Diário do Amapá - 30 e 31/08/2026

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 30 E 31 AGOSTO DE 2026 2 E m 4 de outubro, pouco mais de 577 mil eleitores escolherão governador, dois senadores, oito deputados federais e vinte e quatro estaduais. É o menor colégio eleitoral do país e, ainda assim, o estado renova dois terços de sua representação no Senado—o mesmo peso institucional atribuído a São Paulo ou a Minas Gerais. Trata-se, ademais, de um eleitorado jovem, com faixa mais numerosa entre 25 e 29 anos. A assimetria entre densidade demográfica e força federativa é o primeiro dado a considerar por quem observa a urna daqui. Convém, porém, separar as etapas com frieza analítica, para evitar os caprichos do palpite. O petróleo veio com tudo - e pode mudar a economia não só do Amapá, mas de todo o Brasil, nos colocando no epicentro do futuro nacional. Mas, furar não é encontrar; encontrar não é produzir; produzir não é, automaticamente, distribuir. Entre o anúncio e o primeiro barril dependemos de licenciamento, declaração de comercialidade, plano de desenvolvimento e de uma cadeia logística que o estado ainda não possui. Royalties, conteúdo local e qualificação de mão de obra são temas técnicos antes de qualquer coisa. Tudo isso depende de planejamento, ação e foco emresultados bemdistribuídos. Oque já existe, emerece atenção, éoefeitoantecipadoda expectativa. Oiapoque éo laboratóriodapromessa: as escolasmunicipais receberam mais novos alunos neste ano letivo; centenas de alvarás e transferências de imóveis foram emitidos em 2025; cinco novas áreas de ocupação surgiram nas franjas urbanas; os aluguéis dobrarame umconflito fundiário co- letivo foi parar em mediação judicial. A pressão sobre os serviços públicos chega primeiro; a receita chega depois. Precisamos, no agora, administrar o amanhã. Nesse Amapá do nosso cotidiano, Segurança Pública, Saúde, Habitação eMobilidade, sempestanejar, são pautas prioritárias. Emprego, renda, qualidade salarial e custos de cesta básica são assuntos que tambémmerecematenção dedicada dos candidatos a futuros gestores em 2027. Mu- lheres não querem viver sob medo da morte. Jovens queremexpectativa de prosperidade e crescimento. Idosos querem segurança previdenciária. Bem mais que pautas apenas prioritárias, são demandas urgentes. *** A infraestrutura permanece no lugar de sempre. A BR-156, eixo que costura o estado de sul a norte e desemboca justamente na fronteira, segue em compasso de espera. O sistema elétrico ainda carrega a memória do apagão de 2020, mas avança na energia solar e nos veículos elétricos - e a logística portuária entra nomesmohorizonte de demandas, gargalos e desafios. Some-se a isso a questão fundiária: a regularização é a porta de entrada de qualquer ciclo de investimento, e o acordo firmado em agosto entre o estado e o governo federal para acelerá-la é fundamental. O assoalho do futuro bate à porta. O resumo da camada prospectiva impõe, assim, per- guntas. A economia local ainda continua ancorada no emprego público e nas transferências federais, com base produtiva querendo mais, e mesmo em plena mutação e progresso, esbarra no senso de urgência do desejo de consumo e acesso à bens, serviços, produtos, atrações. O ciclo do petróleo pode financiar diversificação, formação técnica e capacidade estatal, ou repetir o padrão de enclave que o Amapá já conheceu na mineração de manganês em Serra do Navio: exportação de riqueza, importação de expectativa e passivo social depois que a lavra termina. Oiapoque precisa cada vez mais se preparar para ser a vanguarda do sucesso, e fugir dos vícios de outras economias do petróleo. Entre um destino e outro não há sorte geológica, há decisão institucional. Não tem esfinge a nos devorar. Tem trabalho a fazer. Quemgovernar entre 2027 e 2030 administrará, muito possivelmente, o investimento que o Amapá tanto faz no seu futuro cada vez menos provinciano e crescentemente cos- mopolita; terá diante de si pressãopor orçamento, gargalos a destravar,mercado imobiliário aquecido pela expectativa, fronteira internacional sendo decisiva e marco regulatório de exploração petrolífera ainda indefinido. Nesse sentido prático, a questão que a urna amapaense coloca em outubro é menos ideológica do que já foi um dia: o eleitor, dia a dia mais maduro, escolherá um projeto de capacidade administrativa para atravessar o intervalo com foco em agilidade, entrega e relacionamento objetivo. O amapaense e o brasileiro votarão, nesta rodada política, em resultados práticos e tangíveis. A polarização radical dá sinais de exaustão. As entregas e o comportamento político dos grupos políticos e dos candidatos são absolutamente decisivos, no seu portfólio enquanto gestoras e na coalizão de projetos efetivos, mais que direita e esquerda, mais que qualquer ideologia. ■ DANIELCHAVES E-mail: Daniel.s.chaves@gmail.com O pleito amapaense e nacional de outubro chega organizado por temas nítidos. A disputa é menos sobre nomes e mais sobre a capacidade de metabolizar um