Diário do Amapá - 25/07/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 25 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA D urante décadas venderam aos jovens americanos uma promessa digna de comercial de margarina neoliberal: estudem, façam faculdade, aprendam mandarim, dominem tecnologia, trabalhem duro e o mercado lhes abrirá as portas do sucesso. Funcionou tão bem quanto aquelas dietas milagrosas anunciadas às duas da manhã. Agora a conta chegou. Uma pesquisa da Gallup revelou algo devastador para a maior economia do planeta: os jovens americanos estão mais pessimistas com o mercado de trabalho do que qualquer outra geração do país — e mais pessimistas do que jovens de quase todo o resto do mundo. Apenas 43% dos americanos entre 15 e 34 anos acreditam que este seja um bom momento para conseguir emprego. Entre os mais velhos, o índice sobe para 64%. Olha a ironia: justamente a geração criada dentro do culto à produtividade virou a geração que mais desconfia do próprio futuro. E talvez estejam certos. Porque o capitalismo contemporâneo conseguiu realizar um feito extraordinário: transformar qualificação em ansiedade permanente. O sujeito estuda até os 30 anos, faz pós-graduação, MBA, intercâmbio, curso de liderança, networking no LinkedIn e termina disputando vaga de estágio com inteligência artificial. O sonho americano virou um processo seletivo de sete etapas. Com vídeo de apresentação. Teste comportamental. Dinâmica em grupo. E salário emocional. O detalhe mais cruel da pesquisa é que o pessimismo cresce justamente entre os jovens mais escolarizados. Ou seja: quanto mais estudo, maior o medo. A universidade, que antes vendia ascensão social, hoje entrega boleto estu- dantil e crise de identidade profissional. A verdade é que omercadomudou semavisar ninguém. As empresas continuam exigindo experiência de quem acabou de sair da faculdade, enquanto substituem funções iniciais por algoritmos que não pedem férias, vale-refeição nem terapia. E aí nasce essa geração estranha: jovens hiperconectados, superqualificados e absolutamente inseguros. Nos anos 80, o medo era perder emprego para japone- ses. Nos anos 90, para chineses. Agora é para um robô simpático chamado “assistente virtual”. A pesquisa da Gallup mostra ainda que essa diferença geracional é praticamente uma anomalia global. Em quase todos os países, os jovens costumam ser mais otimistas que os mais velhos. Nos Estados Unidos aconteceu o con- trário. Talvez porque os mais velhos ainda tenham comprado casa antes da especulação imobiliária transformar aluguel em artigo de luxo. Talvez porque tenham entrado nomercado quando diploma ainda significava alguma garantia. Ou talvez porque estejam aposentados demais para perceber o incêndio. Enquanto isso, os jovens vivem o capitalismo do esgotamento: trabalham mais, ganham menos, alugam tudo e possuem quase nada. Nem o carro é deles. Nem a música. Nem o filme. Nem o software. Nem a casa. O sujeito agora assina a própria so- brevivência emmensalidades. O curioso é que Wall Street continua comemorando recordes, as big techs seguem bilionárias e os indicadores econômicos insistem em dizer que está tudo relativamente bem. Mas existe uma diferença brutal entre economia funcionando e população acreditando no futuro. O jovem americano está dizendo algo que governos, bancos e gurus corporativos fingem não ouvir: a sensação de estabilidade desapareceu. E quando uma geração inteira perde a confiança no amanhã, o problema deixa de ser econômico. Passa a ser civilizacional. Porque nenhuma sociedade permanece saudável quando seus jovens acreditam que trabalhar duro talvez não sirva mais para muita coisa. ■ O jovem americano está dizendo algo que governos, bancos e gurus corporativos &ngem não ouvir: a sensação de estabilidade desapareceu. E quando uma geração inteira perde a con&ança no amanhã, o problema deixa de ser econômico. Uma juventude que não acredita em nada, nem no futuro GREGÓRIOJOSÉ E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia A relação entre cristianismo e política é um tema que provoca debates acalorados, especialmente em tempos de polarização, como o que vivemos atualmente no Brasil. A presença de cristãos na esfera política não é novidade; desde a Antiguidade, figuras cristãs desempenharampapéis essenciais na formação de sociedades e na construção de sistemas políticos. No entanto, a forma como essa participação se dá e os desafios enfrentados são questões