Diário do Amapá - 18/09/2026
A reduçãode 0,25%pontopercentual na taxa básica de juros da econo- mia, a Selic, foi considerada insu- ficiente pelas representações da indústria e dos trabalhadores, que consideram a decisão como “tímida” e que “não alivia a situação financeira das empresas e famí- lias”. A decisão foi anunciada nesta quar- ta-feira (16) pelo Comitê de Política Mo- netária (Copom) do Banco Central (BC), que reduziu de 14% para 13,75% ao ano a Selic. Após a divulgação do corte, a Confe- deraçãoNacional da Indústria (CNI) disse, emnota, que há umexcesso de prudência do Copom diante do comportamento de queda na inflação corrente nos últimos meses. “Há trajetória consistente de desace- leração, alcançando 4,22% no acumulado em 12 meses até agosto, e melhora das expectativas de mercado, indicando con- vergência gradual em direção à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária”, diz a CNI em nota. Opresidente da confederação, Ricardo Alban, considera importante oBCmanter a trajetória de queda nos juros. Com a decisão de hoje, está é a quinta redução consecutiva na Selic. “É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic. Manter a taxa básica empatamar tão res- tritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabi- lidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, afirmou. Ainda de acordo com a CNI, mesmo após o corte, a política monetária segue austera. Com a Selic em 13,75% ao ano, o juro real está em torno de 9%, cerca de quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra estimada pelo Banco Central, de 5% ao ano. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) disse que a queda é um passo im- portante, mas insuficiente em face do nível muito elevado dos juros no país. “ASelic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos e, mes- mo quando a redução chega ao consumi- dor com defasagem, abre espaço para uma trajetória de crédito mais barato”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sin- dicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT. Para Neiva Ribeiro, a desaceleração dos preços e da economia cria condições para que o BancoCentral avance no corte dos juros. “O debate precisa ir além dos indica- dores do mercado financeiro. Juros me- nores significamcondiçõesmais favoráveis para o crédito, investimentos, geração de empregos e redução do custo financeiro que pesa sobre famílias, empresas e o or- çamento público”, afirmou. Avaliação similar é feita pela central de trabalhadores Força Sindical, que con- sidera o corte de 0,25 ponto percentual muito tímido e um verdadeiro “balde de água fria” para a economia no quarto tri- mestre (outubro, novembro e dezembro). “Perdemos uma excelente oportuni- dade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar ainda mais a economia”, disse a central. Para a Força Sindical, o BancoCentral tempraticado uma política que concentra renda nas mãos de banqueiros e especu- ladores, “mantendo a taxa de juros em patamares proibitivos para o setor pro- dutivo e para a geração de empregos.” “Essa política de juros altos também diminui a capacidade de consumo das fa- mílias, enfraquece a confiança dos em- presários e desestimula os investimentos, comprometendoo crescimento econômico e a distribuição de renda”, conclui a For- ça. ■ ENTIDADES INDUSTRIAIS E TRABALHISTAS CONSIDERAM TÍMIDA QUEDA DA SELIC O benef ício pago pelo programa Bolsa Família será reajustado em 15%. O aumento corresponde à variação inflacionária registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. Com isso, o valor mínimo do benef ício ficará em R$ 691. Já o valor médio pago chegará a R$ 777. A atualização dos valores está prevista na legislação do Bolsa Família e busca preservar o poder de compra das famílias beneficiárias, de acordo com o governo. O decreto que reajusta os valores foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (17) e publicado em edição extra do Diário Oficial da União. Ele entra em vigor na data da publicação, mas produzirá efeitos financeiros a partir de 1º de outubro. O decreto eleva, de cerca de R$ 600, para R$ 691 o valor mínimo garantido às famílias beneficiárias. Tam- bém reajusta para R$ 164 o Benef ício de Renda de Ci- dadania, pago por integrante da família; para R$ 173 o Benef ício Primeira Infância; e para R$ 58 o Benef ício Variável Familiar. Durante a cerimônia de assinatura do decreto, no Palácio do Planalto, o secretário-executivo doMinistério do Planejamento, Bruno Moretti, informou que a cor- reção teve como referência a inflação acumulada de 15,04% medida pelo INPC no período. Segundo Moretti, a atualização busca preservar o poder de compra das famílias beneficiárias. Pelos cálculos apresentados pelo governo, o benef ício médio do programa passará de R$ 675 para R$ 777, uma ele- vação nominal próxima de R$ 100 por família. Renda e segurança alimentar Também durante a solenidade, o ministro da Fa- zenda, Dario Durigan, afirmou que a reposição dos valores busca evitar perdas provocadas pela inflação e, dessa forma, garantir que as famílias mais vulneráveis não enfrentem insegurança alimentar. Durigan também apresentou projeções para 2027. Segundo ele, o programa deverá representar entre 1,2% e 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo do patamar de cerca de 1,5% observado na transição entre 2022 e 2023. ■ AUMENTO Bolsa Família é reajustado em 15%; medida vale a partir de outubro ● JUROS V Foto/ José Cruz/Agência Brasil/Arquivo FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SEXTA-FEIRA | 18 DE SETEMBRO DE 2026
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