Diário do Amapá - 26/08/2026
POLÍCIA | POLÍCIA | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 26 DE AGOSTO DE 2026 11 FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa O que parecia ser uma morte por disparo de arma de fogo teve uma reviravolta. A Polícia Científica concluiu que Wanderson dos Santos Froz, 29 anos de idade, natural de Viana, no Maranhão, mor- reu por asfixia mecânica após ser imobilizado, e não pelo tiro que levou na perna dentro de um atacarejo no São Lázaro, no último domingo, 23. O caso foi registrado em vídeos que circularam nas redes sociais. Nas imagens, Wanderson aparece sendo contido por um grupo de pessoas após ter, segundo a polícia, entrado em surto e quebrado objetos da loja. A dinâmica apurada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), até agora, é de que Wan- derson entrou no atacarejo em su- posto surto psicótico. Um homem que estava no local sacou uma arma e atirou, atingindo a perna dele. Já ferido, ele foi derrubado e imobilizado por funcionários no chão da loja. O Samu foi acionado, mas quando che- gou, Wanderson já estava sem vida. A perícia apontou que o ferimento do tiro não foi fatal. O que matou Wanderson foi a forma como ele foi contido — a asfixia por contenção. Agora a DHPP trabalha com duas linhas para identificar quem atirou. A suspeita é de que tenha sido um segurança do próprio atacarejo ou um policial que fazia compras no momento. O autor deixou o lugar antes da Polícia Militar chegar. O titular da unidade policial, de- legado Paulo Moraes, informou que o suposto atirador já foi identificado e tem até o dia de hoje para se apre- sentar na delegacia. “Todos que aparecem nos vídeos ajudando na imobilização também se- rão chamados para depor. O inquérito foi aberto como homicídio culposo — sem intenção de matar —mas a ti- pificação pode mudar”, disse. ■ E muma grande ofensiva contra o cri- me organizado, a Polícia Civil do Amapá, por meio da Delegacia Es- pecializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), deflagrou a Operação Midas Reverso. Aação resultou na prisão de oito pessoas — cinco mulheres e três homens — e revelou a estrutura altamente profis- sional de uma facção criminosa de alcance nacional que atuava no estado. Ao todo, 15 mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça. As investigações avançaram após a detenção em flagrante de um indivíduo de 23 anos no bairro Ipê, na zona norte de Macapá. Naquela ocasião, os agentes apreenderamporções de crack, umtablete de cocaína e armamento bélico, sendo dois fuzis de fabricação israelense (calibre .30), seis carregadores e uma quantidade expressiva de munições de grosso calibre. Após a autorizaçãodoPoder Judiciário para quebrar o sigilo e analisar os aparelhos celulares emídias eletrônicas do suspeito, a equipe da Denarc conseguiu mapear o organograma completo e a divisão de tarefas do grupo. De acordo com o inquérito policial, a organização operava de forma comparti- mentada para garantir a segurança das operações e do lucro ilícito. A polícia dividiu a atuação do grupo em quatro grandes frentes: Logística e refino: O jovem preso no bairro Ipê funcionava como o operador central da distribuição de crack e cocaína na capital. Ele também era o ‘guardião do paiol,’ responsável por armazenar as armas restritas, alémde realizar o refinoepreparo químico dos entorpecentes. Comando à distância: A liderança es- tadual da facção gerenciava o crime sem pisar no Amapá. Foragido da justiça, o chefe do esquema estava refugiado noRio de Janeiro. De lá, em conjunto com outro integrante da cúpula, ditava as rotas de fornecimento, os valores das cargas e as diretrizes de cobrança. Rede de distribuição: A polícia identi- ficou gerentes e operadores encarregados exclusivamente de abastecer as ‘bocas de fumo’ e pontos de venda em bairros es- tratégicos da capital amapaense, como Buritizal, Santa Rita, Novo Horizonte, Brasil Novo, Açaí e Jardim Felicidade. ■ POLÍCIA PRENDE OITO PESSOAS EM OPERAÇÃO CONTRA TRÁFICO, ARMAS E LAVAGEM DE DINHEIRO NO SÃO LÁZARO “MIDAS REVERSO” PERÍCIA REVELA QUE VÍTIMA DE ATACAREJO EM MACAPÁ MORREU POR ASFIXIA A Coordenadoria Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Ceccor) e a Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) deflagraram na manhã desta terça-feira, 25, a Operação Senhor das Armas, como objetivo de desmantelar uma complexa organização criminosa voltada ao desvio, adulteração, comerciali- zação e distribuição de armas de fogo emunições, alémde lavagem de capitais. Segundo informações, as in- vestigações revelaram que o es- quema funcionava como uma en- grenagem altamente estruturada e dividida em núcleos. A origem dos desvios contava com a parti- cipação direta de três servidores públicos, sendo dois policiais mi- litares e um agente de segurança. À época dos crimes, os três atua- vamcedidos aoTribunal de Justiça do Amapá, mas atualmente já não possuemmais qualquer vín- culo com o órgão. Como o grupo operava • Núcleo de desvio (A Fonte): O esquema era liderado por um tenente da Polícia Militar. Apro- veitando-se de sua função como encarregado da Sala do Armário Forte do Fórum de Macapá, ele desviava armas, munições e aces- sórios que estavam sob custódia judicial. • Logística e transporte: A função cabia ao agente de segu- rança. Ele era o responsável por dar baixa nos sistemas, retirar fi- sicamente as armas desviadas e transportá-las até as mãos do ar- meiro da quadrilha. Para dificultar o rastreamento, o agente exigia receber os pagamentos de sua parte estritamente em dinheiro vivo. • Oficina e adulteração: O principal braço comercial era co- mandado por um armeiro, que mantinha uma oficina clandestina. Ele recebia omaterial, consertava, adulterava as armas através de raspagem de numerações e ne- gociava o arsenal utilizando ca- tálogos fotográficos emaplicativos de mensagens. • Compradores e facções: O destino principal das armas eram integrantes e lideranças de uma violenta facção criminosa. As com- pras eram feitas em massa — in- clusive com ordens partindo de dentro do sistema penitenciário —para armarmembros da facção e promover a retomada de terri- tórios e conflitos urbanos. Inter- mediários autônomos também compravamas armas para reven- dê-las com alto lucro nas ruas. ■ OPERAÇÃO SENHOR DAS ARMAS ELEN COSTA DA REDAÇÃO Estrutura era liderado por tenente da PM que desviava armamento do Fórum de Macapá e envolvia outros dois servidores cedidos ao Tjap; Justiça bloqueou até R$ 26 milhões dos investigados POLÍCIA CIVIL DEFLAGRA AÇÃO CONTRA ESQUEMA MILIONÁRIO DE DESVIO DE ARMAS DA JUSTIÇA PARA FACÇÃO CRIMINOSA NO AMAPÁ
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