Diário do Amapá - 11/09/2026
Tão perto… O ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União), candidato ao Senado, e o deputado federal Fábio Garcia (União), ambos investigados pela Operação Heritage da PF, que apura o desvio de R$ 308 Milhões de dinheiro da Oi no Estado, ficaram há dias lado a lado em palanque em Sinop (MT). Tem gente que os viu no mesmo avião. Rei do biodiesel O Rei do Biodiesel, que doou R$ 500 mil (para cada) a Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, enviou a seguinte nota: “Erasmo Carlos Battistella esclarece que a doação mencionada foi realizada como pessoa física, dentro dos limites estabelecidos pela legislação eleitoral brasileira. O empresário reafirma o seu compromisso com as melhores práticas de governança, integridade e transparência”. Ponto Final Ou o presidente Edson Fachin controla commão de ferro as vaidades (até ideológicas) de seus colegas, ou a Corte vai virar um cabaré com briga de faca e porrada. Todos os lados O empresário Antônio Freixo Junior, o Mineiro, que em delação citou transações com Flávio Bolsonaro e o filme “Dark Horse”, tem relações pessoais com o senador Jaques Wagner (PT-BA). Mineiro, um dos ‘caixas’ de Vorcaro do Master, é cotista do fundo Gardênia junto com dois amigos do parlamentar: O advogado Ângelo Rezende, que já advogou para Wagner, e o publicitário Guilherme Sodré, enteado do senador. Arruda e PO O presidente do PSD, Gilberto Kassab, deve pressionar o empresário Paulo Octávio – ex-senador e ex-deputado – a substituir José Roberto Arruda na candidatura ao Governo do DF. É certo no partido que o TSE vai limar a candidatura sub-judice de Arruda, já derrubada pelo TRE, a despeito da nova lei da Ficha Limpa que, na interpretação do candidato, lhe daria direito a concorrer pelo tempo corrido de sua condenação judicial. Na fila Quem o conhece bem de perto há anos, e sabe dos bastidores, crava que o STF é apenas uma passagem. O sonho do ex-deputado, ex- governador e ex-senador Flávio Dino – hoje ministro do Supremo – é ser o candidato de Lula da Silva à Presidência da República em 2030. O tempo o dirá, ou não. Registre-se. É urgente! Alguns setores importantes da sociedade – classistas e empresariais – iniciaram um debate super discreto nesta semana sobre como pressionar os três Poderes a uma reforma do Judiciário. Ninguém quer mostrar as caras para levar tapa nos dois lados da face. Mas é fato: O que mais se comenta entre portas é a mudança no modelo de indicação de ministros para as altas Cortes, ou no mínimo, um mandato para ministros do STF e STJ. Desde 2018, depois em 2023 e 2025 a Coluna faz publicações a respeito, comparando casos de outros países. Alemanha (12 anos), Bolívia (10), França (9 anos), Venezuela (12 anos) e Argentina (5 anos com possibilidade de recondução) têm mandatos para os togados. No Peru e na Bolívia os ministros são escolhidos por conselhos de notáveis e representantes do Congresso Nacional. No Brasil, ministros do STF parecem reis. Aprovaram (com o Congresso) a EC 88/2015 (PEC da Bengala), para ficarem até os 75 anos na poltrona, além de não se submeterem a nenhum órgão fiscalizador: nem o CNJ tem poder para questioná-los. U m em cada cinco alunos (20,4%) dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio diz já ter feito apostas online, as bets, informou, nesta quarta-feira (9), a Frente Parlamentar Mista da Educação. A proporção chega a quase metade dos pesquisados (49,7%) no 3º ano do ensino médio. O levantamento, feito em parceria com a Equidade.info (iniciativa que produz dados para pesquisas), ouviu 1.912 es- tudantes de 191 escolas de todo o país. Um dos dados de maior impacto é que as apostas começam aos 11 anos de idade. Pelo menos 9,5% dos estudantes até essa faixa etária disseram já ter feito apostas. Meninos apostammais No Brasil, é proibido quemenores de idade tenhamacesso a plataformas de apostas online. De acordo com o levantamento, os meninos apostam mais (27,8%) que as meninas (12,6%). No ensinomédio, 41,7% dos meninos já apostaram - mais que o dobro do