Diário do Amapá - 16/07/2026

O governo brasileiro vol- tou a classificar como "injusta" a possível im- posição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais durante reunião de alto nível realizada nesta ter- ça-feira (14) com o represen- tante estadunidense de Co- mércio, Jamieson Greer. O en- contro ocorreu na véspera do prazo final para a decisão da administração do presidente Donald Trump sobre a adoção das sobretaxas. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que essa foi a quinta reunião entre autoridades dos dois países desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump deci- diram criar um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial. Crítica às tarifas No comunicado, o Mdic destacou que o governo brasileiro reiterou que as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Es- tados Unidos (USTR) não têm fun- damento técnico e não justificam a adoção de novas barreiras comerciais. As críticas envolvem tanto a pro- posta de sobretaxa de 25% específica para produtos brasileiros quanto a tarifa adicional de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, aplicável também a outras 59 econo- mias. "O governo brasileiro reiterou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acor- do bilateral mutuamente adequado", afirmou a pasta. Negociação mantida Além do Mdic, participaram da reunião representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República. Segundo o governo, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o diálogo com Was- hington e buscar uma solução nego- ciada para evitar a adoção das tari- fas. Nos bastidores, interlocutores do governo avaliam que, embora as ne- gociações tenham registrado avanços nos primeiros meses, a posição ame- ricana se tornou mais rígida nas últi- mas semanas. Investigação americana As possíveis tarifas decorrem da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Co- mércio dos Estados Unidos. ■ BRASIL CHAMA TARIFA DOS EUA DE "INJUSTA" EM NOVA REUNIÃO A guerra no OrienteMédio e os possíveis efeitos do El Niño fizeram a equipe econômica revisar para cima a projeção da inflação em2026. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,5% para 5,1%, ficando acima do teto da meta estabelecida pelo ConselhoMonetário Nacional (CMN). A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3%. As novas projeções constam no Boletim Macrofiscal, divulgado nesta quarta-feira (15) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. Inflação maior Segundo a equipe econômica, a revisão reflete principalmente o aumento dos preços internacionais do petróleo e seus derivados, em meio ao conflito no OrienteMédio, alémdos efeitos esperados do fenômeno climático El Niño sobre a produção de alimentos. A Fazenda avalia que esses fatores podemmanter a pressão sobre os preços ao longo dos próximos me- ses. Projeções O novo cenário apresentado pelo governo prevê: Inflação em 2026: 5,1%, ante projeção anterior de 4,5% Meta de inflação: 3%, com teto de 4,5% Inflação em 2027: revisão de 3,5% para 3,6% Após 2027: expectativa de convergência para a meta de 3%. Em relação aos alimentos, oMinistério da Fazenda destaca que o El Niño pode comprometer as safras e elevar os preços. "Pressões altistas no segundo semestre estão as- sociadas à maior probabilidade de ocorrência do El Niño e à persistência do choque de oferta e de preços dos fertilizantes", afirma o boletim. Pressões externas A equipe econômica aponta que o conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, cenário que tende a afetar combustíveis e outros custos da economia. Segundo a Fazenda, as incertezas geopolíticas po- dem prolongar esses impactos e dificultar uma desa- celeração mais rápida da inflação. PIB mantido Apesar da piora nas projeções para os preços, o governo manteve inalterada a expectativa de cresci- mento da economia em 2026. Crescimento As estimativas divulgadas pela SPE são: PIB em 2026: 2,3%, sem alteração em relação ao boletim anterior; PIB em 2027: projeção reduzida de 2,6% para 2,5%; De 2027 a 2030: crescimento médio estimado em 2,6% ao ano. ■ PREVISÃO Projeção oficial de inflação sobe para 5,1%, com estouro da meta ● DIÁLOGO V Foto/ Erich Sacco/ Adobe Stock FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUINTA-FEIRA | 16 DE JULHO DE 2026

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