ciclo. Analista e Professor da Unifap Quem governar entre 2027 e 2030 administrará, muito possivelmente, o investimento que o Amapá tanto faz no seu futuro cada vez menos provinciano e crescentemente cosmopolita; terá diante de si pressão por orçamento, gargalos a destravar, mercado imobiliário aquecido pela expectativa, fronteira internacional sendo decisiva e marco regulatório de exploração petrolífera ainda indefinido. O Amapá e o Brasil em transe: o 4 de Outubro está chegando A ssim como as abelhas, as vespas também fazem favos. A diferença é que os favos das vespas são vazios e os favos das abelhas são de uma riqueza espetacular. O ditado dos antigos: “as vespas também fazem favos”, chamava a atenção para a necessidade de se saber distinguir o que é realmente bom do que é bom só em aparência. O favo das vespas não tem nada; o mel só está no favo das abelhas. Com o 22º Domingo do Tempo Comum, retomamos a leitura do evangelho de Marcos. A página que será proclamada nos apresenta uma controvérsia entre Jesus, os fariseus e os mestres da Lei. Essa turma de observantes das tradições dos antigos reparou que alguns dos discípulos de Jesus estavam co- mendo pão sem ter lavado as mãos. Nada demais, diríamos nós. No entanto, não era assim para eles. Mais do que simples normas de higiene, os rituais de purificação serviam para distinguir e preservar os judeus dos demais povos que praticavam outras religiões. O não cumprimento das tradições era consi- derado um grave desrespeito à própria fé, a Deus, enfim. Respondendo às in- dagações daqueles homens, Jesus transfere a questão num outro plano: do conjunto das manifestações exteriores, para o interior do coração humano. O verdadeiro culto a Deus não é feito de atos formais, através de uma mera obediência a preceitos humanos. A honra dele se realiza quando praticamos o bem e não deixamos sair do nosso coração todas aquelas “coisas” erradas, que nos afastam do próprio Deus e do nosso próximo. Jesus chama essas pessoas, preo- cupadas em lavar as mãos sem limpar o seu coração, de “hipócritas”, falsos, comediantes, que se apresentam de um jeito, mas na realidade são o oposto. Ele ensina que não serve para nada lavar as mãos antes de comer para garantir que nenhum alimento impuro entre em nós, porque a contaminação não vem de fora de nós, dos alimentos que comemos, porque eles não têm esse poder. A “contaminação” do mal/do impuro vem de dentro do nosso coração quando cultivamos aqueles maus pensamentos que nos fazem agir de forma errada, praticando o mal. Em poucas palavras, enganamos a Deus e a nós mesmos se cumprimos normas exteriores sem nos preocupar com o mais importante: purificar o nosso coração de todas aquelas ações, maquinações e atitudes que ofendem o mandamento de Deus, o amor, e nos levam a prejudicar e a fazer sofrer os nossos ir- mãos. A hipocrisia é um mal no qual todos podemos cair. De maneira especial, hoje, quando temos a oferta de muitas expressões “religiosas”, das mais va- riadas, e, às vezes, nós também escolhemos a comu- nidade, a paróquia, o site, a reza, mais pela simpatia, o costume, porque nos sentimos bem, do que por desejar mudar algo de mais profundo na nossa vida cristã: a clareza da nossa fé, as escolhas morais, uma caridade mais comprometida e transformadora. Fique bem claro. Não estou desvalorizando as práticas exteriores. Precisamos muito delas, mas com a devida atenção para não nos tornar falsos. O nosso ir à Missa, por exemplo, revela a vontade e a seriedade da nossa fé. Se vamos, é porque não achamos tempo perdido a nossa participação na liturgia e, sobretudo, se nos alimentamos com a santa Eucaristia. Igualmente, uma ma- nifestação religiosa, uma novena, uma reza, mais ainda se com numerosa par- ticipação do povo, encorajam-nos a reconhecer o valor da mensagem do Evangelho, o exemplo de Maria e de tantos santos e santas nossos padroeiros e padroeiras. O perigo está em cumprir tudo isso como se fosse uma mera ob- rigação, um costume tradicional, para dizer, depois, que participamos, mas sem que aquele momento consiga fazer acontecer algo novo em nossa vida de cristãos: um novo propósito, um novo compromisso, uma nova atitude. Essas são escolhas que exigem uma decisão que só pode vir do profundo do nosso coração, da nossa consciência, motivada pela fé e pelo amor a um Deus no qual não só dizemos acreditar, mas que também deixamos que ilumine com sua luz a nossa vida inteira, dentro e fora. Nada de coração vazio. Queremos ser como as abelhas, com favos cheios e doces, de verdade. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá A hipocrisia é um mal no qual todos podemos cair. De maneira especial, hoje, quando temos a oferta de muitas expressões “religiosas”, das mais variadas, e, às vezes, nós também escolhemos a comunidade, a paróquia, o site, a reza, mais pela simpatia, o costume, porque nos sentimos bem, do que por desejar mudar algo de mais profundo na nossa vida cristã. Vespas e abelhas

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