Diário do Amapá - 18/08/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 18 DE AGOSTO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA E m artigo anterior (Santa Maria foi rebaixada?), abordei marginalmente a recolocação de Maria em seu lugar, corrigindo alguns exageros, depois de quase 30 anos de estudos. A Igreja está atenta aos erros que temos na Bíblia de hoje (Cristo lia um Antigo Testamento diferente). Por isso, quando leio uma passagem da Bíblia, confiro também no grego koiné, no latim da Vulgata e na Nova Vulgata, que corrigiu muitos erros em 1979. Lucas nos revela uma Maria muito diferenciada, uma menina que ouviu e cumpriu a palavra de Deus (Lc 8,21 e 11,27-28). Logo no primeiro capítulo, vemos dois anúncios paralelos de João Batista e Jesus que seguem outros três, Isaac (Gn 15), Sansão (Jz 13) e Samuel (1 Sm 1). A Saudação do Anjo Gabriel a Maria (Lc 1,26ss) deixa-a perturbada. Mas por que? O anjo disse: - Ave, cheia de graça! O Senhor está contigo! (em grego: Caire, kecaritomene, o Kyrios meta sou). A palavra "caire" era a saudação grega mais comum, "Ave", conforme o próprio Lucas usa nos Atos dos Apóstolos (15,23 e 23,26), mas alguns traduzem erradamente como "Ale- gra-te", nesse caso, precisaria estar acompanhado de outra palavra, como sfodra (exulta), por exemplo, (na Septuaginta) em Zacarias (9,9) e Sofonias (3,14-17). A Nota Doutrinal Mater Populi fidelis vem nos esclarecer, a palavra kecaritomene só é aplicada a Maria, ninguémmais, nem João Batista. A tradução correta é "muito favorecida", mas Jerônimo consolida a tradição "gratia plena", cheia de graça. Pelo tempo verbal, Maria foi agraciada por Deus antes da visita do anjo. E o Kyrios refere-se a Deus-Pai. Depois, Isabel dirá "mãe do meu Senhor", ou seja, Kyrios é Jesus, um indicativo da tese de eotokos (a que pariu Deus) séculos depois (MPf 38). O Senhor é contigo (o Kyrios meta sou) é uma frase comum no Antigo Testamento como a Gideão (Juízes 6,12). Não é uma referência a Jesus no ventre, a concepção só acontecerá depois do sim (Lc 1,38). Maria é a nova Filha de Sião que recebe e trans- mite a alegria da salvação (cf. Sf 3,14-17; Zc 9,9): "eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta" Nela se cumprem as promessas que fizeram saltar de alegria João Batista (cf. Lc 1,41). Uma curiosidade, em Jerusalém, os refugiados de Israel, em 721 a.C., ocupam a Colina de Sião, tendo pessoas de todas as tribos, Sião é uma amostra de Israel. No paralelo com Samuel, o cântico de Maria (Magnificat) em Lucas (1,46-55) ecoa o cântico de Ana em 1 Samuel (2,1-10), com temas semelhantes de exaltação dos humildes e queda dos poderosos. Ambas são descritas como "servas do Senhor" e demonstram fé e obediência à vontade de Deus. E ainda "crescia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens" (Lc 2,40, 2,52; 1 Sm 2,26). Vemos ainda que Maria é a Arca da Nova Aliança (paralelo de Lc 1 e 2Sm 6). Inspirada pelo Espírito Santo, Isabel eleva Maria em igualdade com Jesus: bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E que é honra receber a mãe do Senhor (meter tou Kyriou). Lucas ainda nos fala do nascimento, presépio, dos anjos e pastores et cetera. ■ Maria segundo Lucas E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior No paralelo com Samuel, o cântico de Maria (Magni4cat) em Lucas (1,46-55) ecoa o cântico de Ana em 1 Samuel (2,1-10), com temas semelhantes de exaltação dos humildes e queda dos poderosos. Ambas são descritas como "servas do Senhor" e demonstram fé e obediência à vontade de Deus. E ainda "crescia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens" (Lc 2,40, 2,52; 1 Sm 2,26). MARIO EUGENIO A O Brasil inventou uma nova modalidade de ginástica financeira. O cidadão entra no vermelho, aparece um programa para tirá-lo do vermelho, ele comemora, limpa o nome e, algum tempo depois, está novamente no vermelho. É quase uma corrida de obstáculos, só que ninguém recebe medalha e a linha de chegada parece ter sido instalada dentro de um banco. Os números de julho de 2026 são daqueles que deveriam provocar mais do que uma sobrancelha levantada. São 75,08 milhões de brasileiros inadimplentes, o equivalente a 44,75 por cento da população adulta. É praticamente metade do país adulto devendo alguma coisa a alguém. E aí vem a pergunta inconveniente. Para que servem tantos programas de recuperação de crédito, renegociação, descontos, campanhas de limpeza do nome e iniciativas para reabilitar o consumidor, se ele volta a ficar ina- dimplente logo depois? Não é preciso ser economista de gabinete para perceber que alguma coisa está errada. Em junho, 85,32 por cento das pessoas que entraram novamente na inadimplência já eram reincidentes. Mais grave ainda, 66,01 por cento desses reincidentes sequer haviam quitado pen- dências antigas quando foram negativados nova- mente. O indicador de recuperação de crédito até registrou crescimento, mas de apenas 3,78 por cento nos 12 meses encerrados em junho. Traduzindo para a língua das ruas, tira-se o sujeito da lista, mas não se tira o sujeito do pro- blema. E o problema não está apenas no consumidor que comprou mais do que podia. Está também em uma economia na qual o salário perde força, o crédito custa caro e a conta chega pontualmente, enquanto a renda parece estar sempre atrasada. Há ainda um dado que deveria constranger qualquer discurso triunfalista. Em julho, as dívidas em atraso cresceram 14,18 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior. As contas de água e luz subiram 22 por cento entre os setores credores. Quando o brasileiro começa a atrasar até aquilo que mantém a casa funcionando, não estamos diante de simples desorganização financeira. Estamos diante de orçamento familiar no li- mite. O curioso é que o Brasil se especializou em tratar a consequência e chamar isso de solução. Renegocia a dívida. Dá desconto. Limpa o nome. Faz campanha. Anuncia oportunidade. Depois espera. O cidadão volta ao supermercado, ao posto de gasolina, à farmácia, à escola, ao aluguel e à conta de energia. A matemática, essa senhora antipática que não aceita propaganda, continua lá. Eis o grande fracasso. Recuperar o crédito sem recuperar a capacidade de pagamento é apenas devolver ao cidadão a oportunidade de se endividar outra vez. O nome pode até sair do cadastro. Mas a conta continua chegando. ■ O nome limpa e a dívida volta O cidadão volta ao supermercado, ao posto de gasolina, à farmácia, à escola, ao aluguel e à conta de energia. A matemática, essa senhora antipática que não aceita propaganda, continua lá. Eis o grande fracasso. Recuperar o crédito sem recuperar a capacidade de pagamento é apenas devolver ao cidadão a oportunidade de se endividar outra vez. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br GREGÓRIOJ.L. SIMÃO Radialista e estudante de Filosofia
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