrobras Bahia durante o período de transição após a criação da ANP. - Foi CEO da Norse Energy no Brasil por 10 anos de 1999 a 2009. - Atualmente é consultor da área de Energia e formatação de negócios e Representante da Frigstad Offshore no Brasil. - Atuou pela Norse na compra de percentual do campo Manati e no consórcio liderado pela Petrobras, para implantação do projeto de produção do campo gigante de gás de Manati na Bahia. Atual momento - Atualmente, atua como consultor da AIM Consultoria e acaba de lançar o livro Petróleo na Transição Energética. José A. Santos ■ O geólogoJoséAlmeida dos Santos (foto) acumulamais de cinco décadas dedicadas ao setor. OAmapáa longoprazo, petróleo paradesenvolvimentopermanente

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