Diário do Amapá - 06 a 08/09/2026

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO A TERÇA-FEIRA | 06 A 08 AGOSTO DE 2026 2 O nome que subiu nas pesquisas das últimas semanas é novo; a vaga que ele ocupa não é. Augusto Cury chega a ela pelo caminho menos previsível: não veio de mandato, de máquina partidária nem de rua. Veio de um espaço político diferente das grandes candidaturas cristalizadas. É um dos autores mais vendidos do país, com uma obra construída sobre ansiedade, família, escola e sofrimento psíquico — vocabulário que atravessa faixa de renda, escolaridade e credo sem precisar passar por partido. O re- conhecimento nacional dele foi produzido fora da política e, exatamente por isso, chega sem os passivos que a política produz. É um ativo real em si, mas precisa ser contextualizado no todo do agora e da história. A pergunta que interessa, no entanto, não é o tamanho da curva. É de onde vem o voto que ela absorve. As duas hipóteses desenham curvas parecidas nas pesquisas de agosto e produzem consequências opostas em outubro. Se Cury cresce sobre eleitores que já re- jeitavam os dois polos e até aqui se declaravam indecisos, o movimento organiza um campo que já existia e não toca em Lula nem em Flávio Bol- sonaro. Mas essa hipótese parece remota. Se cresce sobre a base que Renan Santos vinha reu- nindo, o movimento é interno à terceira via e apenas troca o ocupante da mesma vaga, o que parece mais remota ainda. Terceira via, no Brasil, raramente foi um projeto. Foi um lugar vago. E o lugar existe antes de quem o ocupa - será que nos bate a porta, mais uma vez, uma crise de representação políti- co-partidária da democracia liberal, tal qual 1989 e 2018? Fernando Collor foi o único a atravessar esse vale, inteiro, em 1989, e o fez com legenda montada sob medida e uma estrutura de exposição nacional que nenhum dos herdeiros do lugar voltou a reunir. O sistema político, no entanto, o destronou. Depois dele, o padrão se repete com pequenas variações: o terceiro colocado cresce entre julho e setembro e murcha nas três últimas semanas. Marina Silva chegou a quase 20% em 2010 e a mais de 21% em 2014, e nas duas vezes parou no primeiro turno. Ciro Gomes fez cerca de 12% em 2018, no mesmo pleito em que Geraldo Alckmin, dono do maior tempo de televisão e da maior co- ligação, terminou abaixo de 5%. Em 2022, Simone Tebet e Ciro somados não passaram de pouco mais de sete pontos. Os magos da política, experientes, assintem que não só o gás, mas a estrutura decide as últimas semanas. Palanque estadual, tempo de propaganda, fundo eleitoral, candidato a governador que puxa o nome presidencial no comício e no santinho — nada disso se improvisa entre agosto e outubro. É neste ponto precisamente que essas candidaturas costumam enfrentar um verdadeiro desafio. Daí as perguntas que valem para as próximas semanas. A curva de Cury sobrevive à reta final eleitoral, quando as duas máquinas passam a ocupar o mesmo espaço de atenção que hoje é só dele? Agora, ele não é mais um imprevisto; ele é dois dígitos, é intenção real, e portanto, não mais pedra, senão também vidraça. Um nome sem palanque estadual se sustenta numa eleição em que o voto presidencial é puxado, na ponta, pela disputa proporcional e pelos governos estaduais? O sistema, que além de tudo é histórico, o permitirá? E a pergunta mais desconfortável de todas: uma terceira via que chega a outubro com dois dígitos e sem bancada está construindo poder ou está construindo posição de barganha para o segundo turno? A vaga estará aberta, como esteve em quase todas. A dúvida nunca foi se ela existe - os teóricos da terceira via estão aí há décadas ansiando pelo fim da bipolaridade política sempre presente. É se alguém, desta vez, chega ao fim dentro dela. ■ DANIELCHAVES E-mail: Daniel.s.chaves@gmail.com Desde 1989, toda eleição presidencial brasileira abre um lugar para quem não pertence a nenhum dos dois campos majoritários — e quase sempre fecha esse lugar antes da apuração, com o sistema se voltando para a polarização entre dois nomes Analista e Professor da Unifap O que essa sequência mostra não é fraqueza pessoal dos candidatos. É o desenho do sistema. Eleição majoritária em dois turnos, com rejeição alta nos dois polos, transforma a última quinzena em cálculo defensivo: a pergunta do eleitor deixa de ser quem ele prefere e passa a ser quem ele quer impedir. A terceira via é a primeira despesa cortada nesse cálculo - mas sistematicamente, quando há uma polarização bem estabelecida, não