Diário do Amapá - 24/07/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 24 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, convida o país a refletir sobre muito mais do que o afeto entre gerações. A data chega emummomento emque o Brasil envelhece de forma acelerada e emquemilhões de homens emulheres assumem um papel que vai muito além do carinho e dos conselhos. Eles sustentam famílias, criam netos, ajudam filhos adultos e, muitas vezes, tornam-se o principal esteio financeiro de seus lares. Os números ajudam a compreender essa transformação. O Censo Demográfico de 2022 aponta que o Brasil possui 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, o equivalente a 10,9% da população. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística tambémrevelou que a expectativa de vida ao nascer alcançou 76 anos, omaior índice da série histórica. Isso significa que o número de brasileiros que chegam à condição de avós cresce a cada ano. Não existe uma estatística oficial que informe quantos avôs e avós vivem atualmente no Brasil. Entretanto, com base na estrutura etária revelada pelo Censo, nos levantamentos da PNAD Contínua e nas características demográficas do país, especialistas estimam que entre 40 e 50 milhões de brasileiros já sejam avós, considerando homens e mulheres acima dos 50 anos que tiveramfilhos e netos. Tra- ta-se de uma parcela expressiva da população, presente em praticamente todos os municípios brasileiros. A imagem do avô aposentado sentado na varanda tornou-se exceção. Hoje, milhões continuamtrabalhando, administramempresas,mantêmatividades rurais, prestam serviços, empreendem e seguem contribuindo para a economia nacional. Muitos sequer conseguem desfrutar da aposentadoria porque ela representa a principal fonte de renda da família. Não são poucos os lares em que a aposentadoria do avô ou da avó paga o aluguel, compra alimentos, mantém crianças na escola e garante medicamentos para toda a casa. Emmuitas regiões, especialmente nas mais pobres, o benef ício previdenciário dos idosos impede que famílias inteiras mergulhem na extrema pobreza. Há, porém, uma realidademenos conhecida e bastante preocupante. Oaumento da violência patrimonial contra idosos transformou-se em um problema social. São fre- quentes os casos de aposentadorias desviadas, contas bancárias movimentadas sem autorização, cartões apro- priados por familiares ou cuidadores e empréstimos con- tratados em nome dos idosos sem pleno conhecimento deles. Em situações ainda mais delicadas, avôs e avós tor- nam-se reféns da própria generosidade. Muitos netos e até filhos adultos permanecem financeiramente depen- dentes por anos, acumulando despesas sobre quem já deveria viver uma fase de tranquilidade. O resultado são idosos endividados, comprometendo aposentadorias com empréstimos consignados e sacrificandoaprópriaqualidade de vida para atender às necessidades de terceiros. É preciso distinguir solidariedade de exploração. A ajuda entre gerações fortalece as famílias brasileiras, mas ela não pode transformar os idosos emfinanciadores per- manentes de filhos e netos. O respeito aos avós passa também pela preservação de sua autonomia financeira, de seu patrimônio e de sua dignidade. Ao mesmo tempo, é impossível ignorar a riqueza humana representada por essa geração. Os avós carregam experiências, memórias, ensinamentos e valores que nenhuma tecnologia consegue substituir. São testemunhas da história das famílias e, muitas vezes, os responsáveis por transmitir princípios de honestidade, trabalho, so- lidariedade e perseverança. Celebrar o Dia dos Avós significa reconhecer sua importância não apenas dentro de casa, mas também na construção da sociedade brasileira. Significa agradecer o amor, a dedicação e os sacrif ícios silenciosos que fizeram e continuam fazendo por filhos e netos. Significa, acima de tudo, garantir que envelhecer no Brasil seja sinônimo de respeito, proteção e reconhecimento, nunca de abandono, exploração ou ingratidão. Neste 26 de julho, a melhor homenagem talvez seja lembrar que quem passou a vida cuidando dos outros