Diário do Amapá - 30/07/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 30 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O brasileiro voltou a ocupar os aeroportos em ritmo acelerado. No primeiro semestre deste ano, mais de 64 milhões de passageiros embarcaram em voos pelo país. É um salto expressivo em relação ao mesmo período do ano passado, quando pouco mais de 52 milhões viajaram. O setor comemora. As companhias celebram. Os aeroportos festejam. Mas quem passa horas olhando para o painel de embarque piscando a palavra "atrasado" sabe que nem tudo é motivo para aplausos. O aumento da demanda veio acompanhado de um crescimento nada desprezível na quantidade de passageiros prejudicados por atrasos. Mais de 516 mil pessoas enfrentaram voos com demora superior a duas horas apenas nos seis primeiros meses de 2026. No ano anterior eram pouco mais de 443 mil. São mais de 73 mil brasileiros que descobriram, da pior maneira possível, que tempo também entra na bagagem, mas ninguém indeniza os minutos perdidos auto- maticamente. O número de passageiros afetados pelos atrasos saltou de quase 209 mil para 257 mil. Não se trata apenas de relógios marcando um horário diferente. Há reuniões perdidas, entrevistas de emprego que não aconteceram, consultas médicas canceladas, aniversários interrompidos e famílias esperando alguém que nunca chegou no horário combinado. Cancelamentos comunicados em cima da hora diminuiram. A redução merece registro, mas está longe de justificar comemoração. Afinal, quando mais de um milhão de pessoas ainda enfrentam esse problema, o avanço parece mais um passo tí- mido do que uma vitória. Os números mostram que os maiores aeroportos do país continuam concentrando boa parte dos transtornos. Guarulhos lidera a lista dos atrasos prolongados, seguido por Confins, Viracopos, Recife e Curitiba. Quem compra uma passagem aérea não adquire apenas um assento. Compra um compromisso. O horário estampado no bilhete não é um enfeite gráfico. É uma promessa. Quando essa promessa deixa de ser cumprida sem justificativa plausível, não basta distribuir pedidos de desculpas pelo sistema de som do aeroporto. O passageiro merece respeito, informação clara, assistência adequada e, quando houver responsabilidade da companhia, compensação pelos prejuízos sofridos. A legislação brasileira é bastante clara nesse aspecto. O crescimento da aviação brasileira é uma boa notícia para a economia, para o turismo e para os negócios. Mas esse avanço precisa ser medido também pela qualidade da experiência de quem embarca. No fim das contas, o consumidor continua sendo o elo mais frágil dessa viagem. Compra a passagem meses antes, chega ao aeroporto com antecedência, enfrenta filas, paga tarifas, reorganiza compromissos e, quando algo sai errado, ainda precisa correr atrás dos próprios direitos. Voar deveria significar ganhar tempo. Para muita gente, infelizmente, continua sendo apenas uma forma diferente de aprender a esperar. ■ Passageiro brasileiro voa mais, espera mais e continua pagando a conta O crescimento da aviação brasileira é uma boa notícia para a economia, para o turismo e para os negócios. Mas esse avanço precisa ser medido também pela qualidade da experiência de quem embarca. No fim das contas, o consumidor continua sendo o elo mais frágil dessa viagem. Compra a passagem meses antes, chega ao aeroporto com antecedência, enfrenta filas, paga tarifas. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO M arco Antonio Villa é um historiador aposentado da Universidade Federal de São Carlos, onde eu me formei, e comentarista político. Temos o noroeste paulista como local de nascimento, ele em Rio Preto e eu em Pindorama. Compartilhamos ainda a oposição a Lula desde 2.002 e a Bolsonaro (eu desde a pandemia). Para Villa, Bolsonaro é um traidor da Pátria e ummandrião (indivíduo não afeito ao trabalho). E mostra a agenda presidencial como prova irre- futável e os excessos recreativos pagos com cartão corporativo (R$ 29,6 milhões no ano passado). De fato, vejo o prefeito de São Sebastião, onde resido, trabalhar muito mais, recebendo a equipe de trabalho, vereadores e os cidadãos, visitando obras, empresas, igrejas, etc. Durante a pandemia, reuniões com comitê de crise para traçar estratégias e acompanhar os fatos. Um país gigante como o nosso, mesmo que eternamente em berço esplêndido, necessita de liderança que una governo e povo na mesma di- reção, ainda mais enfrentando crises econômicas, climáticas e pandêmicas. Ao invés de liderar e trabalhar cedo, tarde e noite, e fazer deste país, uma grande nação, passa o tempo preocupado em "lacrar" na internet. Ao menos, é o que apa- renta. Se o presidente tivesse uma agenda lotada de lideranças civis, industriais, agrícolas, comerciais, cientistas e tecnologistas, neste último ano de governo ele já saberia o que fazer para a Pátria. A começar por eleger as prioridades do Brasil. Vê-se, pelo corte do orçamento das cisternas do Nordeste, que o presidente não entendeu que água é a maior prioridade. De nada adianta a Transposição do Rio São Francisco sem um pro- grama sério de proteção das nascentes. Quantos bilhões de árvores o gabinete de crise planejou plantar? Ah, o presidente não criou um gabinete de crise, nem um plano de contingência... E nem sabe o que seja o rio aéreo do Brasil... A segunda prioridade deveria ser um conjunto de tecnologias de pontas, como a impressora 3D, que tem potencial gigantesco em todas as áreas produtivas e de bem-estar social e individual. É essa prioridade que traz à nação as necessidades de educação de boa qualidade visando a profis- sionalização e a cidadania e os empregos altamente qualificados e criativos e mais bem remunerados. E destes, as necessidades de energia, nutrição, saúde, segurança, recreação e turismo. Se os eventos climáticos extremos já mereciam um gabinete de crise, afinal, apesar de não termos vulcões, nem terremotos, temos secas per- sistentes, inundações, enchentes e deslizamentos, imagine agora com uma guerra na Europa que pode evoluir para uma guerra nuclear (não radiológica, como pensa o presidente)? Por exemplo, até quando a detentora do monopólio estatal do petróleo auferirá lucros astronômicos a um punhado de acionistas bancados pelos donos autênticos, o povo brasileiro? Por que não fixar o lucro e distribuir o excesso como redução de preço? Será que só o presidente não enxerga isso? E por que não estimular medidas de eficiência energética como os motores híbridos e elétricos? Esta é a hora para exigir dos candidatos um compromisso a essas prioridades. ■ A segunda prioridade deveria ser um conjunto de tecnologias de pontas, como a impressora 3D, que tem potencial gigantesco em todas as áreas produtivas e de bem-estar social e individual. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sêniordo INPE Prioridades para o Brasil MARIO EUGENIO

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