Diário do Amapá - 02 e 03/08/2026
ENTREVISTA PESQUISADORA | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 02 E 03 DE AGOSTO DE 2026 14 V DA/ Divulgação Especialista Carla Branco explica ao jornal Diário do Amapá como a atualização da NR-1 torna obrigatória a identificação dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho e reforça o papel das lideranças na prevenção de doenças mentais. D iário do Amapá - Professora, Como a atualiza- ção da NR-1 está transformando a gestão de pessoas nas empresas? Carla Branco - Embora a NR-1 já previsse, desde sua origem, preocupações com aspectos psicossociais, esses riscos não apare- ciam de forma tão explícita quanto os riscos f ísicos e de seguran- ça. Em setores como o de óleo e gás, a atenção sempre esteve vol- tada para acidentes, ergonomia e segurança operacional. Com o aumento dos casos de adoecimento mental relacionados ao traba- lho, a norma passou a exigir que as empresas identifiquem, ava- liem e apresentem os riscos psicossociais existentes em seus am- bientes. Isso significa reconhecer fatores como sobrecarga de tra- balho, jornadas excessivas, isolamento, confinamento, assédio moral e outras situações que podem comprometer a saúde mental dos trabalhadores. Agora, as organizações precisam assumir essa responsabilidade de forma mais clara e demonstrar como preten- dem reduzir esses riscos. Diário - O que é exatamente o inventário de riscos psi- cossociais previsto pela norma? Carla - Trata-se de um levantamento que passa a integrar o in- ventário de riscos ocupacionais das empresas. Antes, praticamen- te não se falava em ambiente tóxico, lideranças inadequadas ou si- tuações que provocassem medo, insegurança ou sofrimento psi- cológico. Agora esses fatores precisam ser analisados. O Ministé- rio do Trabalho recomenda que os colaboradores sejam ouvidos de forma anônima para que os riscos reais apareçam, já que difi- cilmente uma empresa reconhecerá espontaneamente problemas como sobrecarga, assédio ou ambientes psicologicamente insegu- ros. Muitas organizações estão recorrendo a consultorias especia- lizadas para fazer esse mapeamento, justamente porque o tema envolve subjetividade e exige uma análise técnica cuidadosa. Diário - Como criar canais de escuta para que os tra- balhadores se sintam seguros em relatar esses pro- blemas? Carla - PEsse é um dos maiores desafios. As empresas precisam construir ambientes em que as pessoas realmente confiem para relatar dificuldades sem medo de represálias. Muitas organizações já estão investindo em programas estruturados de escuta, mas isso exige uma mudança cultural. Ao mesmo tempo, também é importante que os próprios trabalhadores desenvolvam consciên- cia sobre seus limites, busquem ajuda quando necessário e enten- dam que cuidar da saúde mental não deve mais ser visto como si- nal de fraqueza. O crescimento da procura por terapia mostra que esse preconceito vem diminuindo, permitindo que as pessoas cui- dem tanto da mente quanto do corpo. Diário - A formação das lideranças também precisa mudar? Carla - Sem dúvida. Grande parte das transformações começa pelas lideranças. Hoje já existem muitas empresas investindo na formação de gestores para que compreendam que liderar não sig- nifica apenas cobrar resultados, mas também construir um am- biente psicologicamente seguro. O líder precisa saber se comuni- car, respeitar limites, evitar sobrecargas e criar relações de con- fiança com sua equipe. Além disso, ele próprio precisa cuidar da própria saúde mental, porque ninguém consegue oferecer equilí- brio aos outros sem também se cuidar. Outro fator importante é que as novas gerações já estão cobrando esse novo perfil de lide- rança e muitas pessoas jovens não aceitam assumir cargos de ges- tão se isso significar jornadas excessivas e relações de trabalho adoecedoras. Diário - Depois de identificar os riscos psicossociais, o que a empresa deve fazer? Carla - O inventário é apenas o começo. A legislação exige que ele seja acompanhado de um plano de ação. Se forem identifica- dos padrões de sobrecarga, discriminação, exclusão de determina- dos grupos, excesso de horas extras, casos de burnout ou qual- quer outro fator de risco, a empresa deve adotar medidas concre- tas para corrigir esses problemas. É preciso criar canais perma- nentes de escuta, oferecer apoio aos trabalhadores e promover mudanças reais na organização do trabalho. Não basta reconhecer os riscos; é necessário agir para que eles deixem de existir e cons- truir uma cultura que valorize efetivamente a saúde mental das pessoas. Diário - Obrigado por sua participação no quadro Co- nexão Margem Equatorial. Carla - Eu que agradeço e fico totalmente à disposição para aju- dar a todos. ■ Edição: CLEBER BARBOSA Texto: Solange Engelmann/MST PERFIL Carla Branco reúne as atuações como professora, psicóloga e mentora corresponde à profissional atuante noRio de Janeiro, comforte presença no ensino executivo e na psicologia clínica/ organizacional. Atuação Acadêmica e Docência - Instituições: Leciona como professora em grandes centros de excelência, incluindo o Ibmec, a FGV Educação Executiva e o IAG PUC-Rio. Formação: É psicóloga de formação e Doutoranda em Psicanálise, Saúde e Sociedade. Atuação Profissional e Clínico- Organizacional Psicologia Clínica: - Realiza atendimentos psicoterapêuticos voltados para a saúde mental, o fortalecimento de vínculos e o desenvolvimento pessoal. - Seu consultório físico localiza-se no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Psicologia Organizacional: - Atua como consultora em Saúde Mental Corporativa, com foco na Gestão de Riscos Psicossociais nas empresas, desenvolvimento de pessoas e aplicação da Terapia Cognitivo- Comportamental (TCC) no ambiente corporativo Multidisciplinaridade: - Além de psicóloga e professora, trabalha ativamente como mentora e tradutora. Carla Branco ■ Professora, psicóloga e consultora Carla Branco fala à Márcia Andreia Almeida na Rádio Diário FM. Saúde mental integra gestão de riscos no mercado de petróleo
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