Diário do Amapá - 15/07/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 15 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O calendário eleitoral brasileiro tem um momento de verdade que antecede qualquer urna: o funil das convenções. São treze os pré- candidatos apresentados pelos partidos, mas as candidaturas só se tornam oficiais nas convenções, entre 20 de julho e 5 de agosto, com registro na Justiça Eleitoral até 15 de agosto — e, até lá, nomes podem entrar, sair ou trocar de posição. É nesse intervalo que a pré-campanha deixa de ser ensaio e vira compromisso. E é por isso que os números desta semana pesam mais do que os de qualquer outra. O que dizem esses números? Primeiro, que a trajetória mais consistente do ciclo foi interrompida. A série histórica da AtlasIntel mostrava Flávio Bolsonaro em crescimento contínuo desde o fim de 2025, saindo da casa dos 20% para se aproximar dos 40%. Em abril, senador e presidente estavam empatados no segundo turno, ambos com 48%; na rodada divulgada em 1º de julho, Lula abriu 48,8% contra 42,3%, enquanto no primeiro turno Flávio recuou para 36,6%. Não foi um deslocamento isolado de instituto. O Datafolha de meados de junho registrou 47% a 43%; a BTG/Nexus do fim do mês, 47% a 44%; a Quaest de junho, 44% a 38%. Na média de sete institutos desde o fim de maio, a vantagem do presidente é de 6 pontos percentuais. Segundo, que há um vetor identificável por trás da inflexão. A Quaest foi a primeira a colher dados após a divulgação das mensagens em que o senador pede recursos a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master: 55% dos entrevistados conheciam o episódio, 65% avaliaram que Flávio errou e 58% consideraram que ele pode estar es- condendo envolvimento no caso. O dado importa menos pelo escândalo em si — a história eleitoral brasileira está cheia de escândalos absorvidos — e mais pela sua tradução aritmética imediata. Terceiro, e aqui está o ponto que a leitura apressada perde: o movimento não foi de migração, foi de suspensão. Os indecisos subiram de 5% para 8,9% entre as rodadas da AtlasIntel. O eleitor que deixou Flávio não foi para Lula. Ficou em compasso de espera. E voto suspenso é, por definição, voto em disputa. Desse quadro extraio duas tendências — e as anuncio com a modulação que os próprios dados exigem. A primeira: inflexão não é colapso. Flávio segue como polo único da oposição competitiva, na casa dos 36% a 44% conforme o cenário, e ne- nhum outro nome do campo chega perto. Nos cenários testados pela Atla- sIntel, a vantagem de Lula sobre Michelle Bolsonaro supera 27 pontos — o que, paradoxalmente, blinda o senador dentro do próprio campo: não há substituto viável a três semanas das convenções. A segunda: o favoritismo de Lula é real, mas sem maioria. O presidente lidera todos os cenários e não cruza os 50% em nenhum deles. A rejeição é quase simétrica — 56% não votariam em Flávio, 53% não votariam em Lula. É uma eleição de tetos baixos, em que o desempate virá das margens: dos indecisos em alta e do bloco fora da polarização. Nesse bloco, aliás, um dado chama atenção: Renan Santos, do Missão, subiu para 7,8% e assumiu a terceira posição, à frente de governadores mais conhecidos. É bastante possível que esse cres- cimento seja menos um fenômeno autônomo e mais um sintoma — a fração do eleitorado de direita que suspendeu a confiança no sobrenome, mas não a posição. Ficam, então, as perguntas que os números ainda não respondem. A queda de Flávio é dano estrutural ou choque absorvível até agosto? O voto suspenso retorna ao polo de origem, realimenta o terceiro nome ou se converte em abstenção? E quem paga a conta eleitoral do tarifaço — quem negociou em Brasília ou quem testemunhou em Washington? ■ DANIELCHAVES E-mail: Daniel.s.chaves@gmail.com Analista e Professor da Unifap Nesse bloco, aliás, um dado chama atenção: Renan Santos, do Missão, subiu para 7,8% e assumiu a terceira posição, à frente de governadores mais conhecidos. É bastante possível que esse crescimento seja menos um fenômeno autônomo e mais um sintoma — a fração do eleitorado de direita que suspendeu a confiança no sobrenome, mas não a posição. O Funil das Convenções e a contabilidade do voto, um a um M essi errou o pênalti. AArgentina perdendo. Opeso de decepcionar um país inteiro caiu sobre ele naquele instante. E o que ele fez? Pediu a bola de novo. Essa semana, em Dallas, Mbappé viveu o mesmo roteiro. Primeiro tempo. França e Marrocos empatando. O penalty cobrado pelo craque francês saiu fraco e foi defendido. Mbappé podia ter desabado, mas assim como Messi, ele se recusou a desaparecer. Correu. Pediu jogo. E minutos depois, foi dele o gol que recolocou a França nos trilhos, a caminho da virada que levaria os franceses à semifi- nal. Bruno Guimarães também errou. Mesma Copa. Mesma pressão. Milhões de pessoas assistindo. A diferença é que depois do erro, Bruno Guimarães desapareceu. Cabeça baixa. Corpo travado. Presença apagada em campo. Dois dias depois, ele disse: "Foi o pior momento dos meus 28 anos de vida". Os três erraram. Oerro foi omesmo. Adiferença não está no talento – os três têm talento de sobra. A diferença está no que cada um acreditou sobre si mesmo depois do erro. Como advogado vejo isso sempre na minha profissão. Uma sentença desfavorável é proferida. O prazo corre. A prova parece frágil. Overdadeiro erro é acreditar que aquela derrota define o caso. O que separa o advogado que vira o jogo, daquele que entrega a causa é o que esse profissional faz entre a um sentença desfavorável e a petição do recurso. É onde alguns desistem — e outros pedem a bola de novo. E antes que você pense que isso é sobre futebol, não é. É sobre você. Sobre a última vez que você errou. Sobre o que você fez depois. Quando a gente erra, a gente não sofre pelo erro em si. A gente sofre porque o erro confirma um medo que já estava lá dentro de nós. O erro não cria o medo. O erro só dá ao medo a prova que ele esperava. E aí a gente para de reagir. A gente começa a obedecer a uma história escrita no pior momento possível. A gente para de tentar. A gente para de se expor. Para de pedir a bola. Não porque não tem capacidade. Mas porque se convenceu de que se arriscar de novo é arriscar descobrir que o erro estava certo. Esse é o maior engano dessa geração: acreditar que o erro revela quem você é.... Acreditar que a falha é a verdade final sobre você. O erro é um evento. O erro não é uma identidade. O erro não te define e nem é a última palavra, a não ser eu você permita. Messi não venceu apesar do erro. Messi venceu porque se recusou a deixar o erro ter a última palavra. Mbappé não se recuperou apesar do pênalti perdido. Ele se recuperou porque, no intervalo entre o erro e a próxima jogada, ele escolheu continuar. E na minha profissão, na advocacia, a causa não se ganha apesar da sentença desfavorável. A causa será ganha porque alguém se recusou a tratar a derrota como identidade. O que decide de verdade é o que você faz entre o erro e a próxima jogada. É onde a maioria desiste. É onde você deveria pedir a bola. Da última vez que você errou... você pediu a bola de novo? Ou se entregou e desistiu? ■ O erro não te define E-mail: diario-ap@uol.com.br Advogado e Jornalista O verdadeiro erro é acreditar que aquela derrota define o caso. O que separa o advogado que vira o jogo, daquele que entrega a causa é o que esse profissional faz entre a um sentença desfavorável e a petição do recurso. É onde alguns desistem — e outros pedem a bola de novo. JORGE ANAICE

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