Diário do Amapá - 08/07/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 08 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC E-mail: lcaescritor@gmail.com N ão pude ir à Feira do Livro de Florianópolis, que aconteceu de 25 de junho a 4 de julho, no Largo da Alfândega, centro histórico da capital catarinense. Tive um acidente grave em um elevador que caiu comigo dentro, há dois anos, e tenho dificuldades para andar. Mas vi comentários decepcionados de alguns escritores amigos que participaram. Os desabafos foram parecidos. Muito pouco público, falta de atrações, falta de divulgação, falta de interesse – ou de dinheiro? – dos organizadores, nenhuma valorização da cultura local e dos escritores da terra, etc. Não aconteceu a integração escritor/leitor, porque o público quase não existiu. E, cá pra nós, os escritores que compareceram foram poucos, pois eles não acreditam mais na eficiência da feira. Apenas nove estandes, sete deles pertencentes a livrarias. Livros à disposição dos leitores, mas com pouco público para usufruir deles. Não havia palestras, eventos culturais, concursos, coisas que atraíssem o leitor e que o mantivessem ocupados por ali por algum tempo. Faltou lança- mentos de autores catarinenses, pois se os houve, foram poucos. A li- teratura da terra precisa ser valorizada. Como disse o Giovani, o que ele viu foi “um evento sem identidade, sem propósito e incapaz de despertar o encantamento que os livros pro- porcionam ao leitor”. E ele tem razão. A feira do livro de Florianópolis está ficando cada vez menor. E, com efeito, já tentaram acabar com ela há uns quantos anos atrás. Briguei, publicando artigos condenando a prefeitura da época e defendendo a permanência da feira e voltaram atrás, embora a falta de apoio continuasse. Cada vez mais sem apelo, sem atra- tivos que tragam o público até ela. A feira do livro de Joinville, que este ano trans- formou-se em Festival Literário de Santa Catarina – um evento estadual, portanto – cresceu muito nos últimos anos e tornou-se um evento abran- gente, com muito mais alcance. Mas por quê? Porque ela conta com o apoio do município, do Estado e da União. E os organizadores usaram bem esses apoios para tornar o evento cada vez mais grandioso, inclusive convidando grandes nomes da literatura brasileira e até internacional. Por exemplo, entre outros nomes, na edição deste ano, o escritor Valter Hugo Mãe, angolano que vive em Portugal, um dos maiores autores da língua portuguesa, esteve abrilhantando o Festival Literário de Santa Catarina. Há entrevista com ele na edição mais recente do Suplemento Literário A ILHA. É um bom exemplo de que, se houve empenho e vontade de realizar, é possível fazer uma grande feira literária. A feira de Joinville cresceu sem parar, enquanto a feira de Florianópolis involuiu. A feira de Joinville é bem administrada, organizada por gente dedicada e que busca incentivos. Enquanto a de Florianópolis não tem dinheiro, porque não conta com a participação do Estado, do município e da União. Se conta, não dá pra ver. A única coisa que se vê é a disponibilidade do espaço. A feira precisa, além da participação do município, Estado e União, da iniciativa privada, além das vendas de estandes. Não sei se a reivindicação desses recursos todos está sendo feita, mas deveria. Eu tentei ajudar, lutei por ela, evitei que fosse cancelada, mas agora mal posso andar, então fica mais dif ícil. Trouxe, em anos passados, autores de outras cidades do Estado para fazerem lançamentos de seus livros aqui, organizei antologias para trazer os autores catarinenses de vários pontos para confraternizar na feira, etc. Espero, sinceramente, que a feira do livro de Florianópolis sobreviva e possa crescer, para alcançar seus objetivos de apoiar a literatura local. ■ É um bom exemplo de que, se houve empenho e vontade de realizar, é possível fazer uma grande feira literária. A feira de Joinville cresceu sem parar, enquanto a feira de Florianópolis involuiu. A feira de Joinville é bem administrada, organizada por gente dedicada e