Diário do Amapá - 09/07/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 09 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Radialista e estudante de Filosofia E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br H á uma forma de sensibilidade que não nasce da tranquilidade, mas daquilo que faltou. Nemsempre aprendemos a amar porque fomos profundamente amados. Às vezes, aprendemos justamente porque conhecemos a ausên- cia. A experiência da falta pode produzir muitos caminhos. Em algumas pessoas, ela se transforma em dureza. Em outras, desperta uma atenção quase silenciosa para a dor alheia. Não porque essas pessoas sejam naturalmente mais bondosas, mas porque sabem reconhecer aquilo que muitas vezes passa despercebido: o peso da solidão, o desconforto de não ser ouvido, a sensação de existir sem que alguém realmente pergunte como estamos. Existe uma diferença importante entre conhecer a dor e permitir que ela ensine alguma coisa. O sofrimento, por si só, não torna ninguémmais humano. Mas quando ele é atravessado sem apagar a capacidade de sentir, pode ampliar o olhar. Quem já precisou de acolhimento costuma perceber, commais facilidade, quando o outro também precisa. Quem já experimentou o silêncio pode desenvolver uma escuta que vai além das palavras. Talvez seja por isso que algumas pessoas oferecem tanto sem fazer alarde. Elas aprenderam cedo que certos gestos simples têm um valor enorme. Um tempo dedicado a alguém, uma presença constante, uma conversa sincera ou um cuidado discreto podem representar exatamente aquilo que um dia lhes fez falta. Não se trata de heroísmo nem de generosidade perfeita. É apenas a maneira que encontraram de não reproduzir no mundo a mesma ausência que um dia as marcou. Mas existe um risco silencioso nisso. Quem está sempre disposto a compreender acaba sendo visto como alguémque sempre estará ali. Sua disponibilidade passa a parecer natural, como se não exigisse esforço, como se não tivesse história. Pouca gente se pergunta de onde vemessa capacidade de permanecer, de ouvir, de acolher. Esquecemos que toda delicadeza tem um caminho. E, muitas vezes, esse caminho passou por dores que ninguém viu. Talvez por isso essas pessoas não peçam muito. Depois de viverem tanto tempo aprendendo a lidar sozinhas como que sentiam, elas descobremque o es- sencial quase nunca é grandioso. Oque procuramnão é perfeição, mas verdade. Não esperam promessas ex- traordinárias, apenas relações em que não precisem adivinhar se são importantes. Valorizam quem per- manece por escolha, não por obrigação. Quem de- monstra afeto semque isso precise ser constantemente lembrado. Aomesmo tempo, há uma armadilha emacreditar que a falta vivida no passado define para sempre o modocomo seremos amados.Nenhumahistóriaprecisa se repetir apenas porque aconteceu uma vez. A ausência pode explicar muitas das nossas escolhas,mas não precisa determinar onosso destino. Feridas explicam comportamentos; não estabelecem limites para aquilo que ainda podemos viver. Talvez uma das formas mais maduras de amar seja justamente abandonar a ideia de que precisamos merecer o cuidado dos outros. O amor não deveria ser uma recompensa por suportarmos tudo em silêncio, nemumprêmio para quem sempre foi forte. Ser amado não depende de quanto alguémsofreu, de quanto su- portou ou de quantas vezes colocou as necessidades dos outros acima das pró- prias. Nofim, amaior transformação talvez seja esta: compreender que a sensibilidade construída pela dor é valiosa, mas não precisa continuar sendo alimentada por ela. É possível conservar a capacidade de acolher sem continuar vivendo como quem espera a próxima ausência. É possível confiar outra vez, pedir ajuda quando necessário e aceitar que algumas pessoas chegam para ficar. Porque nem todo silêncio significa abandono. Nem toda distância é rejeição. Nem toda história termina em perda. E ninguém precisa continuar carregando sozinho o peso de acreditar que só será digno de amor quando aprender a suportar tudo sem precisar de ninguém. ■ No fim, a maior transformação talvez seja esta: compreender que a sensibilidade construída