consegue furar a verdadeira camada de competitividade. Pesa, mas não tanto. O debate da terceira via volta, mais uma vez, ao foco N umdia de sábado, Josué descobriu seu genro fumando. –O que está fazendo, Abraão, não tem vergonha? –O que foi querido sogro? – perguntou espantado o jovem. – Como pode umhebreu esquecer que hoje é sábado? –Mas eu não esqueci que hoje é sábado – foi a simples resposta do genro. – E então o que aconteceu? – Aconteceu que me esqueci de ser hebreu! No 18º Domingo do Tempo Comum continuamos a leitura do capítulo 6 do evangelho de João. Como já expliquei, outras vezes, esse evangelista temum jeito própriode nos comunicar a suamensagem.Ofaz através de perguntas e respostas, comparações emal-entendidos que permitemaprofundar o assunto. Por exemplo, na página do evangelho deste domingo devemos prestar atenção às palavras que acompanhamos dois tipos de alimentos: “aquele que se perde” e “aquele que per- manece até a vida eterna e que o Filho doHomemvos dará” (Jo 6,27). Após amul- tiplicaçãodos pães e dos peixes, quando todos ficaramsatisfeitos, opovo continua a procurar Jesus. Ele entende o esforço daquelas pessoas para encontrá-lo novamente, mas as exorta a procurar um alimento novo, diferente. O próprio Jesus apresenta a si mesmo como esse “novo” alimento e diz: “Eu sou o pão da vida. Quemvemamimnão terámais fome e quemcrê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Aparece claro, a essa altura, que Jesus não está mais falando de umalimento qualquer, perecível, como foi omaná que caiu do céu no deserto no tempo de Moisés. Ele fala agora de umalimento novo para uma vida nova, a vida “eterna”, ou plena, que somente pode ser domde Deus Pai que dá o “verdadeiropãodo céu” (Jo6,32) enviando aquele que “marcou com o seu selo” (Jo 6,27). É nele, Jesus, que devem acreditar aqueles e aquelas que querem realizar “as obras de Deus” (Jo 6,29). Refletindo sobre todas essas palavras bonitas do evangelho de João, o nosso pensamento vai imediata- mente à Eucaristia que celebramos e da qual nos ali- mentamos como Jesus mandou fazer em memória dele. Os sinais são aqueles escolhidos do pão e do vinho,masdeveficar claroqueacelebraçãodaEucaristia nos quer conduzir muito mais longe em nossa vida de cristãos. Faz parte danossa experiência saber que todos nós precisamos de alimentos e de bens materiais para sobreviver. Alguns desses bens são absolutamente ne- cessários, outros acabam se tornando indispensáveis conforme o nosso jeito de viver. Oexemplomais fácil é o da própria internet. Até alguns anos atrás nem sabíamos o que era, hoje ficamos angustiados se a ve- locidade e o tamanho do sinal não correspondem ime- diatamente às nossas expectativas. Também hoje funciona perfeitamente a chamada indústria da diversão. Afinal ninguémé de ferro, precisamos nos divertir, relaxar, consumir aquilo que nos é apresentado como capaz de dar prazer e felicidade. Nemcertas formas de religiosidade escapamdessa busca de bem-estar e de satisfação individual. Estamos esquecendo o essencial, ou seja, que a vida é muito mais do que tudo isso. Ela é feita, em primeiro lugar, de relações entre as pessoas com as quais nos confrontamos e nosos ajudamos a resolver as grandes questões da existência. Por ocupada que seja, é pobre e, talvez, vazia, a vida de quem não sente a falta dos seus pais, dos seus irmãos, de amigos com quem partilhar sonhos e esperanças junto com os medos e as decepções que todos en- frentamos. Estamos fugindo das grandes perguntas das quais ninguém pode se esquivar, aquelas que dão sentido aonosso amar, sofrer e, umdia,morrer. Celebrar a Eucaristia de Jesus é reconhecer nele alguém que viveu plenamente porque nunca buscou satisfações pessoais, mas passou neste mundo “fazendo o bem” a quem precisava. Ensinou que é doando vida aos outros que salvamos a nossa do vazio e do tédio. Precisamos resgatar a nossa fome e a nossa sede de amor, de paz, de justiça e fraternidade. Por causa daquilo que passa e perece, do material e do virtual, estamos esquecendo do essencial. Acreditar e confiar em Jesus é ter a “certeza da fé”: só quando amamos realizamos “as obras de Deus”, umDeus que é amor, bondade e compaixão. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá O exemplo mais fácil é o da própria internet. Até alguns anos atrás nem sabíamos o que era, hoje ficamos angustiados se a velocidade e o tamanho do sinal não correspondem imediatamente às nossas expectativas. Esquecer o essencial

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