Diário do Amapá - 17/09/2026
Resumo da Corte Ontem foi dia de tiroteio verbal entre ministros: Edson Fachin como o velhinho perdido na praça no meio do bang-bang; Flávio Dino como bobo da Corte e Gilmar Mendes como Enrolador Geral da República tentaram derrubar a sessão com pavonices. Alexandre de Moraes com sangue nos olhos; e Luiz Fux dando aula de juridiquês. Gleisi e Paulo Sobre os R$ 50 mil doados a ela própria na conta de campanha ao Senado, a assessoria da candidata Gleisi Hoffmann (PT-PR) informa que “Não houve devolução de valores ao Sr. Paulo Bernardo Silva. A doação realizada por Paulo Bernardo ingressou na conta de campanha por transferência eletrônica bancária, devidamente identificada, e está regularmente registrada na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral”. TV Justiça Quem procurou ontem o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, até para assuntos urgentes, encontrou telefone desligado e gabinete vazio. Ele ficou incomunicável durante todo o dia, segundo contam contatos no Congresso. Milícia também Em sua propaganda eleitoral no rádio e TV, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) incluiu há dias a palavra milícia quando cita o combate a crime organizado. Antes citava apenas narcotraficantes do PCC e CV, as conhecidas facções que se expandiram nacionalmente. Fato é que a milícia também não é só mais um problema do Rio. Ele se blinda, a tempo, de eventuais críticas de que possa estar protegendo milicianos. Asas do Poder O senador Cleitinho (Rep), candidato que lidera as pesquisas de Minas, adotou nas últimas semanas a estratégia de não ir a debates e sabatinas. O que não combina nada com seu estilo estridente tão usual nas redes sociais. Ele reclama tanto dos buracos das estradas que tem feito campanha (e vindo a Brasília) nas asas de um avião (PP-ISI) de Advaldo José de Oliveira, que tem bons contratos com a prefeitura de Patos de Minas. O fim da reeleição? O fim da reeleição – tão falando por outros presidentes e nada confirmado – entrou na pauta de campanha. Flávio Bolsonaro (PL) falou abertamente que, se eleito, não será candidato novamente. Lula da Silva (PT) já trata do assunto, mas nunca em seus mandatos. Fato é que há tratativas (sem muito esforço) de bancadas suprapartidárias para colocar uma PEC em pauta a partir do ano que vem, seja quem for o presidente, para uma minirreforma eleitoral: aumentar o mandato de quatro para seis anos – inclusive para quem já está no cargo – e conciliar a eleição presidencial com as municipais. Isso é pauta antiga de Tribunais regionais e de muita gente poderosa no TSE, por se tratar de uma economia significativa na logística e em custos totais. E alivia o País de debater eleição a cada dois anos. O Conselho Superior doMinistérioPúblico Federal (MPF) marcou para 25 de setembro debate sobre o procedi- mento interno acerca das menções ao procurador- geral da República, Paulo Gonet, em mensagens do ex- banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. O caso é relatado pelo subprocurador-geral da República, Francisco de Assis Sanseverino, um dos conselheiros, e foi aberto após representação de deputados do partido Novo. Eles pediram para Gonet ser afastado das investigações do caso Master. OPGRnão responde a umprocesso administrativo, passível de punições. O conselho deverá se ater a discutir se a menção a Gonet em relatório da PF compromete sua imparcialidade no caso Master. Em defesa enviada na terça-feira (15), Gonet disse que pode afirmar, em termos bastante diretos e simples, que não tem "com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nemmuito menos interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”. Durante julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), também na terça, Gonet disse ter se encontrado com Vorcaro apenas uma vez, de forma “brevíssima e banal”, emdecorrência da participação de um painel jurídico em Londres que tinha o Master entre os patrocinadores. Na defesa ao Conselho Superior, o PGR disse que não tinha conhecimento prévio de quem eram os patrocinadores do evento. Gonet enfatiza ainda não ter sido encontrado no telefone de Vorcaro nenhum contato relativo a ele. Os investigadores da Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro, apontam para menções a Gonet em conversas do ex-banqueiro com o ministro do STF Alexandre de Moraes. “Não podemos reverter isso com Paulo e Andrei”, diz Vorcaro em uma das mensagens. Para os delegados responsáveis pela Compliance Zero, tratam-se de Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF). Gonet também aparece em conversas de Vorcaro com o advogado Ciro Soares. ■ DEBATE Conselho Superior do MPF analisará mensagens de Vorcaro sobre Gonet O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a sessão desta terça-feira (15) semdefinir se oministroAle- xandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Pelas regras internas da Corte, o mi- nistro Flávio Dino, que pediu vista do caso, temprazo de 90 dias para devolver a questão para julgamento. O impasse entre os ministros ocorreu pela discordância sobre o rito que seria adotado no julgamento. Inicialmente, so- mente o caso de Moraes foi pautado pelo presidente da Corte, Edson Fachin. A análise das suspeitas contra André Men- donça estava marcada para a sessão do dia 23 de setembro. Durante a sessão, os ministros ligados à ala deMoraes defenderamque a relação com Vorcaro deveria ser analisada em conjunto com as supostas irregularidades atribuídas ao ministro André Mendonça, antigo relator do caso, ao solicitar ao ple- nário a investigação. Pelo entendimento, o mesmo rito de- veria ser adotado nos dois casos. Dessa forma, oministroGilmarMendes levantou uma questão de ordem para incluir a análise das supostas irregularidades contra André Mendonça. Aquestão foi colocada em julgamento, mas não chegou a ser finalizada porque Dino pediu vista do processo após o bate- boca entre Gilmar Mendes e Mendonça. O placar parcial ficou em 4 votos a 3. Mendonça O ministro André Mendonça, antigo relator do casoMaster, é acusado por Ale- xandre deMoraes de atuar de forma parcial na condução das investigações para incri- miná-lo. Além disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) diz que Mendonça in- vestigouMoraes ilegalmente aodeterminar o aprofundamento da apuração sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro. No entendimento da procuradoria, o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte. Moraes O caso Moraes veio à tona no dia 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal e encaminhou as conversas para Fachin. A investigação aponta que Vorcaro trocou cerca de 50mensagens comnúmero atribuído a Alexandre deMoraes antes de ser preso, em 17 de novembro do ano passado. ParaMoraes, o colega tomou a atitude por motivação político-eleitoral. “Porque está a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe neste país”, acusou, referindo-se à ligação entre Mendonça e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que o in- dicou para o cargo. Emdefesa apresentada namadrugada de terça, horas antes da sessão extraordi- nária, oministro negou ter cometido qual- quer tipo de irregularidade e classificou o relatório que contémsupostasmensagens enviadas pelo ex-banqueiro a ele como inconstitucional e ilegal. ■ JULGAMENTO ENTENDA: STF ENCERRA SESSÃO SEM DEFINIR CASOS SOBRE MORAES E MENDONÇA V Foto/ Valter Campanato/Agência Brasil ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 17 DE SETEMBRO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO
RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=