Diário do Amapá - 22/07/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 22 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA H á pesquisas que medem quase tudo. Quantos passos damos por dia. As horas dormimos. Quantas vezes desbloqueamos o celular. Agora medem o preço da amizade. E, curiosamente, ela saiu cara. Um estudo da KPMG revelou que mais da metade dos trabalhadores aceitaria ganhar 10% menos para trabalhar ao lado de um grande amigo. No Brasil, esse índice cai para 50%, mas continua sendo um retrato elo- quente: metade das pessoas trocaria dinheiro por companhia. À primeira vista, parece um gesto de romantismo corporativo. Mas basta atravessar a porta de qualquer escritório para descobrir que amizade no trabalho é uma palavra que exige rodapé. Porque existe o amigo de café, o amigo de corredor e existe uma espécie tipicamente na- cional: o colega que anda ao seu lado durante o expediente, sorri com todos os dentes disponíveis, concorda com cada frase que você diz e, na primeira reunião fechada, entrega um relatório oral sobre todos os seus defeitos ao chefe. É uma criatura curiosa. Não pratica a sinceri- dade porque ela exige coragem. Prefere a enge- nharia da insinuação. Não acusa; apenas "comenta". Não critica; apenas "ouve dizer". Não mente; apenas organiza os fatos de modo que a verdade saia algemada. Depois, quando a empresa resolve enxugar custos — expressão elegante para dizer que alguém perdeu o emprego —, esse mesmo per- sonagem aparece na rua com o semblante de viúva recente. — Poxa... que saudade da época em que você trabalhava lá... A frase chega com a delicadeza de quem leva flores ao enterro de alguém que ajudou a empurrar para dentro do caixão. Talvez seja por isso que a pesquisa brasileira marque apenas metade dos entrevistados. O bra- sileiro acredita na amizade, mas antes consulta o departamento de desconfiança. Afinal, apren- demos cedo que há colegas que dividem o café, mas não dividem o caráter. O ambiente de trabalho é uma espécie de la- boratório da condição humana. Nele convivem generosidade e vaidade, lealdade e competição, abraços e cotoveladas. É onde descobrimos que existem pessoas que ce- lebram o sucesso alheio como se fosse delas e outras que adoecem quando o colega recebe um elogio. Os filósofos antigos diziam que um amigo é aquele que deseja o nosso bemmesmo quando isso não lhe traz vantagem. As empresas, por sua vez, costumam chamar de "espírito de equipe" aquilo que deveria ser apenas educação. E talvez resida aí a confusão: amizade nunca foi política de recursos humanos. É um acidente feliz. Não nasce de dinâmicas motivacionais nem de camisetas iguais nas convenções. Surge quando duas pessoas descobrem que podem confiar uma na outra sem precisar consultar o organograma. Talvez a pesquisa tenha medido menos o valor da amizade e mais o custo da falsidade. Trabalhar entre amigos vale, sim, alguns pontos do salário. Trabalhar com gente que aperta sua mão e afia a faca custa muito mais. Esse preço não aparece no contracheque. Todo mundo que teve um falso colega sabe exatamente o preço. ■ O preço da amizade e o custo de um falso colega de serviço Os filósofos antigos diziam que um amigo é aquele que deseja o nosso bem mesmo quando isso não lhe traz vantagem. As empresas, por sua vez, costumam chamar de "espírito de equipe" aquilo que deveria ser apenas educação. E talvez resida aí a confusão: amizade nunca foi política de recursos humanos. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregoriojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia I niciei a leitura da Encíclica Magnifica Humanitas e, logo, parei e, diante da grandeza da Carta, decidi estudá-la minuciosamente. A Encíclica historia a Doutrina Social da Igreja desde Leão XIII, na Rerum Novarum de 1891, passeando pelo pensamento de cada Papa. Surpreendeu-me a citação de Bento XVI, tanto que tive que ler a "Caritas in veritate". A Magnifica Humanitas despertou-me diversas reflexões sobre o cristianismo primitivo, centro dos meus estudos nesse ano devido à pós-graduação em Patrística que estou fazendo. A começar pela prefe- rência de Jesus a destinar sua boa mensagem aos pobres (Lc 4,18). Mensagem que será ampliada pelos sucessores e dirigida aos ricos ava- rentos, Basílio chamará a esses de ladrões e assassinos, pois se podem fazer o bem e não o fazem, tornam-se réus diante de Deus; e Crisóstomo os inquirirá: já doou a metade de seus bens aos pobres necessitados? No meu artigo "Jesus cobrava 10%?" demons- trei que Jesus não cobrava, nem seus apóstolos, nem os sucessores até a Igreja de hoje. Os su- cessores ( ἀ ποστόλους, apostólus, emissários, enviados, inicialmente, eram chamados de "os Doze" (At 6,2), depois, recebeu o nome de Ma- gistério-. O "dízimo" era e é voluntário, quanto pode e quer. A cifra de 10% é uma invenção protestante (e evangélica). Ao morrer, Cristo rompe com a Antiga Aliança (Mt 27,51) e instaura a Nova Aliança, ou seja, todos os mandamentos do Antigo Testamento foram cancelados e pre- cisaram ser ratificados ou por Jesus ou pelo Magistério. E os 10% não foi confirmado! E uma falha grave dos protestantes originais é que ao serem contra a venda de Indulgências, eles estão defendendo os interesses dos bilionários daquela época, uma vez que as indulgências eram oferecidas a quem podia pagar muito caro - embora a graça de Deus seja gratuita, fé sem obras é morta, conforme Tiago (2,17)-. Em se- guida, os protestantes defendem os capitalistas e a cobrança de juros, contra o histórico dos cristãos e judeus. Obviamente, isso também não foi chancelado por Jesus. O Magistério consolida-se quando criam a função de diácono para servir (diaconin, διακονε ῖ ν) e o Magistério para ensinar, interpretar e preservar a revelação de forma autêntica, como registra Atos (6,7). Até Pedro teve que submeter sua teologia ao Magistério e convencer a todos (At 11,18): Deus também concedeu aos pagãos o arrependimento que conduz à vida! E, já no início da Igreja, os Atos (15,1ss) nos mostram heresias pregadas por alguns e impondo um fardo insuportável às Igrejas oriundas dos pagãos e como Paulo e Barnabé apresentam-se ao Magistério, realizaram um concílio e aboliram práticas judaicas. Junto com o Magistério, a Igreja consolida a Tradição e a Bíblia no quinto século, o período da Patrística, estabelecendo a liturgia e "os muitos outros sinais que Jesus fez na presença de seus discípulos e que não estão escritos neste livro" (Jo 20,30). E uma curiosidade: No archive.org, leio uma Bíblia Protestante (KJ) completa de 1.611 e descubro que só no século XIX retiraram os sete livros e que, hoje, en- ganam protestantes e evangélicos. ■ Reflexões acerca da Magnifica Humanitas E, já no início da Igreja, os Atos (15,1ss) nos mostram heresias pregadas por alguns e impondo um fardo insuportável às Igrejas oriundas dos pagãos e como Paulo e Barnabé apresentam-se ao Magistério, realizaram um concílio e aboliram práticas judaicas. MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior

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