tambémmerece ser cuidado. Afinal, os avós não representam apenas o passado de uma família. Eles continuam sendo parte essencial de seu presente e de seu futuro. ■ Celebrar o Dia dos Avós significa reconhecer sua importância não apenas dentro de casa, mas também na construção da sociedade brasileira. Significa agradecer o amor, a dedicação e os sacrifícios silenciosos que fizeram e continuam fazendo por filhos e netos. O valor dos avós em um Brasil que envelhece GREGÓRIOJOSÉ E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia C aiu em minhas mãos uma interessante análise de outubro do ano passado sobre o chamado milagre educacional do estado doMississippi, Estados Unidos, feito pela Dra. Laurie Todd-Smith que foi professora de escola pública de ensino fundamental e pré-escola, tendo trabalhado em vários estados. O Mississippi, conhecido por ter quatro olhos (piada com os 4 is que em inglês têm a mesma pronuncia que "eyes", olhos) estava em último lugar, dentre os cinquenta estados, em quase todas as pontuações educacionais em 2012. Mais da metade dos alunos do terceiro ano não conseguia ler com proficiência. Em 2013, vejam e aprendam, os deputados dos dois partidos juntaram-se ao governador Phil Bryant que não apenas sancionou a Lei de Promoção Baseada em Alfabetização (Literacy-Based Promotion Act), mas defendeu-a com entusiasmo. A Lei exigiu que os professores usassem o ensino de Fonética (Phonics), um método de alfabetização em inglês que ensina a relação entre sons (fonemas) e letras (grafemas), permitindo a decodificação de palavras. Ele foca em ensinar os sons das letras e como combiná-los para ler, em vez de memorizar palavras inteiras, promovendo autonomia na leitura e escrita. Parece-se com o método que fui alfabetizado no final dos anos 1960. A Lei reconstruiu o sistema de alfabetização precoce a partir da sala de aula, exigindo que todo professor do jardim de infância do 3º ano (K-3) fosse recapacitado em instrução de leitura baseada em evidências por meio do treinamento LETRS (Language Essentials for Teachers of Reading and Spelling). A lei exigiu que treinadores de leitura fossem designados para os distritos com pior de- sempenho para modelar a instrução e fornecer ava- liação diária aos professores. Os programas de educação infantil foram ali- nhados com as metas do K-3, garantindo que as crianças chegassem ao jardim de infância prontas para aprender. Pela primeira vez, cada distrito usou a mesma ferramenta universal de triagem nos pri- meiros 30 dias do jardim de infância. Além disso, os alunos foram avaliados três vezes ao ano no jardim de infância, primeiro, segundo e terceiro anos, garantindo que conjuntos de dados comuns da triagem fossem usados para orientar decisões instrucionais. Quando uma criança não passava na avaliação do terceiro ano, o ano repetido era intencionalmente diferente. O leitor com dificuldade era colocado em uma experiência completamente diferente durante a repetição do terceiro ano. Os alunos repetentes eram co- locados com um professor altamente qualificado, recebiam 60 minutos diários de instrução intensiva de leitura em um grupo menor e seguiam um Plano de Leitura Individualizado desenvolvido em colaboração com a família. Essas intervenções não eram punições para as crianças, mas uma remedição focada projetada para mudar a trajetória da criança antes que o fracasso se tornasse permanente. O resultado foi que as notas de leitura do quarto ano na avaliação nacional melhorasse, saindo da 50ª posição para a nona em uma década. Em 2024, manteve as notas enquanto a média nacional caiu. ■ O leitor com dificuldade era colocado em uma experiência completamente diferente durante a repetição do terceiro ano. Os alunos repetentes eram colocados com um professor altamente qualificado, recebiam 60 minutos diários de instrução intensiva de leitura em um grupo menor e seguiam um Plano de Leitura Individualizado desenvolvido em colaboração com a família. O milagre educacional do Mississippi MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior

RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=