Diário do Amapá - 09 e 10/08/2026

ENTREVISTA PESQUISADOR | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 09 E 10 DE AGOSTO DE 2026 14 Country Manager da TGS Brasil, João Corrêa destaca dados geofísicos que ajudam a reduzir riscos exploratórios, produzir conhecimento sobre biodiversidade e ampliar a participação das comunidades locais na Costa do Amapá. D iário doAmapá - ATGS ocupa umdos primeiros elos da cadeia de óleo e gás pormeio da pesquisa sísmica. Como esse trabalho pode avançar aten- dendo às exigências ambientais atualmente? João Corrêa - Aquestão ambiental é fundamental e precisa cami- nhar junto coma atividade. A indústria de óleo e gás vive uma atenção especial tambémpor causa da transformação energética, então existe uma responsabilidademuito grande sobre tudo o que fazemos. A sísmi- ca é o primeiro elo da cadeia de exploração e produção. Nós somos pra- ticamente o cartão de visita da indústria, os primeiros a chegar às re- giões que poderão ser exploradas. Eu venho falando daMargemEqua- torial desde 2014, quando fizemos os primeiros projetos 2Dna Bacia Pará-Maranhão. Depois avançamos peloAmapá, águas profundas e Rio Grande doNorte, cobrindo amargemcontinental brasileira comesses dados. Desde 2019, avançamos tambémcomdados 3D, que sãomais precisos e permitemuma visualizaçãomelhor da subsuperfície, redu- zindo o risco geológico. Aomesmo tempo, precisamos produzir infor- mação ambiental para que o órgão licenciador tenha os elementos ne- cessários para tomar suas decisões. Tambémexiste a dimensão social. Precisamos levar informação para a sociedade, dialogar comas comuni- dades e elevar o nível desse debate. Aexploração dessas novas fronteiras está relacionada inclusive à soberania nacional. Diário - AMarinha reconheceu a contribuição dos dados da TGS para a expansão da plataforma continental. Qual é a importância para a soberania e natureza? João - A sísmica temuma contribuiçãomuito importante para a so- berania. Costumo explicar que ela funciona como uma espécie de ra- diografia da subsuperf ície. Conseguimos visualizar como as camadas geológicas estão dispostas e identificar regiões compotencial para acumulação de hidrocarbonetos. Isso não significa afirmar que existe petróleo naquele local, porque somente a perfuração pode confirmar. Mas os dados reduzemo risco geológico. Existe também a soberania territorial. Dados nossos foramutilizados pelaMarinha e contribuí- rampara integrar ao território nacional uma região de aproximada- mente 360mil quilômetros quadrados naMargemEquatorial. Quan- do o Brasil incorpora essas áreas, recebe não apenas benef ícios, mas também responsabilidades de preservação. Por isso, os levantamentos sísmicos possuem condicionantes do Ibama que exigempesquisas ambientais. Já foram investidas dezenas de milhões de dólares empes- quisas ambientais naMargemEquatorial e tambémna Bacia de Pelo- tas. É uma quantidade muito grande de conhecimento produzido so- bre biodiversidade. Diário - Como fazer para que eventual riqueza gerada pela exploração gere oportunidades para quemvive lá? João - Esse trabalho precisa começar antes da produção. Desde quando comecei a atuar na região, procurei as federações das indús- trias do Pará e doMaranhão justamente para despertar essa discussão e ajudar na preparação das populações locais. Se não houver investi- mento em capacitação e preparação, quando as oportunidades chega- rem elas poderão acabar sendo ocupadas principalmente por profis- sionais que já estão no Rio de Janeiro, emSão Paulo ou emoutras re- giões onde a indústria de petróleo está consolidada. É fundamental preparar as pessoas que vivemna região para absorver essas deman- das. Ainda estamos falando de uma possibilidade, mas ela se torna cada vez mais concreta à medida que conseguimos obter imagens me- lhores da subsuperf ície e observamos as descobertas que vêm aconte- cendo na Guiana e tambémdo outro lado do Atlântico, na África. O Brasil precisa continuar explorando e revelando novas reservas para preservar sua segurança energética no futuro. Diário - Um dos projetos ambientais desenvolvidos nesse processo é o Projeto Peixe-Boi. Como ele sur- giu e qual é sua importância? João - Nasceu a partir de uma obrigação relacionada ao licencia- mento, dentro do trabalho de monitoramento de praias. Temos mui- tas pessoas fazendomonitoramento diário em áreas daMargem Equatorial e tambémprecisamos criar estruturas para estabilização e reintrodução de animais na natureza. Na Ilha doMarajó, emSoure, desenvolvemos uma estrutura inicialmente voltada à estabilização de animais. O trabalho foi reconhecido pelo Ibama como ummodelo e surgiu a proposta de transformar aquele espaço emum recinto de aclimatação do peixe-boi. Isso é muito importante porque muitos des- ses animais são órfãos, frequentemente filhos de mães que foram ca- çadas, e não tiveramum adulto para ensiná-los a sobreviver na nature- za. Antes da reintrodução, eles precisampassar por umprocesso de adaptação. O recinto foi concluído comparticipação das comunidades locais e o trabalho acabou se transformando emumprojeto de preser- vação do peixe-boi no Pará e, posteriormente, no Plano Nacional de Preservação do Peixe-Boi. Para mim, é motivo de muito orgulho, prin- cipalmente porque aproximou o projeto das comunidades. ■ Edição: CLEBER BARBOSA Texto: Márcia Andrea Almeida V DA/ Breno Barbosa PERFIL Oexecutivo é uma das principais lideranças do setorde geofísica marinha e exploração de energia noBrasil, atuando como principal elo da multinacional norueguesaTGS no país. Cargos atuais - Country Manager & Global Account Manager na TGS do Brasil: Lidera as operações da empresa no país e acumula a função global de gerenciar contas estratégicas, conduzindo a parceria e interface técnica diretamente com a Petrobras. - Co-Líder do Comitê de Licenciamento Ambiental na Amcham-Brasil: Atua ativamente no Rio de Janeiro na discussão e aprimoramento de políticas regulatórias de meio ambiente voltadas à indústria. Experiência Profissional Anterior - Country Manager & Representante Legal na Spectrum Geo (2014–2025): Atuou por mais de 11 anos gerenciando as operações e a aquisição de dados sísmicos Multi- Client e offshore da companhia no mercado brasileiro, antes de migrar integralmente para a estrutura da TGS. - Diretor na Amcham Brasil (Regional RJ/ES, 2019–2025): Exerceu cargo de liderança e diretoria na Câmara Americana de Comércio. Áreas de especialização: - Pesquisa Sísmica e Novas Fronteiras: Coordena as campanhas de mapeamento geofísico e aquisição de dados em grandes hotspots regulatórios e exploratórios do Brasil, com forte protagonismo nos projetos da Margem Equatorial. João Corrêa ■ João Corrê fala à MárciaAndreia na Rádio Diário FM, no quadro ConexãoMargemEquatorial Pesquisa sísmica alia tecnologia, proteção ambiental e soberania.

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