Diário do Amapá - 12/08/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 12 DE AGOSTO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA N o primeiro escrito cristão, Paulo suplica que aprendam sempre mais (1Ts 4,1) e a amar (ágape) mais e mais (1Ts 4,9-10). Sua Bíblia não diz, mas o original fala em andar, o que faz sentido, já que não existia o conceito de Cristianismo, mas do "Caminho". Para compreender a Bíblia, devemos estuda-la utilizando todo o ferramental disponível. Em artigo anterior, apresentei as descobertas em Nuzi (Mesopotâmia) e Elefantina (Egito) que o doutor biblista Padre Raymond E. Brown apresenta no livro "Recent discoveries and the Biblical world", que mostram que as práticas estranhas de Abraão eram comuns naquela re- gião. O conhecimento da Bíblia cresceu com as descobertas de escritos, como cópias mais antigas de livros bíblicos (como os Manuscritos do Mar Morto e os Papiros Bodmer) ou de obras "bíblicas" que não foram aceitas no cânon sagrado (como os de Nag Hammadi). Essas descobertas mostram como os povos bíblicos viviam, as línguas e estilos de escrita usados, como em Ebla, Ugarit, Mari e Nuzi. Im- périos, povos e cidades antes pouco conhecidos deixaram registros, como os hititas, hurritas e as cartas de Amarna, preenchendo o pano de fundo da história bíblica. Uma descoberta recente revelou um impor- tante centro do terceiro milênio na Síria (localizado entre Hama e Aleppo), mais próximo geográfica e linguisticamente de Canaã do que as civilizações suméria, acadiana e egípcia conhecidas até então. As línguas semíticas são frequentemente divididas em nordeste-semíticas (acadiano, assírio, babi- lônico) e sudeste-semíticas (arábico do sul, etió- pico), em contraste com as noroeste-semíticas (amorita, cananeia, aramaico) e sudoeste-semíticas (arábico). Dentro do ramo cananeu, incluem-se o ugarítico, o hebraico e o fenício. Uma equipe arqueológica italiana da Univer- sidade de Roma escava Tell Mardikh (a antiga Ebla), uma cidade que supostamente tinha 250 mil habitantes e foi destruída por Naram-Sin da Acádia, um governante já conhecido por desco- bertas. Entre 1974 e 1976, os arquivos de Ebla foram divulgados, uma descoberta impressionante mesopotâmicas de mais de 16.500 itens catalo- gados, datados de 2400 a 2250 a.C. Cerca de 80% das tabuinhas estão em sumério (uma língua não semítica), enquanto 20% estão em uma língua semítica (que foi chamada de eblaíta), aparentemente do mesmo ramo noroeste- semítico que o hebraico. Mais de 10.000 nomes aparecem nessas tabuinhas (em sua maioria documentos comerciais), e alguns eram somente encontrados na Bíblia, como Adão, Eva, Jabal, Noé, Hagar, Bila, Miguel e Israel. Aparecem também palavras raras no hebraico, cerca de 1.700 palavras que aparecem apenas uma vez nos textos hebraicos anteriores a 70 d.C.. O emprego dessas palavras dão novos significados sobre as passagens bíblicas. É importante lembrar que a poesia, incluindo a hebraica, frequentemente preserva vocabulário e sintaxe arcaicos. Assim, documentos em uma língua semítica relacionada, mesmo escritos 1.500 anos antes do texto bíblico, podem esclarecer fenômenos linguísticos esquecidos em períodos posteriores. Seguiremos aprendendo mais e mais. ■ Cerca de 80% das tabuinhas estão em sumério (uma língua não semítica), enquanto 20% estão em uma língua semítica (que foi chamada de eblaíta), aparentemente do mesmo ramo noroeste- semítico que o hebraico. Outras descobertas bíblicas E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO V eio o calendário e trouxe consigo mais um 13 de maio, data que, no longínquo ano de 1888, viu sua Majestade Imperial, a princesa regente, assinar a chamada Lei Áurea — documento curto, de dois artigos apenas, tão breve quanto tardio. Aboliu-se, assim, com caneta régia, a escravidão no Brasil. E, no entanto, esta pena leve como a pluma não levou junto os grilhões sociais, os açoites da desigualdade, nem tampouco o preconceito que se esconde nos salões, nos gabinetes e até nas esquinas mais modernas desta República. De minha parte, que sou pardo, mestiço, e também cronista de minha época, observo com olhos além de uma visão míope as peripécias de uma nação que se diz avançada, mas que ainda guarda em sua alma os calos da senzala. Que se fez do 13 de maio? Uma data sem festa? Uma efeméride sem efeito? Concedeu-se a liberdade, mas não o pão. Li- bertaram-se os corpos, mas deixaram-se os es- píritos acorrentados à pobreza, à ignorância im- posta, ao esquecimento cínico. Hoje, em 2025, celebramos 137 anos da abo- lição. E onde estão os frutos dessa árvore que ju- raram plantar? Temos sim conquistas — e não devemos negá- las. Há pretos doutores, professores, juízes, de- putados. Há movimentos organizados, arte pul- sante, vozes que já não se calam. As cotas, tão combatidas pelos senhores de fala branca, trou- xeram à universidade rostos que antes só entravam pela porta de serviço. Mas também há os pires. Os mesmos pires. Estendidos nas esquinas, nos olhos cansados de uma faxineira que não sabe o nome de Machado, mas carrega sua sabedoria na espinha. Ainda há aqueles que esperam a benevolência do Estado, ou a esmola moral da elite, como se cidadania fosse prêmio e não direito. E por quê? Porque não houve reparação. Porque a abolição não veio com terra, escola ou moradia. Porque os que lucraram com a escravidão nunca pagaram o preço do crime. Porque a cor da pele ainda pesa mais que o mérito, e porque a memória nacional se faz, muitas vezes, com borracha em vez de tinta. É por isso que as cotas existem. Não como favor, mas como correção. Não como privilégio, mas como degrau. Quem clama contra elas, o faz porque teme dividir o que sempre considerou exclusivo. A verdadeira liberdade, senhores, não é o não ter dono. É o poder es- colher, decidir, ser visto como igual — no banco da escola, no concurso público, no crédito do banco, na polícia que não atira primeiro. E enquanto isso não se cumprir, o 13 de maio será apenas uma data no papel, sem alma, sem povo, sem verdade. O Brasil precisa, enfim, não de novas leis. Mas de novos olhares. Pois, como dizia este vosso cronista, “ao vencedor, as batatas”. Mas, convenhamos, depois de tanto tempo, era justo que o prato fosse mais bem servido. ■ A verdadeira liberdade, senhores, não é o não ter dono. É o poder escolher, decidir, ser visto como igual — no banco da escola, no concurso público, no crédito do banco, na polícia que não atira primeiro. E enquanto isso não se cumprir, o 13 de maio será apenas uma data no papel, sem alma, sem povo, sem verdade. Ecos de uma Lei, Silêncios de uma Nação E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO
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