Diário do Amapá - 16/07/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 16 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA C ientistas chineses realizam diversos experimentos para fazer chover, até nevar. No mais extenso experimento, fizeram a se- meadura de nuvens com drones adaptados e que resultou na precipitação de mais de 4% em uma área de 8.000 km² em um único dia, de acordo com a Administração Meteorológica da China (CMA). A operação gerou mais de 70.000 metros cúbicos de precipitação adicional utilizando apenas 1 kg de iodeto de prata, um composto comum para semeadura de nuvens. Essa quantidade de pó de iodeto de prata mal encheria uma caneca térmica de viagem. O teste foi detalhado em um artigo revisado por pares publicado no periódico chinês Desert and Oasis Meteorology. Dois drones de médio porte subiram a altitudes de 5.500 metros em 9 de julho de 2023, liberando o iodeto de prata em quatro voos consecutivos sobre as pastagens de Bayanbulak, de acordo com o estudo. O pó amarelado era envolto em uma barra de combustão e liberado na atmosfera na forma de fumaça. As partículas de iodeto de prata foram dispersas a uma taxa de 0,28 gramas por segundo. Desde 2021, a equipe do projeto interligou 24 estações terrestres automatizadas com satélites e frotas de drones. O sistema de drones permite fazer operações de aumento de chuva ou neve em todas as condições climáticas, durante todo o ano e em larga escala, conforme explicam os pesquisadores no artigo. E ainda com menores riscos de segurança, maneabilidade, controle preciso e com ampla cobertura. Práticas semelhantes de modificação climática têm sido realizadas em outros países e em outras regiões da China, como Guizhou, Xangai, Gansu e Sichuan. Para determinar se uma operação de se- meadura de nuvens amplificou a precipitação, determinar as medidas precisas do volume de água ganho e qual o benef ício projetado para o ano todo, os cientistas empregaram três métodos de validação para examinar os resultados de forma cruzada. 1) Espectrômetros de gota de chuva mos- traram os diâmetros das gotas expandindo de 0,46 mm para 3,22 mm após a semeadura, en- quanto imagens de satélite registraram resfriamento do topo das nuvens em até 10°C e crescimento vertical de cerca de 3 km, provando o efeito positivo com evidências f ísicas. 2) A análise estatística, baseada em 50 anos de dados climáticos re- gionais, estimou em 78.200 metros cúbicos de chuva adicional, com um aumento relativo de 3,8%. 3) Simulações em supercomputador previram um aumento de 73.800 metros cúbicos (4,3% de incremento), alinhando-se estreitamente com as observações em solo. Em 31 de maio de 2011, escrevi um artigo lembrando do projeto do então Centro Técnico de Aeronáutica - CTA (hoje DCTA) para fazer chover no Nordeste. Desistiram, mas um engenheiro do ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica, não. Ele dispensou o poluidor iodeto de prata e utilizava gotas de água potável. A SABESP o contratou em 2001, garantindo água para São Paulo. Sugeri que o governo criasse drones para isso, dentro do programa de Veículos Não Tripulados. Nossos financiadores desanimam fácil, os chineses não! Será que algum chinês leu meu artigo? ■ MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior Em 31 de maio de 2011, escrevi um artigo lembrando do projeto do então Centro Técnico de Aeronáutica - CTA (hoje DCTA) para fazer chover no Nordeste. Desistiram, mas um engenheiro do ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica, não. Ele dispensou o poluidor iodeto de prata e utilizava gotas de água potável. A China faz até chover D urante décadas, dizia-se que a indústria da beleza era uma máquina voltada quase exclusivamente para explorar a insegurança feminina. O mercado mudou. A tecnologia acelerou. As redes sociais democratizaram a vaidade e industrializaram a ansiedade. Agora chegou a vez dos homens entrarem na mesma engrenagem. Só que com uma diferença inquietante. O discurso vem embalado como se fosse disciplina, evolução pessoal e conquista de status. O nome da nova febre é looksmaxxing. A tradução livre seria algo como maximização da aparência. Parece inofensivo. Não é. O fenômeno, que se espalha entre adolescentes e jovens adultos, vende a ideia de que sucesso profissional, aceitação social e felicidade amorosa dependem quase exclusivamente da geometria do rosto, da largura da mandíbula, do percentual de gordura corporal e da simetria facial. O corpo deixa de ser morada da personalidade para virar currículo. A identidade passa a ser medida em milímetros de maxilar. Especialistas alertam que o problema não está em frequentar uma academia, cuidar da alimentação ou manter há- bitos saudáveis. O perigo começa quando a es- tética deixa de ser consequência do bem-estar e se transforma em religião. A lógica econômica por trás desse fenômeno é conhecida. Primeiro cria-se uma deficiência imaginária. Depois vende-se a promessa da cor- reção. O mercado da insegurança movimenta bilhões porque nunca entrega satisfação definitiva. Sempre haverá um novo padrão, uma nova téc- nica, um novo suplemento, um novo procedi- mento. Mas existe algo ainda mais profundo acon- tecendo. As redes sociais deixaram de ser vitrines para se tornarem tribunais permanentes. Cada fotografia é um plebiscito. Cada curtida funciona como voto de aprovação. Cada comentário ne- gativo adquire o peso de uma sentença. O jovem aprende cedo que não basta existir. É preciso performar uma versão esteticamente rentável de si mesmo. É uma inversão curiosa dos antigos valores masculinos. Durante gerações, dizia-se que ho- mens eram julgados pelo caráter, pela palavra e pela competência. Hoje cresce uma cultura digital que sugere exatamente o contrário. Antes de qualquer qualidade, importa parecer vence- dor. É exatamente aí que mora o maior risco. Quando alguém acredita que seu valor depende exclusivamente da aparência, qualquer espelho se transforma em inimigo. A ironia é cruel. Nunca houve uma geração com tanto acesso à informação sobre saúde e bem-estar. Nunca houve tantos aplicativos de atividade f ísica, tantos profissionais disponíveis e tantos conteúdos educativos. Mesmo assim, cresce uma epidemia si- lenciosa de jovens convencidos de que precisam alterar radicalmente seus corpos para merecer respeito. O problema não é a musculação. Não é o cuidado com a pele. Não é querer emagrecer ou ganhar massa muscular. O problema começa quando o ser humano deixa de construir sua personalidade para construir apenas sua fotografia. Talvez a grande pergunta do nosso tempo não seja por que tantos jovens estão obcecados com a aparência. A pergunta correta talvez seja outra. Quem está lucrando com essa obsessão? ■ O espelho que devora os rapazes E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia O problema não é a musculação. Não é o cuidado com a pele. Não é querer emagrecer ou ganhar massa muscular. O problema começa quando o ser humano deixa de construir sua personalidade para construir apenas sua fotografia. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO
RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=