Diário do Amapá - 12 e 13/07/2026
u, ultimamente, tenho sofrido muito quando ouço ou leio notícias sobre a atual situação do Senado, Casa onde passei grande parte da minha vida: 40 anos. Sou o político que mais tempo, durante a República, exerceu mandatos eletivos e, se incluirmos o Senado do Império, que era vitalício, fico empatado, como Senador, com o Visconde de Suassuna, Francisco de Paula Cavalcanti e Albuquerque, Senador no Império por 40 anos, de 1840 a 1880. Muito tempo ali também passou o Marquês de Muritiba, da Bahia, 38 anos. Por 61 anos, exerci mandatos eletivos: Presidente da República por 5 anos; Senador por 40 anos, tendo sido, por 8 anos, Presidente da Casa; Deputado Federal, 12 anos, desde 1955; governador do Maranhão, 4 anos e 6 meses. O Marquês de Abrantes, no Senado do Império, sabendo que os Senadores só perdiam o cargo pela morte, certa vez, numa longa discussão no plenário, disse uma frase que eu gostava de repetir: “Nada de brigas, lembremos que temos que viver juntos a vida inteira.” Mesmo assim, o Duque de Caxias, quando ferido em sua honra por uma ironia de Zacarias de Góis, que o acusava de ter trazido do Paraguai um cavalo e uma égua, desrespeitando o regulamento, que permitia somente uma montaria, desembainhou a sua espada. Esse fato até hoje é citado como perda de paciência por aquele que é o Pacificador, Patrono do Exército Nacional. Na presidência dessa Casa Legislativa, sempre pautei minha gestão com os olhos no futuro e, como dizia o Padre Vieira, no “futuro do passado”. Ao assumir meu primeiro mandato naquela Casa, em 1971, juntei-me ao grupo que fundara o Instituto de Pesquisas da Realidade Brasileira e, tendo sido escolhido o Presidente de sua Co- missão Executiva, transformei-o em Instituto de Pesquisas e Assessoria do Congresso (IPEAC), que deu grande contribuição aos trabalhos técnicos legislativos —podendo, como fez, requisitar os principais pensadores brasileiros dos temas relevantes do nosso País em auxílio ao exercício do mandato dos Senadores. Para que se tenham um exemplo do nosso trabalho no IPEAC, basta dizer que nos dois primeiros anos reali- zamos 2.914 trabalhos especializados e, em 1973, já che- gamos a 7.669 contribuições ao Legislativo. Havia um grande esforço para implantarmos uma abordagem que extrapolasse a contribuição individual ao parlamentar, elevando-a para um nível de apoio técnico aos subsídios da Instituição e, ao mesmo tempo, fizemos do nosso Senado um fórum de debates no IPEAC. Dessa ideia, nasceu a criação do quadro de Consultores do Senado Federal, que até hoje é uma referência no Serviço Público do País, ocupado por grandes inteligências e capacidades, sendo seu concurso um dos mais exigentes de toda a Administração Pública brasileira. O que me impulsionou na direção do IPEAC foi a ne- cessidade de darmos aos trabalhos do Senado, principal- mente aos do Plenário, o domínio de temas e discursos exemplares, cujos subsídios eram garimpados nas maiores capacidades científicas do Brasil. Assim, embora o Golbery tivesse dito aquela frase irônica de que “quem quisesse guardar um segredo o co- locasse nos Anais do Congresso Nacional”, digo que quem analisar os Anais do Senado daquele tempo encontrará os trabalhos mais competentes de nossa História Repu- blicana, debates relevantes dos temas sujeitos ao Plenário do Senado, necessários para fazer face à situação de declínio político que, naquela época, vivia o Congresso, sujeito a uma vigilância dos militares que governavam o País. Com a minha visão de modernidade, em companhia de Ney Braga e Carvalho Pinto, em uma comissão sobre a necessidade de informatização da Casa, quando este assunto ainda engatinhava no mundo, sugerimos ao então Presidente da Casa Petrônio Portella — que aceitou nossa ideia — a criação da Secretaria de Informação. Lembro-me de que o Ministro Mário Henrique Si- monsen me disse que, quando fora convidado para Ministro da Fazenda pelo Presidente Geisel, este iniciou e deu curso à sua conversa, quase