Diário do Amapá - 07/07/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 07 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Jornalista e pedagogo E-mail: diario-ap@uol.com.br D epois que escrevi e foi publicado o título ‘Conjuntura política eleitoral de 2026’, alguns amigos me pediram que escrevesse sobre o tema: ‘Pré-campanha eleitoral e seus fundamentos’. Aqui estou para cumprir esta missão! Inicialmente eu preciso deixar claro que, para ser candidato a qualquer cargo eletivo, em primeiro lugar você precisa tomar uma decisão muito pessoal – querer ser candidato; depois receber o aval da família e amigos. Se não passar por essas primeiras peneiras, nem ten- te! Antes de qualquer ação prática, antes mesmo de pensar em agenda, materiais de campanha ou redes sociais, existe uma camada mais profunda que sustenta uma campanha eleitoral: a forma como ela é pensada. A pré-campanha é o momento em que essa base é construída. E é justamente aqui que muitos candidatos co- metem seus erros mais graves. A eleição começa antes do primeiro comício. A pré-campanha é o período que separa quem disputa para vencer de quem disputa apenas para participar. São quatro fundamentos que definem quem chega competitivo. Proposta informa. Narrativa conecta O primeiro fundamento é a comunicação. Proposta técnica informa, mas narrativa conecta. O eleitor não vota em planilha, vota em sentido. > “Dizer que vai melhorar a saúde é dado. Mostrar como isso muda a vida da mãe na fila do posto é conexão”. Sem traduzir o “o quê” para o “por quê im- porta”, o discurso vira só promessa. Ninguém é candidato de si mesmo. O segundo é a rede. A pré-campanha é tempo de costurar alianças com lideranças, se- tores produtivos, juventude e entidades. > “Eleição se ganha com time, não com vai- dade. Nome sem estrutura é apenas visibilidade”. Candidatura individual não sustenta urna. Conheça suas forças, fraquezas e diferenciais O terceiro é o autodiagnóstico. Todo candidato tem forças, fraquezas e diferenciais. Forças credenciam. Fraquezas, se ignoradas, viram alvo. Diferenciais respondem à pergunta central: “Por que ele e não outro?” “Quem faz esse raio-x antes, evita brigar no escuro na campanha” Quem fala para todo mundo, não é ouvido por ninguém O quarto é o foco. Tentar agradar a cidade inteira com a mesma mensagem é o erro mais caro. Professor, jovem e comerciante têm dores diferentes. A mensagem precisa ter endereço certo. > “Segmentar não é excluir. É ganhar densidade antes de buscar amplitude”. Pré-campanha é método: narrativa com conteúdo, time com propósito, autoconhecimento e foco. Quem ignora essa etapa chega na campanha só com vontade. E vontade, sozinha, não elege. ■ O terceiro é o autodiagnóstico. Todo candidato tem forças, fraquezas e diferenciais. Forças credenciam. Fraquezas, se ignoradas, viram alvo. Diferenciais respondem à pergunta central: “Por que ele e não outro?” “Quem faz esse raio-x antes, evita brigar no escuro na campanha” Fundamentos de pré-campanha eleitoral: estratégia antes do palanque EDINHO DUARTE Teólogo, pedagogo e advogado E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com A Proposta de Emenda àConstituição (PEC) daMisoginia, atualmente emtramitação no Congresso Nacional, promete ser um divisor de águas no debate sobre os direitos das mulheres no Brasil. A violência de gênero no Brasil é uma realidade alarmante. Dados recentes mostram que milhares de mulheres são vítimas de agressões f ísicas, psicológicas e até fatais todos os anos. Nesse sentido, a intenção de criminalizar a misoginia pode ser vista como uma resposta necessária a essa crise. O reconhecimento formal desse tipo de violência pode, de fato, contribuir para a conscientização e para a criação de políticas públicas mais eficazes. Contudo, essa intenção precisa ser acompanhada de uma discussão cuidadosa sobre como isso se traduz em legislações concretas. Reconhecer a misoginia como um crime é, sem dúvida, uma iniciativa que busca combater a violência de gênero e promover um ambiente mais seguro para as mulheres. No entanto, a