Diário do Amapá - 19 e 20/07/2026
O temor de um desemprego em massa provocado pela Inte- ligência artificial (IA) não en- contra eco nos dados reais da ma- croeconomia, segundo o vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2010, Christopher Pissarides. O especialista em dinâmica do mercado de trabalho afirma que a IA tem atuado muito mais como uma ferramenta de assistência ao traba- lhador do que como um vetor de substituição de mão de obra. A análise foi feita durante a 25ª Conferência da Society for the Ad- vancement of Economic eory (SAET), no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro. "Há alguns poucos exemplos de aumento de desemprego que ganham toda a publicidade, especialmente nas empresas de tecnologia, que envolvem realmente milhares de trabalhadores. Mas se você olhar para o quadro geral da macroeconomia, essas coisas são muito, muito pequenas", diz Pissari- des. "Em áreas tradicionais do mercado de trabalho, como a construção civil, por exemplo, há um aumento na de- manda. Há também novos empregos surgindo para aumentar a segurança, manutenção, robótica, equipamentos, segurança, análise de dados de pro- gramas, e assim por diante", comple- menta. O economista também refletiu so- bre a velocidade com que as habili- dades profissionais se tornamobsoletas em ummundo mais tecnológico. Uma pesquisa liderada por ele analisou a probabilidade de um trabalhador pre- cisar de novos treinamentos após oito anos no mesmo cargo. A conclusão é de quem trabalha diretamente com tecnologia é mais impactado pela ur- gência de aprendizado contínuo. Profissões ligadas à educação e ao cuidado humano (como professores e enfermeiros) não registraram ne- nhuma mudança drástica nas habili- dades exigidas após quase uma déca- da. O economista também refletiu so- bre a velocidade com que as habili- dades profissionais se tornamobsoletas em ummundo mais tecnológico. Uma pesquisa liderada por ele analisou a probabilidade de um trabalhador pre- cisar de novos treinamentos após oito anos no mesmo cargo. A conclusão é de quem trabalha diretamente com tecnologia é mais impactado pela ur- gência de aprendizado contínuo. Profissões ligadas à educação e ao cuidado humano (como professores e enfermeiros) não registraram ne- nhuma mudança drástica nas habili- dades exigidas após quase uma déca- da. ■ NOBEL DA ECONOMIA DIZ QUE IMPACTO DA IA NO EMPREGO É SUPERESTIMADO OMinistro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (17), em São Paulo, que o go- verno brasileiro estuda medidas de reciprocidade em relação à taxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil nesta quinta-feira (16). “Não cabe falar em retaliação, essa é uma palavra que está fora do nosso escopo. Com o que a gente trabalha: o Congresso Nacional aprovou por unani- midade uma lei que protege os interesses nacionais oferecendo umprocedimento próprio para ser utilizado em casos de ataque injustificado ou unilateral de outros países. Nós estamos tomando muito cuidado com isso e não é um cuidado em relação aos Estados Unidos, é em relação à nossa economia”, disse. Segundo Durigan, seu papel é o de garantir que a economia siga estável e numa boa trajetória. “Estamos avaliando [junto com os empresários] com cautela o processo de reciprocidade que o Congresso nos ofe- receu para que a gente leve ao presidente. Isso não está sendo feito de maneira açodada, portanto não cabe falar em retaliação e a reciprocidade tem sido avaliada para ser usada na medida e no tempo corre- to”. Segundo o ministro, a aplicação de tarifas de 25% feita pelo governo norte-americano é injusta e o go- verno brasileiro não vai deixar de negociar. “Em grande medida, como [o governo dos EUA] não tem um contra-argumento, nos parece que do ponto de vista econômico do debate, o Brasil tem razão. Então, como temos razão, a gente não pode baixar a cabeça. Temos que seguir fazendo um bom debate, um bom enfrentamento. Sob a própria lógica do governo dos Estados Unidos, a tarifa para o Brasil não faz sentido”. Durigan lembrou, durante a coletiva, que o Brasil tem déficit na balança comercial com os Estados Unidos. “Hoje, os brasileiros, as famílias, as empresas, pagam para os Estados Unidos, gerando déficit co- mercial para o Brasil e superávit para os norte-ame- ricanos”. Por outro lado, o ministro afirmou que o Brasil conseguiu consolidar sua economia, “o que nos dá condição de proteger a nossa população, como fizemos no caso dos combustíveis”. Para a imposição das novas tarifas, o ministro afirmou que o governo de Donald Trump desconsi- derou qualquer tipo de debate setorial e aplicou “uma espécie de punição geral ao Brasil”. Segundo ele, “tirou-se da cartola um outro fun- damento, que é o fundamento das práticas comerciais indevidas para se restituir uma tarifa sobre o Brasil. Mas essas práticas comerciais, os argumentos utilizados são falsos. Talvez eles estejam olhando para o governo anterior ainda quando falam sobre desmatamento e sobre outras coisas. É totalmente falso”. Durigan reforçou que já nesses próximos meses seguirá negociando comos representantes dos Estados Unidos. “O esforço não deixará de ser feito. Assim que tiver a oportunidade, eu vou levar essa insatisfação e nossos argumentos, com respeito, para dizer o quanto isso é prejudicial para a relação bilateral”. Pix Durgan também garantiu que o Pix não está em negociação. A ferramenta brasileira é considerada pelo governo norte-americano uma ameaça às relações comerciais com o Brasil. ■ DURIGAN Brasil não deixará de negociar tarifas impostas pelos EUA ● TECNOLOGIA V Foto/ José Cruz/Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 19 E 20 DE JULHO DE 2026
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