uma inquisição, tendo à mão várias conferências do IPEAC por nós publicadas, debatendo soluções sobre a economia nacional. ■ Senado e querer bem E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY E A RÁDIO O JORNAL AGORA WEBTV Luiz Melo |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 12 E 13 JULHO DE 2026 FALECOMOLUIZMELO E-mail: luizmello.da@uol.com.br Blog: www.luiz melo.blog.br Twitter: @luizmelodiario Instagram: @luizmelodiario© 2018 3 FROM RAPIDINHAS TERRÍVEL! - Folha de S.Paulo, em reportagem especial, mostra às claras como crime organizado vem se agigantando na Amazônia - Amapá no meio… Entrando no ramo de exploração mineral clandestina, tirando vidas de adversários e de inocentes, e deixando meio ambiente um caos. ■ CLANDESTINIDADE - Entrada de cubanos no Brasil, pelo Amapá, é recepcionada por pelo menos 20 ’pirateiros’, que cobram o ‘olho da cara’ a esses migrantes, cujos destinos são o estado de Goiás ou centros do Sul e Sudeste, como Curitiba, Florianópolis e São Paulo, entre outros, segundo matéria da Folha. ■ Pé na estrada O casal Furlan e Rayssa segue no corpo a corpo na pré-campanha. E nesse fim de semana agenda a cumprir era no sul do Amapá - Vitória e Laranjal do Jari, principalmente. Mas dessa vez Lucas Barreto não estava junto. Clareza Procuradora eleitoral, Sarah Britto, requereu que, doravante, tudo sob sigilo, no processo de recurso contra ex-prefeito Furlan, seja imediatamente comunicado ao MPE… Para que não ocorra mais surpresa, como a de quinta-feira passada, que levou a adiamento do julgamento, por licença médica da advogada do ex-gestor de Macapá. Ministro WGóes (MIDR) movimenta liberação de recursos para os 16 municípios do Amapá, todos eles às voltas com números altos de pacientes com síndromes gripais e com situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil Nacional. Bombeiros não prezam pelos bens materiais das vítimas, pois prioridade nos combates é salvar vidas. E quando bens são consumidos pelas chamas e pessoas já estão em segurança, soldados passam para casas vizinhas… “Nosso foco é o bem humano”, atesta sargento bombeiro Carla Souza. Esclarecimento Parece que o povo pegou gosto. Hoje (11), pela manhã, o Porto do Povo l, em STN, tava lotado. O novo espaço, mais confortável, tem atraído quem viaja de barco. O lugar foi recuperado com trabalho do senador Randolfe Rodrigues. Bora de barco Com derrota no Pleno do TRE-AP, semana que passou, quando colegiado eleitoral manteve Acórdão da decisão que os cassou do mandato, Toinho Mineiro, prefeito, e Gibson dos Santos, vice-prefeito, ambos de Calçoene, perdem respectivo cargo, para realização de novo pleito naquele município. Já era Crise Conforme disse sargento Carla Souza no Togas e Becas (Diário FM 90,9), neste sábado, 11, Corpo de Bombeiros do Amapá acompanha crescimento populacional do estado e verticalização de Macapá, estando apto a atender demanda contra incêndios e pânico por ter tropas suficientes e equipamentos. Amém! Enquanto Toinho e Gibson vão pra casa, levar vida comum, presidente da Câmara Municipal de Calçoene, vereador Sebastião Chagas Carneiro, faz as vezes de gestor, até que TRE-AP realize nova eleição para prefeito e vice-prefeito. Tampão Até dia 28 de agosto, juízes eleitorais de todo o país vivem obrigação de fazer nomeações e publicar editais com relações dos mesários que trabalharão nas eleições gerais de 2026. Tarefa ‘Benquerência’ foi selecionada para representar Amapá no tradicional Festival de Música de Ourém, no Pará, interpretada por Beto Oscar e Helder Brandão, que também assinam composição junto com Aldo Gatinho. Canção PGR contrariou PF e se opôs a bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto por ‘processo profano’ de emendas: R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL… Por conta de seu envolvimento direto na liberação de emendas parlamentares, mesmo sem ocupar cargo no Congresso Nacional há mais de 10 anos. Roubalheira
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