Diário do Amapá - 04/08/2026
A provado recentemente pelo Con- selho Nacional de Política Ener- gética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32), que entrou em vigor neste sábado (1º), rea- cendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consu- midores como para o funcionamento dos veículos. Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira. Já a União da Indústria de Cana- de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor. MPF De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) “não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos”. Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados. Os procuradores argumentam, ain- da, que os estudos usados foram ela- borados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32. Por fim, o MPF argumenta que fal- tam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica inde- pendente. Unica Para a União da Indústria de Cana- de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o au- mento do percentual de etanol na ga- solina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina. Além disso, acrescenta a Unica, “não há evidências, nos resultados ob- tidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32”. A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e reali- zados pelo InstitutoMauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fa- bricados entre 1994 e 2024. “Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32”, acrescentou ao destacar que não foram identificados “impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibili- dade, partidas a frio ou funcionamento dos motores”. Além dos aspectos técnicos, a enti- dade sustenta que o aumento da parti- cipação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada. A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses. ■ AUMENTO DE ETANOL NA GASOLINA DIVIDE OPINIÕES SOBRE IMPACTO EM CARROS DESGASTES V Foto/ Rovena Rosa/Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 TERÇA-FEIRA | 04 DE AGOSTO DE 2026
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