Diário do Amapá - 06 a 08/09/2026

ENTREVISTA PESQUISADORA | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO A TERÇA-FEIRA | 06 A 08 DE SETEMBRO DE 2026 14 Jaqueline Mariano afirma que a Margem Equatorial representa uma janela de oportunidade para o Brasil e defende que as rendas da atividade sejam transformadas em emprego, infraestrutura, tecnologia, saneamento e proteção ambiental. D iário do Amapá - De que forma a indústria do pe- tróleo está se posicionando diante dos desafios da transição energética? Jacqueline Mariano - O que temos visto nos últimos anos é uma resposta da indústria baseada em várias frentes. Uma delas é o au- mento dos investimentos em gás natural, entendendo o gás como um vetor da transição energética por possuir menor intensidade de car- bono. Existe também uma busca muito grande por eficiência opera- cional, justamente para reduzir as emissões diretas e os gases de efei- to estufa gerados pelas próprias operações da indústria. Outro movi- mento é o investimento em fontes renováveis para compor a própria matriz energética das empresas. Temos ainda a produção de biocom- bustíveis e os investimentos em tecnologias voltadas à mitigação das emissões, como captura, utilização e armazenamento de carbono, o CCS e o CCUS. Além disso, muitas grandes empresas de petróleo es- tão migrando também para a geração e comercialização de eletrici- dade, especialmente de origem renovável. Portanto, não estamos fa- lando de uma única resposta, mas de um conjunto de ações que mos- tram como a indústria está se adaptando a esse novo cenário. Diário - E quando comparamos o Brasil com outros paí- ses, estamos avançados nessa agenda ou ainda temos muito a recuperar? Jacqueline - Eu acredito que os movimentos que acontecem no Brasil são, de modo geral, bastante de vanguarda. Temos exemplos de empresas de petróleo se associando a empresas produtoras de biocombustíveis e formando negócios conjuntos. Também vemos investimentos em programas de eficiência energética operacional. A própria Petrobras possui iniciativas nesse sentido. Além disso, temos uma característica muito importante: cerca de 50% da nossa oferta interna de energia é renovável. Então, pela própria composição da matriz energética brasileira, acredito que a indústria de petróleo do Brasil está bastante alinhada com os movimentos internacionais de transição energética. Isso não vale apenas para a Petrobras. As ou- tras grandes empresas que operam no país e também empresas de médio porte já incorporaram essa pauta aos seus planejamentos. Diário - Nós acompanhamos commuita atenção o que está acontecendo na Guiana e no Suriname. É possível comparar o desenvolvimento da indústria nesses países com o potencial da Margem Equatorial brasileira? Jacqueline - Eu acho que sim. Na Guiana, as atividades explora- tórias começaram antes da produção, que efetivamente teve início em 2019. A partir daí, o país passou a experimentar um crescimento econômico extremamente expressivo. As empresas que chegaram inicialmente assumiram um risco exploratório significativo e, quan- do as descobertas aconteceram, esse risco passou a ser muito bem remunerado. Depois veio o Suriname, aproveitando também as ca- racterísticas geológicas daquela região. Estamos falando de um siste- ma geológico extremamente semelhante ao que temos na Bacia da Foz do Amazonas, que é justamente a bacia da Margem Equatorial brasileira mais próxima da Guiana e do Suriname. Diário - E existe também a expectativa de que o petró- leo encontrado na Foz do Amazonas possa apresentar características semelhantes às do petróleo produzido na Guiana? Jacqueline - Podemos fazer essa analogia, considerando a seme- lhança do sistema geológico. O petróleo produzido na Guiana pos- sui elevada qualidade e, consequentemente, alto valor no mercado internacional. É um petróleo leve, em torno de 32 graus API, e com baixo teor de enxofre, por isso chamado de petróleo doce. O que se espera é que, se encontrarmos petróleo na Bacia da Foz do Amazo- nas, ele também possa apresentar características semelhantes e, por- tanto, um alto valor. Isso é importante inclusive dentro da discussão da transição energética, porque petróleos mais leves demandam menos energia e menor custo para serem refinados. Com isso, tam- bém se reduz a intensidade das emissões durante seu processamen- to. Seria, considerando a produção de petróleo, uma situação bas- tante favorável para a Margem Equatorial brasileira. Diário - Mas é realmente possível compatibilizar uma fu- tura produção de petróleo na Margem Equatorial com os objetivos da transição energética? Jacqueline - A Sem dúvida. Se conseguirmos utilizar as rendas do petróleo para verdadeiramente promover desenvolvimento eco- nômico e enfrentar esses problemas, podemos produzir um resulta- do extremamente positivo. Nota: Devido a limitação de espaço, publicação foi reduzida. Para ler a entrevista completa acesse www.diariodoamapa.com.br ) ■ Reportagem: Cleber Barbosa Fotos: Divulgação/MTur PERFIL Jacqueline BarbozaMariano é Especialista em Regulação de Petróleo, seus Derivados, Gás Natural e Biocombustíveis Breve currículo - Jacqueline Barboza Mariano é Engenheira Química e possui doutorado (D.Sc.) em Planejamento Energético. - É uma profissional com mais de vinte anos de experiência no setor de energia, com especialização na indústria de petróleo e gás natural. - Atuou na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) por doze anos e integrou o Comitê Brasileiro de Eficiência Energética entre 2009 e 2016. - Desde 2018, é professora colaboradora na Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vinculada ao Departamento de Engenharia de Petróleo, e pesquisadora de pós-doutorado no Programa de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ. - Jacqueline participou de diversos projetos de consultoria (atendendo tanto órgãos governamentais quanto empresas do setor energético), é autora de dois livros e publicou artigos em importantes periódicos científicos. Mercado atual - Seus principais interesses de pesquisa são: regulação do setor energético; impactos ambientais de políticas, planos, programas e projetos de energia; eficiência energética; e modelos energéticos. Jacqueline Mariano ■ Entrevista coma especialista, no quadro ConexãoMargemEquatorial, da Rádio Diário FM (90,9) Petróleovai transformarrealidade daAmazônia, dizespecialista

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