Diário do Amapá - 12 e 13/07/2026
ENTREVISTA ENGENHEIRO | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 12 E 13 DE JULHO DE 2026 14 Especialista ouvido pela Diário FM compara potencial da Foz do Amazonas aos grandes casos de sucesso da Guiana, Suriname e Namíbia e destaca que previsibilidade e continuidade da exploração serão decisivas para atrair investimentos. D iário do Amapá - Quando se fala em Margem Equatorial, quais são os principais exemplos internacionais que servem de referência para o Brasil? Flávio Menten - O principal comparativo é a Guiana e o Suri- name, países vizinhos que compartilham características geológi- cas semelhantes às da Bacia da Foz do Amazonas. Também po- demos citar a Namíbia e a costa norte da África do Sul, que tive- ram importantes descobertas recentes em águas profundas, além da Noruega, referência mundial em exploração offshore e desenvolvimento de novas fronteiras petrolíferas. Diário - O que os dados mostram sobre as semelhan- ças entre essas regiões e o potencial brasileiro? Flávio - Há quinze anos, o Brasil liderava as descobertas mun- diais com o pré-sal. Nos últimos anos, esse protagonismo passou para Guiana e Suriname, que encontraram mais de 14 bilhões de barris de óleo equivalente em uma década. O Brasil continuou realizando descobertas, mas concentradas em áreas já maduras. A Margem Equatorial representa justamente a oportunidade de abrir uma nova fronteira exploratória. Diário - É possível ficar otimista diante desse cená- rio? Flávio - Sim, mas com responsabilidade. Estamos falando de uma região que já foi explorada anteriormente em águas rasas, porém agora contamos com novas tecnologias, capazes de al- cançar reservatórios em águas profundas com muito mais preci- são e segurança. O potencial existe, mas precisa ser confirmado pelas perfurações. Diário - O avanço tecnológico também contribui para tornar a operação mais segura? Flávio - Sem dúvida. As tecnologias atuais permitem operações muito mais seguras e eficientes, tanto do ponto de vista opera- cional quanto ambiental. Isso reduz riscos e amplia a capacidade de monitoramento durante todas as etapas da atividade. Diário - Quais lições o Brasil pode tirar das novas fronteiras exploratórias abertas recentemente em outras partes do mundo? Flávio - O principal aprendizado é que uma região desconheci- da pode mudar rapidamente de status quando surgem descober- tas sucessivas. Foi o que aconteceu na Namíbia, por exemplo. Grandes empresas internacionais passaram a investir depois que o potencial foi comprovado. Esse movimento aumenta a con- fiança do mercado e acelera novos investimentos. Diário - Como a Margem Equatorial brasileira disputa investimentos com outras regiões produtoras do mundo? Flávio - Hoje as empresas são muito mais seletivas. Elas priori- zam projetos resilientes, competitivos e com menor intensidade de emissões. O offshore brasileiro possui essas características. Além disso, percebemos um retorno do interesse mundial pelas fronteiras exploratórias, depois de alguns anos em que os inves- timentos estavam concentrados apenas em áreas próximas de infraestrutura já existente. Diário - As discussões sobre licenciamento ambiental afastam investidores internacionais? Flávio - O mercado entende que processos regulatórios fazem parte da atividade. O mais importante é haver previsibilidade. Quando as regras são claras e os prazos conhecidos, as empresas conseguem incorporar esse fator ao planejamento dos investi- mentos. O Brasil também possui reconhecimento internacional pela qualidade das operações e pelos padrões ambientais adota- dos. Diário - Na sua avaliação, qual será o principal fator para determinar o sucesso da Margem Equatorial? Flávio - A repetibilidade. Um único poço não define o poten- cial de uma nova fronteira. Mesmo que o primeiro resultado seja positivo, será necessário realizar novas perfurações e ampliar o conhecimento geológico da região para comprovar que esse po- tencial se repete. É isso que transforma uma descoberta em um grande polo produtor. Diário - Obrigado pela entrevista. Flávio - Foi uma honra falar com vocês, fico à disposição. ■ Reportagem: CLEBER BARBOSA PERFIL Oengenheiro mecânico Flávio FerreiraMenten atua como especialista e analista do mercado de óleo e gás na renomada consultoria internacional Rystad Energy. Formação Acadêmica - Graduação em Engenharia Mecânica. - École Centrale de Lyon (França): - Formação acadêmica de excelência em engenharia e tecnologia Breve currículo - Reconhecido por suas análises de mercado sobre o potencial exploratório, investimentos e geopolítica da indústria energética na América Latina, seu perfil profissional reúne uma sólida bagagem técnica e acadêmica internacional - Especialista em Energia: Focado no mercado de Upstream de petróleo e gás. - Porta-voz do Setor: Fonte frequente para veículos especializados como BNamericas e o portal R7. - Visão Estratégica: Expertise em análise de investimentos em novos projetos e segurança geopolítica de combustíveis fósseis. Atual momento - Cargo atual: Analista Sênior / Analista de Pesquisa de Óleo. - Atividades: Avaliação de tendências globais de oferta e demanda, atratividade de fronteiras exploratórias (como a Margem Equatorial brasileira), desenvolvimento do mercado de gás na Colômbia e o avanço da América do Sul no cenário energético mundial. Flávio Menten ■ Flávio Menten, Analista Líder de Pesquisa de Óleo e Gás para a América Latina na Rystad Energy. Margem Equatorial pode colocar o Brasil entre líderes da nova fronteira V DA/ Breno Barbosa
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