Diário do Amapá - 01/08/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 01 DE AGOSTO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA N esses últimos dias, um novo termo tem ganhado destaque nas redes sociais: "farmar aura". Trata-se de um fenômeno que se refere à busca incessante por "aura" ou prestígio nas plataformas digitais, onde likes, compartilhamentos e seguidores se tornaram medidas de valor social. Essa busca por validação externa não é uma novidade, mas a intensidade e a forma como semanifesta atualmente, especialmente entre adolescentes, trazemà tona importantes reflexões sobre o comportamento humano e os impactos na saúde mental. A expressão "farmar" em inglês significa cultivar ou produzir. Assim, "farmar aura" se relaciona à ideia de cultivar uma imagem idealizada de si mesmo nas redes sociais. Para muitos, isso se traduz emumesforço constante para criar uma persona que seja aprovada e admirada pelo público. A psiquiatria, ao analisar esse comportamento, aponta para uma série de fatores que podem explicar essa busca desenfreada por prestígio virtual. Um estudo realizado por Twenge et al. (2018) revela que o uso excessivo de redes sociais está associado a um aumento significativo em casos de depressão e ansiedade entre adolescentes. As plataformas digitais, ao proporcionar um espaço para a comparação social, intensificam sentimentos de inadequação e insegurança. Apossibilidade de receber feedback imediato e público torna-se um fator determinante para a autoestima, criando uma dependência emocional em relação aos likes e comentários. No Brasil, pesquisadores têm se debruçado sobre o tema. A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora de "Mentes Inquietas", aponta que o uso excessivo de redes sociais pode levar a alterações de humor e comportamentos compulsivos. A pesquisa conclui que 70% dos adolescentes que passam mais de três horas diárias em redes sociais relatam sintomas de ansiedade e depressão, corroborando as descobertas internacionais. Abusca por validação social é uma das razões psicológicas que fundamentam esse comportamento. Psiquiatras e psi- cólogos argumentam que essa necessidade faz parte da condição humana, pois, historicamente, a aceitação pelos pares sempre foi crucial para a sobrevivência, porém, o que está em curso na sociedade, transcende a tudo o que já foi experimentado pela humanidade. A validação social, tor- nou-se uma busca frenética, levando as pessoas a uma competição constante por aceitação nas plataformas digi- tais. Outro aspecto crítico é a ativação dopaminérgica. A performance digital voltada para a aprovação alheia funciona como um estímulo rápido de recompensa no cérebro, com- parável, de forma lúdica, ao mecanismo de uma droga. Cada notificação de like ou comentário positivo provoca uma liberação de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, criando um ciclo de dependência. Assim, quanto mais "aura" se busca, mais se torna necessário o retorno desse estímulo, exacerbando a necessidade de umconstante "farmar" de aprovação. O impacto na identidade também é significativo. Espe- cialistas em comportamento alertam sobre a substituição de vínculos reais e da autoimagemgenuína por uma persona voltada unicamente à espetacularização e contagem de "pontos" de popularidade. Em muitos casos, a construção da identidade se torna dependente da imagem que se projeta nas redes sociais, levando a uma desconexão com o eu verdadeiro. Esse cenário é ainda mais preocupante quando consideramos a teoria da "self-discre- pancy", proposta por Higgins (1987), que sugere que a discrepância entre o eu ideal (a imagemque alguémdeseja projetar) e o eu real (quem a pessoa realmente é) pode levar a sentimentos de insatisfação e culpa. Com a pressão social para se apresentar de forma "perfeita" nas redes, muitos acabam distorcendo a realidade, criando uma versão de si mesmos que pode ser insustentável a longo prazo. Segundo um estudo da American Psychological Association (APA, 2021), a busca por validação nas redes sociais está associada a um aumento de sintomas de burnout e estresse crônico, uma vez que o indivíduo se vê constantemente na obrigação de manter uma imagem que pode não refletir suas verdadeiras emoções e vivências. Diante desse cenário, o que pode ser feito para mitigar os efeitos nocivos dessa cultura da validação? Primeiramente, é indispensável intensificar a educação sobre saúde mental nas escolas. Além, da criação de uma rede de apoio psicológico, para