Diário do Amapá - 26/08/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 26 DE AGOSTO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA H á momentos em que a humanidade parece fazer um esforço deliberado para perder o juízo. Não se trata mais apenas de tecnologia, progresso oumodernidade. É outra coisa. É a dificuldade crescente de distinguir aquilo que é ferramenta daquilo que é vida, aquilo que é companhia daquilo que é apenas uma resposta programada numa tela. A notícia de pessoas criando vínculos amorosos com inteligências artificiais seria apenas uma excentricidade se não revelasse uma tristeza bastante real. No Japão, uma mulher chegou a realizar uma cerimônia sim- bólica de casamento com uma persona criada no ChatGPT. Houve votos, aliança e cerimônia. Omarido, evidentemente, continuava existindo apenas na tela. Omais curioso é que a própria política começou a reagir ao absurdo. Nos Estados Unidos, pelo menos quatro estados, Idaho, Dakota do Norte, Utah e Tennessee, aprovarammedidas para impedir que sistemas de inteligência artificial sejam tratados juridicamente como parceiros matrimoniais. A preocupação faz parte de uma onda maior de re- gulamentação dos chamados chatbots de compa- nhia. É uma situação quase cômica. O homem in- ventou a máquina e agora precisa criar leis para explicar que a máquina não é gente. Já houve quemdeclarasse amor a animais, per- sonagens fictícios, objetos e até árvores. O ser hu- mano sempre teve essa capacidade extraordinária de projetar sentimentos sobre aquilo que encontra pelo caminho. Mas a inteligência artificial acrescenta uma diferença inquietante. A árvore não responde. Ocachorro não simula uma declaração apaixonada. A máquina responde, consola, elogia, concorda e aprende a reproduzir o tipo de conversa que prende seu interlocutor. É aí que a brincadeira deixa de ser engraçada. A tecnologia não inventou a solidão. Apenas descobriu que ela pode ser um excelente mercado. Em vez de enfrentar a dificuldade de conviver com pessoas imperfeitas, há quem prefira uma companhia que não envelhece, não reclama, não abandona e, sobretudo, pode ser ajustada às próprias ne- cessidades. Isso não é exatamente amor. É uma versão conveniente da intimidade. Oproblema não é conversar comuma inteligência artificial. Oproblema começa quando o indivíduo passa a preferir a criatura programada ao mundo real, justamente porque o mundo real oferece aquilo que nenhuma máquina consegue garantir a contrariedade, a rejeição, a surpresa, o conflito e a liberdade. Talvez a grande maluquice do nosso tempo não seja a máquina parecer humana. E sim o homem começar a achar que isso é suficiente. ■ Solidão leva ser humano a se casar commáquinas O problema não é conversar com uma inteligência artificial. O problema começa quando o indivíduo passa a preferir a criatura programada ao mundo real, justamente porque o mundo real oferece aquilo que nenhuma máquina consegue garantir a contrariedade, a rejeição, a surpresa, o conflito e a liberdade. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia D ias atrás, a Time publicou a interessante matéria "Esqueça a crise de meia-idade. Pode ser o seu capítulo mais feliz", que pode ser lida online e que farei uma pequena sinopse. A crise da meia-idade é crida acontecer para quase todos entre 40 e 60 anos. A pessoa tem a percepção de que já se viveu metade da vida. É quando se faz um balanço sobre realizações, fracassos e sonhos não cumpridos. E provoca mudanças de comportamento, desde cuidar mais da aparência até trocar de carreira ou buscar novos relacionamentos. E a sensação de que o futuro é mais curto pode levar a decisões mais ousadas (e descuidadas). O termo "crise de meia-idade" foi cunhado em um artigo de 1965 do psicanalista e cientista social Elliot Jacques, mas "meia-idade" e "crise" nunca foram bem definidas. O que se considera uma crise de meia- idade varia amplamente, desde doenças até divórcios e angústia, e crises semelhantes acontecem em outras fases da vida com aproximadamente a mesma taxa. Em um estudo de 2000, apenas 10 a 20% dos americanos relataram espontaneamente uma crise de meia-idade, embora não esteja claro como essa taxa se aplica às pessoas de meia- idade hoje. Os pesquisadores normalmente es- tudam a meia-idade dos 40 aos 65 anos, um pe- ríodo amplo que clama por subcategorias, con- forme Hollen Reischer, psicóloga clínica da Uni- versidade de Buffalo. Mas estudos mais recentes desafiaram a uni- versalidade da crise de meia-idade. Muitas pessoas na meia-idade sofrem angústia, mas ela é moldada por pressões sociais e econômicas, não por um declínio inevitável relacionado à idade. E muitas outras experimentam o oposto. Os pesquisadores afirmam que esse período frequentemente coin- cide com picos de autoaceitação e satisfação nos relacionamentos. Por mais comum que seja associar a meia- idade à crise e a uma marcha desleixada do jovem ao velho, a meia-idade é, na verdade, muito mais do que isso; é um período rico em desenvolvimento com seus próprios "interesses e aspirações únicos", diz Reischer. Pesquisas nos anos 1990 mostraram piora na meia-idade e, em 2004, economistas de Dartmouth descobriram que, por volta dos 40 anos, as pessoas relatavam o pior bem-estar, formando o fundo do U, da curva, em comparação com idades mais jovens e mais velhas. Posteriormente, no entanto, pesquisadores da Universidade de Alberta no Canadá e da Universidade Brandeis adotaram outra abordagem. Em vez de comparar pessoas diferentes em idades diferentes, eles analisaram pesquisas que acompanhavam as mesmas pessoas ao longo dos anos da meia-idade para ver como sua felicidade mudava com o tempo. Ela au- mentou de forma constante, em média, levantando dúvidas sobre um mal-estar psicológico tão previsível quanto a menopausa ou o crescimento de pelos masculinos. Em um estudo recente de Kira Birditt, professora pesquisadora do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan, cuidadores na meia-idade relataram sentir-se menos estressados e sobrecarregados do que adultos mais jovens que eram cuidadores. Pesquisas recentes su- gerem que os adultos jovens estão cada vez mais infelizes. ■ Crise de meia-idade Posteriormente, no entanto, pesquisadores da Universidade de Alberta no Canadá e da Universidade Brandeis adotaram outra abordagem. Em vez de comparar pessoas diferentes em idades diferentes, eles analisaram pesquisas que acompanhavam as mesmas pessoas ao longo dos anos da meia-idade para ver como sua felicidade mudava com o tempo. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO GREGÓRIOJ.L. SIMÃO

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