que busca incentivos. Feira do Livro de Florianópolis LUIZCARLOSAMORIM Radialista e estudante de Filosofia E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br H á um curioso fenômeno nacional que merecia estudo dos sábios. O brasileiro pode passar semanas discutindo política, futebol, novela e até o tempo, mas basta surgir uma caixa de pizza sobre a mesa para que todas as divergências cedam lugar a uma nova guerra pela da última fatia. No dia 10 de julho, comemoramos o "Dia da Pizza". É sempre assim. Nas famílias, há o sujeito que anuncia, com heroísmo de fachada, que "não quer mais nenhum pedaço". Cinco minutos depois, quando alguém estende a mão para a derradeira fatia, ele desperta num salto felino e pergunta, escandalizado: "Ué, ninguém ia deixar pra mim?" As redes sociais transformaram essa pequena tragédia doméstica em patrimônio nacional. Há quem fotografe a pizza antes mesmo da primeira mordida, enquanto os demais olham para o celular com a mesma ansiedade de quem espera autorização para comer. Dizem que a pizza esfria. É mentira. Quem esfria é a paciência da mesa. Existe também o artista da personalização. Não lhe basta escolher o sabor. Quer meia de quatro queijos, um quarto de calabresa sem cebola, um oitavo vegetariano, duas bordas diferentes e um pedaço "só com bastante azeitona". Quando a pizza chega, ninguém sabe mais onde termina a mussarela e começa o tratado internacional de fronteiras gastronômicas. O Dia da Pizza, celebrado em 10 de julho, é jus- tamente a ocasião em que esse espetáculo se repete com entusiasmo renovado. Uns preferem preparar a massa em casa, convencidos de que herdaram al- gum segredo de pizzaiolo italiano. Outros recorrem, sabiamente, à pizza pronta, pois descobriram que felicidade também pode chegar de motocicleta. Seja qual for a escolha, a verdade é que certos cuidados fazem toda diferença. Uma boa assadeira, dessas antiaderentes ou perfuradas, ajuda a deixar a massa mais uniforme para quem decide colocar a mão na massa. Os ingredientes, quando organi- zados antes do preparo, poupam aquela corrida desesperada atrás do orégano justamente quando o queijo ameaça derreter além da conta. Na hora de servir, cortadores afiados, espátulas e tábuas de madeira evitam que o primeiro voluntário transforme uma pizza redonda nummapa geográfico de contornos duvidosos. E uma mesa bem preparada, com bandejas, petisqueiras, jogos americanos e molhos organizados, faz até a pizza de sexta-feira parecer banquete de ocasião. As bebidas também exigem respeito. Poucas decepções são maiores do que descobrir que o re- frigerante está morno ou que o vinho permaneceu esquecido fora da temperatura ideal. Um balde de gelo, uma jarra ou uma garrafa térmica resolvem silenciosamente um problema que costuma render reclamações bem mais barulhentas. Encerrada a festa, chega o momento menos fotografado da noite: a cozinha. Os potes para guardar os pedaços sobreviventes, os organizadores de pia e um escorredor eficiente fazem com que a alegria da pizza não termine diante da pilha de louças. No fundo, porém, nenhum desses utensílios supera o principal ingrediente da noite: a conversa. A pizza possui esse raro talento de reunir pessoas em torno da mesa sem exigir cerimônia. Ela acomoda o contador de histórias, o especialista em borda recheada, o fiscal do ketchup, o otimista que sempre pede uma pizza "achando que vai sobrar" e o estrategista que calcula, em absoluto silêncio, quantos pedaços ainda lhe cabem. Talvez seja por isso que a pizza nunca sai de moda. Ela alimenta o estômago, diverte a memória e oferece, a cada fatia, a certeza de que toda família é uma pequena comédia, especialmente quando resta apenas um último pedaço sobre a mesa. ■ Encerrada a festa, chega o momento menos fotografado da noite: a cozinha. Os potes para guardar os pedaços sobreviventes, os organizadores de pia e um escorredor eficiente fazem com que a alegria da pizza não termine diante da pilha de louças. A República da Pizza GREGÓRIOJ.L. SIMÃO
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