proposta de criminalização da misoginia, se mal definida, pode abrir um leque de interpretações que, em vez de proteger, podem restringir a liberdade de expressão e o diálogo. Isso é especialmente relevante para o contexto evangélico, que re- presenta uma parte significativa da população brasileira, onde as discussões sobre gênero e moralidade são frequentemente pautadas por convicções profundamente enraizadas. Uma das grandes preocupações está na definição de misoginia, que na proposta temsido vista comoproblemática, uma vez que os termos que a definem, são considerados pormuitos inapropriados, vagos e amplos podendo resultar em interpretações variadas, o que poderia levar a um aumento da judicialização de conflitos do cotidiano. Isso se torna ainda mais preocupante quando se considera a liberdade de expressão. O temor de que opiniões e mani- festações de descontentamento possam ser rotuladas como misoginia é uma variante legítima. Para o movimento evangélico, que valoriza a liberdade de expressão e a defesa de valores tradicionais, a PEC pode representar uma ameaça. Muitas comunidades evangélicas têm sua própria visão acerca do papel da mulher na sociedade, fundamentada em interpretações bíblicas que promovema dignidade e o respeito, mas tambémenfatizam papéis específicos dentro da família e da comunidade. A criminalização da misoginia, em sua essência, poderia ser vista como uma forma de silenciar esses pontos de vista, le- vando à censura de vozes que defendem uma moralidade baseada na fé. Alémdisso, a resistência à PECnão deve ser interpretada como uma negação da necessidade de proteger os direitos das mulheres. Os evangélicos defendem a promoção da dignidade feminina, mas acreditam que isso deve ser feito de maneira que respeite a liberdade de crença e a expressão de opiniões divergentes. Odiálogo aberto e respeitoso sobre questões de gênero e moralidade é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, sem que isso im- plique em silenciamento ou perseguição de ideais. É crucial reconhecer que a proteção às mulheres não precisa se restringir amedidas punitivas. Existemalternativas que podemser exploradas, como o fortalecimento das leis já existentes, a promoção de campanhas educativas e a criação de redes de apoio paramulheres emsituação de vulnerabilidade. Essas abordagens podem ser muito mais eficazes e respeitosas em relação ao contexto cultural e religioso do Brasil, promovendo uma verdadeira transformação social sem comprometer a liberdade de expressão. O desafio, portanto, é encontrar um equilíbrio. A PEC da Misoginia, embora bem- intencionada, precisa ser revista para garantir que não se torne uma ferramenta de repressão ao diálogo e à diversidade de opiniões. A defesa dos direitos das mulheres deve ser acompanhada pela defesa da liberdade de expressão, permitindo que todos, inclusive os evangélicos, possam participar de forma construtiva no debate sobre a igualdade de gênero. À medida que essa proposta avança no Congresso, é essencial que os legisladores considerem as implicações jurídicas e sociais mais amplas. A luta pelos direitos das mulheres é uma causa nobre, mas deve ser feita de maneira que respeite a pluralidade de opiniões e a liberdade religiosa. O futuro da PEC não pode ser uma questão de silenciamento, mas simde construção conjunta de uma sociedademais justa e equitativa, onde todos possam ter voz e vez. O debate em torno da PEC é, portanto, um convite à reflexão sobre como avançar na luta pelos direitos das mulheres sem comprometer a pluralidade e a liberdade que são pilares fundamentais de uma sociedade democrática. ■ À medida que essa proposta avança no Congresso, é essencial que os legisladores considerem as implicações jurídicas e sociais mais amplas. A luta pelos direitos das mulheres é uma causa nobre, mas deve ser feita de maneira que respeite a pluralidade de opiniões e a liberdade religiosa. Pec da Misoginia: um olhar evangélico sobre os desafios, perigos e implicações jurídicas RODRIGO LIMA JUNIOR
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