Diário do Amapá - 04/09/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 04 DE SETEMBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br H á exatos 1.700 anos, acontecia emNiceia, em 325 d.C., o primeiro Concílio Ecumênico que foi convocado pelo Imperador Constantino para apaziguar a Igreja de Jesus que já se denominava Católica desde o ano 103 d.C. (conforme Inácio aos Esmirnenses 8,2) mas não professava uma fé única. Essa foi a grande contribuição cristã de Cons- tantino. Segundo o livro "A Vida de Constantino" de Eusébio: "A ordem, por certo, não era tão fácil de cumprir, mas contribuiu para a sua execução a vontade decidida do imperador, que ofereceu a alguns a possibilidade do serviço público de correios (cursus publicus) e a outros a total disponibilidade de animais de carga. Foi escolhida também uma cidade apropriada para o concílio, com um nome que significava vitória: Niceia (Nikaias, de nike, vitória) da província Bitinia". A Igreja estava dividida por várias heresias, a maior era o Arianismo, que contava com a simpatia do Imperador, uma prova que ele não interferiu no Concílio, pois a tese de Ário tor- nou-se heresia. Ele acreditava que Jesus não era da mesma substância e estava subordinado a Deus-Pai. Essa tese era popular, mas triunfou o entendimento de Atanásio de Alexandria: ho- moousios, isto é, Consubstancial. Havia outros entendimentos anteriores, não chamarei de heresia porque estavam construindo (ou, como cremos, revelados) como a Proto-Or- todoxia. Havia outras heresias, como o Adocio- nismo, que pregava que Jesus não era divino, foi adotado por Deus; o Docetismo, dizia que Jesus era espírito e sua matéria era ilusão, condenado deste 1Jo e 2Jo; o Marcionismo, Deus de Jesus era um e do Antigo Testamento outro; o Monta- nismo, um tipo de pentecostalismo; o Modalismo, não havia três Pessoas, eram manifestações do mesmo Deus... Eram muitas seitas, a Igreja não era católica (universal, para todos). Dessa forma, o Concílio veio para acabar com as divisões (diabolos em grego), para unir, agregar, por isso chamada de Symbolum (união em grego) que foi traduzido para o Português como Credo. Como nem tudo foi resolvido, em 381, aconteceu o Concílio de Constantinopla, resultando no que conhecemos como Credo Niceno-Constantino- politano, rezado pelos católicos, protestantes e alguns evangélicos. Fica o alerta: quem não reza esse credo, não é considerado Cristão! O Concílio também emitiu 20 cânones para a organização da Igreja. O Cânon 1 proíbe a autocastração e um homem castrado não poderia se tornar clérigo. Os Cânones 4 e 5 estabelecem regras para a ordenação de bispos, exigindo a participação de todos os bispos da província, ou pelo menos três, com a confirmação do Metropolita (o bispo da capital da província). Os Cânones 8 e 9 a 13 regulamenta a readmissão dos Novacianos e estabelecem penas e condições para a readmissão dos lapsi, aqueles que apostataram durante as perseguições (o medo os impediu de serem mártires) e dos seguidores de Melécio de Licópolis (outro cismático). E ainda estabeleceu que a Páscoa cristã deveria ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia seguinte ao Equinócio de Primavera (21 de março no calendário juliano) e não mais no 14 de Nisan com os judeus. ■ Os Cânones 4 e 5 estabelecem regras para a ordenação de bispos, exigindo a participação de todos os bispos da província, ou pelo menos três, com a confirmação do Metropolita (o bispo da capital da província). Symbolum de Niceia MARIO EUGENIO Radialista e estudante de Filosofia E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br O Brasil, esse país que vive de aplaudir slogans e ignorar realidades, conseguiu mais uma proeza: transformou o professor em uma espécie em extinção, não pela idade ou pela inteligência, mas pela desistência. Segundo a mais recente pesquisa Talis, divulgada pela OCDE, apenas 14% dos professores brasileiros sentemque sua profissão é valorizada pela sociedade. O resto, a esmagadora maioria, deve estar tentando lembrar o que é “valorização”, essa palavra que, no vocabulário nacional, ficou mais teórica que a própria pedagogia. E não se diga que é falta de aviso. Há anos os números gritam o que o governo cochicha que “o investimento em educação”, no Brasil, “vem caindo como moral de adolescente em festa errada”. Enquanto os países ricos au- mentam seus gastos, nós diminuímos os nossos. O resultado é o de sempre, salas superlotadas, giz de segunda, internet de terceira, e um salário que nem com ummilagre bíblico vira vocação. O pro- fessor brasileiro ganha, em média, metade do que ganha um colega de país da OCDE. Trabalha mais, gasta mais tempo tentando manter a disciplina que ensinando, e ainda precisa ouvir que “ensinar é um dom”. Dom, aliás, que anda pagando mal. A autoridade do professor —aquela figura que, no passado, fazia o aluno pensar duas vezes antes de rir de si mesmo — virou lembrança de tempos civilizados. Hoje, é quase umpersonagem folclórico. Em sala de aula, precisa disputar atenção com o celular, com o tédio e, às vezes, com os próprios pais dos alunos, que acham que o erro do filho é culpa da escola. O professor virou o culpado oficial de um sistema que o trata como despesa e o chama de herói só no 15 de outubro. Herói de salário atrasado, diga-se. Não há profissão que resista a tanto desprezo institucionalizado. Muitos permanecem por pura teimosia, outros por medo do salto no escuro. Ficam até a aposentadoria, essa segurança fictícia que garante, nomáximo, o sossego de não precisar mais fingir entusiasmo. E o país, em vez de reco- nhecer o desastre, se contenta comdiscursos cheios de “compromisso com a educação”, essas frases que servem apenas para adornar microfones e anestesiar consciências. Enquanto isso, o jovem que poderia seguir a carreira olha para o futuro e prefere qualquer outra coisa que não envolva giz e desrespeito. E quem pode culpá-lo? No Brasil, ensinar é quase um ato de resistência poética, e viver de poesia é luxo para poucos. O resultado está aí: menos professores, menos qualidade, menos esperança. Mas ainda há quem diga que tudo se resolve com “amor pela profissão”. Ora, amor é bom, mas não paga conta, não compra livro, não substitui es- trutura. E ninguém ama ser ignorado. O problema da educação brasileira não é falta de vocação — é excesso de descaso. A escola continua sendo o retrato mais fiel do país: mal paga, maltratada e ainda obrigada a sorrir na foto. Se a sociedade brasileira realmente acreditasse que a educação é o caminho, já teria parado de cavar buraco. Mas o que se vê é um país que constrói discursos e destrói professores. E assim seguimos, com giz na mão e esperança no bolso furado, ensinando o impossível: que vale a pena acreditar num futuro que te paga metade do presente. ■ Mas ainda há quem diga que tudo se resolve com “amor pela profissão”. Ora, amor é bom, mas não paga conta, não compra livro, não substitui estrutura. E ninguém ama ser ignorado. O problema da educação brasileira não é falta de vocação — é excesso de descaso. Escolas e a “Fábrica de Desânimos” no Brasil GREGÓRIOJ.L. SIMÃO

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