que merecem uma análise mais profunda. Nos últimos anos, o Brasil tem sido palco de uma intensa polarização política. De um lado, há os que defendemposições mais conservadoras, frequentemente associadas a valores cristãos, e, do outro, aqueles que se posicionam em favor de uma abordagem progressista, que muitas vezes se opõe a essas visões. Essa divisão não se limita apenas ao campo político, mas se estende a famílias, amizades e comunidades, tornando o diálogo quase impossível. Essa realidade apresenta alguns desafios. O primeiro deles é a tentação de reduzir a fé a ummero instrumento de busca do poder. Há o risco de que a mensagem cristã seja manipulada para justificar ações e políticas que, muitas vezes, estão em desacordo com os princípios que fundamentam os alicerces da fé cristã. A defesa de valores cristãos não deve se transformar em uma cruzada contra os que pensam diferente, mas sim em um convite ao diálogo e à compreensão. Além disso, a polarização política pode levar à desu- manização do “outro”. Em um ambiente onde se discute a política em termos de “nós contra eles”, os cristãos são chamados a lembrar do mandamento de amar o próximo. Essa é uma diretriz essencial que deve guiar a sua atuação política, evitando que a fé se torne um campo de batalha, onde as pessoas se digladiam para defender seus posicio- namentos a todo custo. Outro ponto preocupante é a instrumentalização da fé por partidos políticos.Muitos cristãos se sentempressionados a apoiar candidatos e movimentos que, nos períodos eleitorais se apresentam como defensores dos valores cristãos, mesmo não refletindo a totalidade do Evangelho. A escolha de um candidato deve ser baseada em prin- cípios éticos e morais, além dos parâmetros ideológicos, e não apenas na retórica que ressoa com contornos de fé. Assim como, é no mínimo incoerente um cristão apoiar candidatos que defendamprincípios e valores que divergem da sua fé. Diante desse cenário, muitos atores domundo político, utilizam-se de um falso conceito de laicidade, para apregoar o afastamento da comunidade cristã do processo político. Todavia, a liberdade religiosa, precisa ser respeitada como um direito fundamental, o que não significa a imposição de valores cristãos sobre a sociedade. Assim, é fundamental que os crisstãos abracem sua vocação política comhumildade, respeitando a diversidade de crenças e valores presentes na sociedade brasileira. A política deve ser um espaço de construção coletiva, onde diferentes vozes possam ser ouvidas. Os cristãos têm um papel importante nesse processo, por isso jamais devem ser alijados, como alguns querem. A participação cristã na política mundial tem trazido significativas contribuições. Em muitos países, líderes cristãos têm sido fundamentais na luta pelos direitos humanos, pela justiça social e pela promoção da paz. Um exemplo notável é o papel da Igreja na luta contra o apartheid na África do Sul. Líderes como Desmond Tutu utilizaram sua influência religiosa para unir pessoas em torno de uma causa maior, promovendo a reconciliação e a justiça. Esse exemplo mostra que a fé pode ser uma poderosa força para mudança social e política. Diante de todos esses desafios e oportunidades, é imperativo que os cristãos se engajem ativamente na política, não apenas como cidadãos, mas como agentes de transformação. A participação política deve ser entendida como uma extensão da vida cristã, onde os valores do Evangelho guiam as ações e decisões. Os cristãos são chamados a se inserir nas discussões políticas com integridade, buscando sempre o diálogo e a construção de pontes. A polarização deve ser enfrentada com amor, respeito e disposição para ouvir o outro. Portanto, é hora de os cristãos não apenas serem espectadores da vida pública, mas protagonistas na construção de uma sociedade mais justa e solidária. A fé não deve ser uma barreira, mas sim uma ponte que nos une na busca pelo bem comum de todas as pessoas. ■ Diante de todos esses desa&os e oportunidades, é imperativo que os cristãos se engajem ativamente na política, não apenas como cidadãos, mas como agentes de transformação. A participação política deve ser entendida como uma extensão da vida cristã, onde os valores do Evangelho guiam as ações e decisões. O CRISTÃO E A POLÍTICA: Desafios, Preocupações e Limites E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com Teólogo, pedagogo e advogado RODRIGO LIMA JUNIOR

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