aqueles que se sentem sobrecarregados por essa pressão. A terapia pode ajudar a desenvolver uma autoimagem mais saudável e realista, proporcionando ferramentas para lidar com a ansiedade e a insegurança. Por fim, cabe a todos nós, criar um ambiente onde a verdadeira conexão e a saúde mental sejampriorizadas, promovendo umespaço onde ser autêntico sejamais valorizado do que simplesmente "farmar" a próxima aurora virtual. ■ Diante desse cenário, o que pode ser feito para mitigar os efeitos nocivos dessa cultura da validação? Primeiramente, é indispensável intensificar a educação sobre saúde mental nas escolas. Além, da criação de uma rede de apoio psicológico, para aqueles que se sentem sobrecarregados por essa pressão. Farmar aura: com a palavra a psiquiatria E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com Teólogo, pedagogo e advogado RODRIGO LIMA JUNIOR O biometano possui características semelhantes às de uma commodity, mas ainda não tem produção, nem ampla comercialização. No início de agosto, em minha carta eletrônica (e- mail) para quase 4 mil parlamentares brasileiros (senadores, deputados e vereadores) fiz a seguinte sugestão: Que tal, ao invés de gastar meio trilhão de reais em ter- melétricas a combustíveis fósseis, financiar termelétricas a biogás dos esgotos das cidades? São mais de 1.300 cidades com mais de 50 mil habitantes. Seria um bom negócio para as cidades, o meio ambiente e um exemplo para a COP-30. Por que isso importa? Oras, bolas! Se espoliarão o povo brasileiro con- sumidor de energia, que se utilize essa fortuna em algo que tenha futuro promissor e não em uma tecnologia moribunda e poluidora. Sugeri o trata- mento do esgoto, mas há o biogás gerado de lixo também, que, aliás, é um problema, pois o gás metano provoca o efeito estufa que, como sabemos, é 28 vezes mais danoso que o gás carbônico, é gerado nos lixões e escapa para a atmosfera. Curiosamente, três quartos das emissões de gás metano do Brasil estavam ligados à produção de gado de corte e leiteiro, foram 14,5 milhões de to- neladas do total de emissões em 2023, o equivalente a 406 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente, de acordo com um estudo di- vulgado pelo Observatório do Clima em 27 de agosto. E as emissões brasileiras do metano au- mentaram 6% entre 2020 e 2023. Esse é um problema que exige pesquisa científica e tecnológica. Uma pequena parte daquele meio trilhão poderia financiar os cientistas As iniciativas privadas já farão do Brasil o 5º maior produtor de gás renovável até 2030. O bio- metano pode ser produzido com resíduos da fa- bricação de açúcar e álcool e da criação de porcos e aves. Segundo a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), a capacidade instalada de produção na- cional de biometano está pouco acima de 800 mil metros cúbicos (m3) por dia, com 12 usinas. Em 2032, deverá chegar a 8 milhões m3/dia. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) registra uma produção atual de 470 mil m3/dia e estima que, em 2029, o país terá 93 usinas de biometano. O biometano é uma grande oportunidade para o agronegócio porque todas as atividades agrícolas produzem resíduos que podem ser utilizados. E a Abiogás estima que a produção de biometano pode chegar a 120 milhões de m3/dia, cerca do dobro da demanda por gás natural no país, se- gundo a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). Estima-se que 56% virá da produção de açúcar e álcool, 38% da pecuária e 6% do aproveitamento do lixo urbano. Diversas empresas estão tomando iniciativa de investimento na área, bem como alguns estados, como o de São Paulo que firmou parceria com a World Biogas Association (WBA) para a implementação de um conjunto de políticas, regulamentações e padrões necessários para acelerar o desen- volvimento da indústria do biogás e com isso impulsionar políticas públicas e iniciativas que ampliem a produção e o uso do biogás e do biometano, criando novas oportunidades de negócios e geração de emprego e renda. ■ Biometano será comodity O biometano é uma grande oportunidade para o agronegócio porque todas as atividades agrícolas produzem resíduos que podem ser utilizados. E a Abiogás estima que a produção de biometano pode chegar a 120 milhões de m3/dia, cerca do dobro da demanda por gás natural no país, segundo a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). E-mail: gregoriojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia MARIOEUGENIOSATURNO
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