Diário do Amapá - 06 a 08/09/2026

O Brasil tem cerca de 405 mil pes- soas que trabalham como mo- tociclistas de aplicativos, como os de transporte de passageiros e entrega de comida e produtos. Desses, apenas 79 mil têm cobertura previdenciária, o que representa 19,4%, equivalente a um em cada cinco. Para efeito de comparação, quando se leva em conta todas as pessoas ocu- padas no setor privado no país, o índice de cobertura previdenciária é de 62,4%. Considerando todos os motociclistas do país, plataformizados ou não, o índice de cobertura é 31%. Ao contribuir para institutos de pre- vidência, o trabalhador adquire garantias, como aposentadoria, benef ício por in- capacidade e pensão por morte. Os dados fazemparte de ummódulo especial sobre trabalho por meio de plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Con- tínua, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O instituto coletou informações em 2025 para medir o contingente de tra- balhadores por aplicativo no país, clas- sificados como “plataformizados”. O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, aponta que a “pequena parcela dos condutores plataformizados” protegidos pela previdência contrasta com o perfil da atividade. “Eles podem estar expostos a aci- dentes e outros riscos relacionados à ocupação”, diz. O levantamento do IBGE aponta que, de 2024 para 2025, houve aumento de 15,4% no número de motociclistas plataformizados. Já no período de 2022 (primeiro ano da pesquisa) a 2025, o número praticamente dobrou, indo de 211 mil para 405 mil pessoas. A pesquisa é considerada pelo IBGE como experimental, ou seja, em fase de teste e sob avaliação. Em 2023 não houve coleta de informações. Ganhammais com apps O levantamento detalha que os mo- tociclistas de apps receberam, emmédia, R$ 2.221 mensais. Esse valor é o que foi efetivamente “retirado”, conforme explica o IBGE. O cálculo desconta, por exemplo, o gasto com combustível. Os motociclistas plataformizados tinham jornada semanal de 44,9 horas, enquanto os não relacionados a app tra- balhavam 41,1 horas. O rendimento médio por hora dos plataformizados (R$ 11,4) era 12,9% su- perior ao rendimento dos não platafor- mizados (10,1). Motoristas de app A Pnad traz também dados de mo- toristas de aplicativos. Em 2025 eram 905 mil pessoas, contingente que cresceu 9,8% na comparação com o ano anterior. Em três anos, o incremento foi de 26% (eram de 718 mil). De todos os motoristas de aplicativos, apenas um em cada quatro (25,5%) tinha cobertura previdenciária. Considerando todos os motoristas do país, platafor- mizados ou não, o índice de cobertura é 43,8%. Diferentemente dos motociclistas, os motoristas de app tinham rendimento por hora inferior aos dos não platafor- mizados. Em 2025, os motoristas ligados a plataformas tinham jornada de 45,9 horas semanais e rendimento de R$ 14,4 por hora. Já os não plataformizados trabalhavam 40,4 horas semanais e re- cebiam R$ 16 por hora. Os motoristas de aplicativo termi- navam o mês com remuneração de R$ 2.873, valor 2,4% maior que o dos não plataformizados. ■ APENAS 1 EM CADA 5 MOTOCICLISTAS DE APP TEM COBERTURA PREVIDENCIÁRIA No mês em que entraram em vigor as novas tarifas do governo Donald Trump, a alta dos preços médios ajudou a sustentar o crescimento das vendas brasileiras aos Estados Unidos. As exportações somaram US$ 3,190 bilhões no mês, alta de 12,1% em relação a agosto de 2025, quando totalizaram US$ 2,845 bilhões. Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do De- senvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão, o aumento foi determinado princi- palmente pela valorização dos produtos vendidos aos estadunidenses. "Esse aumento das exportações brasileiras no mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos, de 8,6%", disse Brandão ao in- formar os dados da balança comercial de agosto. Entre os produtos que mais contribuíram para o crescimento das vendas em valor estão aeronaves e outros equipamentos, carne bovina, produtos inacabados de ferro ou aço, cal, cimento e materiais de construção, tubos de ferro ou aço, celulose e café. Aeronaves e carne bovina estão entre os produtos que foram excetuados das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. Efeito das tarifas Apesar da alta de 8,6% no preço médio, as expor- tações brasileiras aos Estados Unidos recuaram 3,1% em volume em agosto. No acumulado de janeiro a agosto, a queda chega a 13,6% em volume e a 9,7% em valor, para US$ 24,105 bilhões. As importações brasileiras de produtos estaduni- denses também diminuíram no acumulado do ano. Elas somaram US$ 27,316 bilhões entre janeiro e agosto, queda de 8,6% ante o mesmo período de 2025. Com isso, o déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos chegou a US$ 3,211 bilhões no período. Somente em agosto, as compras brasileiras dos Es- tados Unidos cresceram 1,1%, para US$ 4,014 bilhões, levando a um déficit de US$ 824 milhões no comércio bilateral. Brandão afirmou que as oscilações são esperadas diante das diferentes interferências que atingem o co- mércio entre os dois países. ■ BALANÇA COMERCIAL Preços maiores sustentam alta das exportações aos EUA em agosto ● PLATAFORMIZADOS V Foto/ Rovena Rosa/Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 DOMINGO A TERÇA-FEIRA | 06 A 08 DE SETEMBRO DE 2026

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