Diário do Amapá - 12/09/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 12 DE SETEMBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA A justiça, idealmente, deve ser um farol de esperança em tempos de incerteza, um símbolo de equidade que guia os cidadãos em sua busca por direitos e verdade. No entanto, a realidade brasileira atual parece desenhar um quadro sombrio, onde a figura do juiz, que deveria ser sinônimo de imparcialidade, se transforma emum símbolo de controvérsia e desconfiança. OSupremoTribunal Federal (STF), amais alta corte do país, atravessa ummomento tumultuado, especialmente com os recentes desdobramentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, que se vê no olho do furacão de um escândalo que traz à tona questões sobre a integridade e a ética no sistema judiciário. Emmeio a esse cenário, ecoa em nossas mentes o Salmo 82, que clama: “Defendei o pobre e o órfão; fazei justiça ao aflito e ao necessitado.” A mensagem é clara e atemporal: a justiça deve ser um instrumento de proteção aos mais vulneráveis. Contudo, a realidade atual parece contrabalançar essa afirmação, revelando uma face da justiça que muitos prefeririam ignorar. O escândalo envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e sua suposta ligação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master não é apenas um caso isolado; ele representa um sintoma de um sistema que, em muitos aspectos, falhou. Moraes, conhecido por sua postura combativa e por suas decisões controversas, agora se vê cercado por acusações de favorecimento e corrupção. Em um país onde a desconfiança nas instituições é crescente, a situação do STF se torna aindamais crítica. As vozes que clamam por justiça, antes silenciadas pelos atos de ummagistrado reconhecidamente rompante, observam perplexos o desenrolar dos acontecimentos. A conexão de Moraes com Vorcaro, um empresário envolvido nomaior escândalo financeiro do Brasil, levanta questões sérias sobre a independência e imparcialidade do judiciário. Quando juízes se envolvem em escândalos, a confiança da população se esvai e perguntas se acumulam: até que ponto a justiça está a serviço da verdade ou a serviço de interesses pessoais? Nesse cenário a impunidade parece se tornar a norma, e a voz da justiça, que deveria ecoar, faz-se silente diante dos atos de injustiça daqueles que deveriam operá-la com equidade. Dessemodo, oSalmo82nãopoderia sermais pertinente; ele clama por juízes que julguemcom justiça, que defendam os necessitados, diante da sensação de que a justiça é seletiva, que favorece alguns emdetrimento de outros, que aqueles que deveriam ser os guardiões da verdade e da justiça, se tornaram arquétipos da injustiça. Essa é a situação atual do STF, marcada por tensões políticas e sociais. Desde a ascensão de movimentos que clamampor um judiciáriomais ativo e vigilante, uma linha tênue entre a justiça e a politicagemtemsido constantemente cruzada. A defesa dos direitos humanos e da democracia deveria ser uma prioridade, mas a realidade é que as disputas internas e as alianças questionáveis desviam o foco do verdadeiro papel do judiciário. O que se observa é uma deterioração da imagem das instituições, que deveriam ser pilares da democracia. A luta por justiça, que deveria ser unificadora, se transforma em um campo de batalha onde a ética é frequentemente colocada em segundo plano. O caso deMoraes e Vorcaro é apenas omais recente emuma longa lista que desafia a credibilidade do STF e, por extensão, de todo o sistema judicial. Enquanto isso, os cidadãos comuns, que anseiampor justiça e verdade, observam impotentes. A sensação de abandono é palpável; muitos se perguntam se suas vozes realmente importam. O clamor por justiça se torna um eco distante, enquanto a realidade da corrupção e do fa- vorecimento se instala. No entanto, não é apenas um chamado à ação que o Salmo 82 nos traz. Ele nos lembra que a responsabilidade por uma justiça equânime não recai apenas sobre os juízes,mas sobre todos nós. Como cidadãos, devemos exigirmais de nossos representantes e das instituições que nos governam. A vigilância ativa e o engajamento cívico são essenciais para