registrado entre os do fundamental 2 (19%). O levantamento foi realizado nos meses de agosto e setembro deste ano, comentrevistas presenciais e questionários estruturados. Desa os De acordo com o professor e pesquisador brasileiro Gui- lherme Lichand, coordenador da pesquisa, as soluções centradas exclusivamente no comportamento individual dos usuários podem ser insuficientes para enfrentar o problema. Professor de Educação da Stanford Graduate School of Education, ele considera que há uma tendência de culpar as pessoas e alerta para o fato de que as plataformas costumam sugerir que, por haver perdas, é necessário moderar as apos- tas. O pesquisador explica que estudos científicos sugerem que essas soluções não funcionam. “Emvez disso, a proibição de propaganda e impostos rele- vantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a res- ponsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, destaca. ■ EXPOSIÇÃO PREMATURA Um em cada cinco estudantes já fez apostas online, mostra pesquisa O ministro Edson Fachin, do Supre- mo Tribunal Federal (STF), can- celou a sessão plenária desta quin- ta-feira (10), emmeio ao agravamento de uma crise entreministros da própriaCorte. Fachin já havia cancelado a sessão de quarta-feira (9), horas depois de oministro FlávioDino ter determinado a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor- geral da Polícia Federal (PF), revertendo decisão do dia anterior doministroAndré Mendonça, que havia afastado o delegado de suas funções. A guerra de liminares é o episódio mais recente de um embate público entre duas alas do Supremo, uma aliada aMen- donça e outra ao ministro Alexandre de Moraes. Ao cancelar as sessões plenárias desta semana, Fachin evita umencontro público entre os ministros do Supremo antes do julgamento que marcou para a próxima terça-feira (15) sobre um relatório da Polícia Federal (PF) que vincula Moraes ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Desde a semana passada, Mendonça eMoraes protagonizamumembate público sem precedentes na história recente do STF, com a divulgação recíproca de rela- tórios comprometedores e pedidosmútuos de investigação. Crise institucional A crise veio à tona com a retirada do sigilo, porMendonça, de relatórios parciais da Operação Compliance Zero, da qual é relator. A operação investiga suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente pra- ticadas pelo ex-banqueiroDaniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master. No material divulgado constam 52 mensagens que os investigadores do caso dizem terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Oconteúdo indica que o ex-ban- queiro teria encaminhado aoministro um contrato de R$ 131milhões entre oMaster e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Emoutro trecho, Vorcaroparece buscar junto a Moraes informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo. As respostas do interlocutor ao ex-ban- queiro não puderam ser resgatadas, in- formaram os investigadores. Até omomento,Moraes nega qualquer contato como ex-banqueiro. Logo em se- guida à divulgação domaterial, oministro tornoupúblicoum“relatóriode inteligência” da PF segundo o qual Mendonça sugere direcionamento contra desafetos políticos na condução do caso Master. Odocumento apresentadoporMoraes, contudo, não é assinado nemtraz qualquer marca da Polícia Federal. Oministro pediu a Fachin que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade ad- ministrativa e crime de responsabilidade. Che a da PF Nesta semana, apontandooque seriam nulidade desse documento, Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Ro- drigues, de sua funções. A medida foi re- vertida no dia seguinte peloministro Flávio Dino. Ambas a decisões, contudo, acabam derrubadas por Fachin. ■ ENCONTRO PÚBLICO EM MEIO À CRISE, FACHIN VOLTA A CANCELAR SESSÃO PLENÁRIA NO STF V Foto/ Agência Brasil ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 11 DE SETEMBRO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO
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