Diário do Amapá - 23 e 24/08/2026
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e represen- tantes do Ministério das Relações Exte- riores (MRE) deverão se reunir na próxima semana comoEscritório doRepresentante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para retomar as negociações comerciais entre os dois países. A reunião ainda terá a data acertada pelas equipes dos dois governos. OMdic confirmou ter recebido contato do re- presentante comercial dos EstadosUnidos, Jamieson Greer, depois da conversa tele- fônica desta sexta-feira (21) entre o pre- sidente Luiz Inácio Lula da Silva e o pre- sidente estadunidense, Donald Trump. A retomada das tratativas abre um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington emmeio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasilei- ros. Ligação de Lula Lula telefonou para Trump namanhã desta sexta-feira. A conversa durou uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial. O presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das novas tarifas são infundadas. Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar asme- didas estão questões relacionadas a des- matamento, acordos preferenciais, pro- priedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado. Lula afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu o diálogo como caminho para preservar a relação comercial entre os dois países. Trump concordou coma necessidade de manter os vínculos comerciais e sina- lizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos. Novo canal A reunião deverá envolver Márcio Elias Rosa, integrantes do MRE e repre- sentantes do USTR. Em nota conjunta, o Mdic e o MRE consideram que a sina- lização dos dois presidentes cria uma nova oportunidade para a busca de uma solução negociada para o impasse co- mercial. Cooperação contra crime Além das tarifas, Lula e Trump dis- cutiramsegurança e cooperação no com- bate ao crime organizado. Opresidente brasileiro defendeu uma atuação conjunta dos dois países e afirmou que as organizações criminosas exercem pressão sobre populações vulneráveis, mas não devem ser equiparadas a orga- nizações terroristas. Lula também apresentou ações ado- tadas pelo Brasil para combater essas es- truturas, incluindo medidas de asfixia fi- nanceira, que resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões. Entre as iniciativas citadas estão a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, emManaus. Trump, segundo o Planalto, mani- festou disposição para ampliar a coope- ração e afirmou que indicará integrantes de alto escalão para dar continuidade às tratativas. Conflitos internacionais Os presidentes também trataramdas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Sobre o conflito entreRússia eUcrânia, os dois defenderama necessidade de uma solução negociada. Lula tambémcriticou a falta de atuação do Conselho de Segu- rança das Nações Unidas diante dos con- flitos internacionais. Opresidente brasileiro sugeriu a con- vocação de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplo- máticas. ■ MINISTROS DO BRASIL E EUA VÃO RETOMAR NEGOCIAÇÃO COMERCIAL Em um dia de alívio no mercado doméstico e externo, o dólar fechou no menor valor em pouco mais de 10 dias. A bolsa subiu quase 2% e encerrou a semana no campo positivo. Omovimento ocorreu emmeio ao enfraquecimento da moeda estadunidense no exterior, à expectativa em torno do cenário eleitoral brasileiro e ao maior apetite por ativos de risco. No mercado de petróleo, o barril do tipo Brent encerrou a sessão acima de US$ 94, pressionado pelas tensões no Oriente Médio. Principais números do mercado nesta sexta (21) Dólar comercial: R$ 5,142 (-1%); • Dólar na semana: -1,53%; • Ibovespa: 171.031,73 pontos (+1,85%); • Ibovespa na semana: +2,45%; • Brent: US$ 94,39 por barril • Brent na semana: +6,6% • Câmbio recua O dólar comercial à vista caiu 1% nesta sexta-feira, para R$ 5,142, após atingir R$ 5,13 por volta das 15h30. Foi o menor nível de fechamento desde 10 de agosto. Na semana, a moeda estadunidense acumulou queda de 1,53%. O resultado foi influenciado pelo comportamento do dólar no exterior, que chegou ao menor nível em três meses diante das expectativas relacionadas às ope- rações de recompra de títulos de longo prazo pelo Te- souro dos Estados Unidos. O índice DXY, que acompanha o dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, estava próximo dos 98,856 pontos no fim da tarde. Na semana, o indicador acumulou queda de cerca de 0,80%. A perspectiva de maior liquidez no mercado de tí- tulos públicos estadunidenses contribuiu para reduzir a pressão sobre o dólar e favoreceu divisas de países emergentes. O real esteve entre as moedas de melhor desempe- nho no dia, ao lado do peso chileno. O euro atingiu o maior valor desde maio, enquanto a libra esterlina al- cançou o maior nível desde fevereiro. Ibovespa sobe O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 1,85%, aos 171.031,73 pontos, e registrou a terceira alta consecutiva. O índice atingiu o maior nível desde 10 de agosto. ■ CÂMBIO Dólar cai a R$ 5,14 com alívio no mercado externo ● TRATATIVAS V Foto/ Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 23 E 24 DE AGOSTO DE 2026
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