restaurar a confiança nas instituições. A tempestade que se abate sobre o STF e, por consequência, sobre a sociedade brasileira, pode servir como um catalisador para uma reforma urgente no judiciário. O momento exige que olhemos criticamente para as instituições que nos cercam. Assim, o eco do Salmo 82 ressoarámais forte do que nunca, para que a justiça não pode ser um privilégio de alguns, mas um direito de todos. ■ No entanto, não é apenas um chamado à ação que o Salmo 82 nos traz. Ele nos lembra que a responsabilidade por uma justiça equânime não recai apenas sobre os juízes, mas sobre todos nós. Como cidadãos, devemos exigir mais de nossos representantes e das instituições que nos governam. Ai de vós juízes injustos E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com Teólogo, pedagogo e advogado RODRIGO LIMA JUNIOR E nquanto brasileiros enfrentam a dor da perda e a humilhação da ne- gligência estatal, o governo federal parece operar em uma lógica de prioridades invertidas — onde a compaixão, a justiça e o senso de dever com seu próprio povo dão lugar ao espetáculo diplomático, à blindagem política e à insensibilidade administrativa. Na quinta-feira, o país assistiu perplexo à notícia de que um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) foi autorizado a cruzar fronteiras para resgatar a esposa do ex-presidente do Peru, Pedro Castillo, que está em asilo no Brasil. A operação, custeada com dinheiro público, teve todos os seus gastos colocados sob sigilo. Transparência? Nenhuma. Urgência humanitária? Duvidosa. Até sigilo de 5 anos foi imposto nesta viagem com 6 militares. O gesto, disfarçado de cortesia diplomática, serve mais como cortina de fumaça para alianças ideológicas do que como exercício legítimo de soberania. Enquanto isso, do outro lado do mapa — e no extremo oposto da dignidade —, o corpo de a brasileira Juliana Marins, morta tragicamente durante a escalada de um vulcão nna Indonésia, ficou dias à espera de repa- triação. Sem apoio efetivo do Itamaraty ou da União, coube à família e a desconhecidos a responsabilidade de juntar, por meio de vaquinhas virtuais, os recursos para trazer sua filha de volta. Só então o Estado apareceu. Tarde demais. Como sempre. A balança moral do governo parece calibrada por conveniências. A FAB, que deveria servir ao povo brasileiro, é mobilizada para fins obscuros, enquanto cidadãos são deixados à própria sorte — mesmo após a morte. É o Brasil do contrassenso, onde o aparato estatal é forte para proteger aliados, mas omisso diante da tragédia de seus próprios filhos. E o absurdo não para por aí. Ontem também veio à tona mais um capítulo da novela trágica do desrespeito aos aposentados e pensionistas do INSS. Por anos, milhares deles tiveram parte de seus benef ícios descontados por sindicatos e entidades que, muitas vezes, sequer autorizaram. Agora, o próprio INSS anuncia que pretende criar um sistema para “ressarcimento”, mas adianta: o processo será lento, burocrático e, em muitos casos, dependerá de que os prejudicados recorram à Justiça. Em outras palavras: quem foi lesado, terá que arcar com advogados e enfrentar longos processos apenas para reaver o que é seu por direito. Para um país com uma máquina pública gigante e digitalizada, essa exi- gência é mais uma forma de empurrar os mais fracos para o esquecimento — e garantir a impunidade de quem se alimentou de seus sacrif ícios. O Brasil de hoje parece se especializar em inverter prioridades: protege quem tem poder, silencia sobre os gastos que envolvem aliados e impõe calvários burocráticos a quem mais precisa. É um país que perde a sensibilidade e se distancia do povo, sob a alegação de legalidade ou “razões diplomáticas”, enquanto a justiça social vai ficando pelo caminho — aban- donada, sob o peso da indiferença. ■ Para um país com uma máquina pública gigante e digitalizada, essa exigência é mais uma forma de empurrar os mais fracos para o esquecimento — e garantir a impunidade de quem se alimentou de seus sacrifícios. O Brasil voa por condenados e esquece seus mortos E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO
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