pela dor é valiosa, mas não precisa continuar sendo alimentada por ela. É possível conservar a capacidade de acolher sem continuar vivendo como quem espera a próxima ausência. A origem invisível da gentiliza GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E stou morando em Lisboa, este ano, mas venho novamente de visita ao sul da França, pois gosto demais da Côte D´Azur e da Provence, que fica encostadinha. Passamos por Nice, onde já ficamos algumas vezes – uma cidade grande e linda, à beira do Mediterrâneo - e estamos em Fayence, cida- dezinha da Provence, encantadora. Estamos no início do verão, então recém saímos da primavera, de maneira que está tudo muito verde e pejado de flores, muita cor por todo lado. Vejam que privilégio: escrevendo minha crônica na Provence, ao ar livre, ouvindo a cigarra, que é tempo dela, e os muitos passarinhos que (po)voam a região. Minha filha mora aqui, em Fayence, numa casa ampla e acolhedora, com todos os confortos de uma casa da cidade e o bônus de estar rodeada de árvores, numa região tranquila e pacata. Muitas vinhas – as uvas estão cacheando, o fruto ainda está pequeno, mas os pés estão carregados. As oliveiras também de floresceram recentemente, estão cheias de azeitonas, sem contar os pés de nozes, de amêndoas, de ameixas (aquela com a qual se faz a ameixa preta, eu esclareço, porque no Brasil chamamos a nêspera de ameixa, erroneamente), figos, cerejas, pêssegos, morangos, etc., etc. É verdade que o interior nos dá várias vantagens, como o ar puro, a boa comida, muita coisa produzida aqui mesmo, o bom vinho, a amizade dos vizinhos que nem são muito próximos, geograficamente, porque todos têm terrenos grandes, mas todos se conhecem e se dão bem. No segundo dia desta revisita à Fayence, saí com Romain para fazer compras. Fomos a uma quitanda, emMontauroux, tipo Direto do Campo, aí no Brasil, com muita variedade de frutas e verduras, legumes e queijos, tudo fresquinho. Emais: tudo comcertificado de origem, com o nome do produtor. Uma beleza. Dá vontade de levar tudo. Romain comprou muita coisa, inclusive uns cogumelos Porcini, fresquinhos e grandões, que ele fez grelhados e ficou uma delícia. Também fomos a um supermercado que tem um açougue fantástico: diversos cortes de carne de vaca, de vitelo, de borrego, de carneiro, frescas e de aparência excelente, organizadas em seus diversos cortes, inclusive alguns já temperados, prontos para ir ao fogo. E os embutidos e queijos da região também são ótimos, especialidade da região. O jantar foi um banquete. E depois passamos numa boulangerie, quer dizer, padaria. E os pães, ah, os pães e derivados, doces e salgados, recheados ou com cobertura e com essa farinha de grano duro daqui... Eu sou suspeito para falar porque sou movido a pão, mas dentre uma variedade imensa de pães deliciosos, há um que eu consegui gostar mais, que é um pão de gorgonzola. Mas gosto de todos. No dia seguinte fomos a Seillan e jantamos no restaurante La Gloire de mon Pére. Pedimos comida da região e conhecemos pratos fabulosos. O res- taurante fica num declive ao lado da rua, mas como agora é verão e há uma área belíssima do lado de fora, com árvores centenárias, uma fonte enorme no meio e uma outra fone coberta ao lado, também centenárias, as mesas ficam dispostas ao redor da fonte redonda e as lanternas por todo o espaço e as lâmpadas no alto tornam o ambiente meio mágico. Já havíamos estado ali, em outras visitas, mas como era inverno, o restaurante funcionava só dentro do prédio. É um lugar belíssimo. Ontem estivemos no Lac de Saint-Cassien, um lago enorme que abastece a região e também tem praias, além de ser um lugar onde se pode pescar e fazer aulas de mergulho. Isso tudo sem falar na vastidão de água, outro lugar belíssimo. ■ Verão na Provencee Fernanda aniversariou, no dia 24 de junho, e fizemos uma festa junina bem brasileira, com pé-de-moleque, paçoquita, bolo de milho, cachorro quente, brigadeiro, cajuzinho, beijinho, pipoca, tortas salgadas. LUIZ CARLOS Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC Advogado

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