Diário do Amapá - 25/09/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 25 DE SETEMBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O Japão acaba de ultrapassar uma marca histórica. São 107.677 pessoas com 100 anos ou mais. Pela primeira vez, o país supera a barreira dos 100 mil centenários. O número cresce há 56 anos consecutivos. Quase 88% são mulheres. É uma conquista da medicina, da alimentação, das condições de vida e, também, da capacidade de uma sociedade se organizar para viver mais. Mas há uma contradição que não pode ser ignorada. O mesmo país que celebra a longevidade enfrenta o envelhecimento acelerado da população, a redução da força de trabalho e a pressão sobre a previdên- cia. A população envelhece. A conta chega. O Brasil precisa olhar para o Japão com atenção. Não para copiar mo- delos, mas para compreender o que está diante de nós. O brasileiro também está vivendo mais. A fecundidade caiu. A estrutura etária está mu- dando. E o país ainda não se preparou, na dimensão necessária, para essa transformação. O problema não é ter idosos. O problema é envelhecer sem planejamento. O Brasil precisa fazer o básico, que há décadas vem sendo adiado. Investir em saúde preventiva, fortalecer o Sistema Único de Saúde, ampliar o atendimento geriátrico, preparar profissionais para cuidar da população idosa e garantir que envelhecer não seja sinônimo de abandono, doença e pobreza. Precisa, também, enfrentar a questão previ- denciária com seriedade. Não com improvisos, discursos fáceis ou medidas que apenas empurrem o problema para o próximo governo. Uma popu- lação que vive mais exige planejamento financeiro, equilíbrio nas contas públicas e políticas que permitam aos idosos continuar participando da vida econômica e social. E há outra frente. O Brasil precisa criar con- dições para que os jovens possam formar suas famílias, se assim desejarem. Moradia, emprego, educação, segurança e renda são fatores que influenciam as decisões sobre ter filhos. Não se trata de obrigar ninguém a reproduzir um modelo de vida. Trata-se de não tornar a maternidade e a paternidade um privilégio reservado a quem tem dinheiro. O Japão mostra que viver mais é uma vitória. Mas mostra também que a longevidade, sem planejamento, pode se transformar em um desafio monumental. O Brasil ainda tem tempo para se preparar. O que não tem é o direito de continuar tratando a mudança demográfica como assunto secundá- rio. A velhice não começa aos 100 anos. Começa muito antes. E a respon- sabilidade de garantir um envelhecimento digno também. O futuro brasileiro será mais velho? A pergunta deveria ser "se será também mais justo". É preciso agir agora. Sem propaganda. Sem ilusões. Com planejamento, investimento e responsabilidade. Porque o tempo passa. E a demografia não negocia. ■ O Brasil precisa acordar enquanto o Japão envelhece O Japão mostra que viver mais é uma vitória. Mas mostra também que a longevidade, sem planejamento, pode se transformar em um desafio monumental. O Brasil ainda tem tempo para se preparar. O que não tem é o direito de continuar tratando a mudança demográfica como assunto secundário. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIO J.L. SIMÃO Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br P rovavelmente, você já assistiu ao filme Total Recall do Arnold Schwarzenegger, de 1.990, ouMatrix, de 1.999, e suas continuações, cujo argumento é que todos os seres humanos vivem em uma si- mulação. Bem, nem todos, há Morfeus, que vive no mundo real e invade o sistema libertando pessoas da simulação. De qualquer forma, são seres vivos biológicos, mas havia também os seres artificiais compostos de uma inteligência artificial (IA), como a Oráculo. Em 2.003, o filósofo Nick Bostrom escreveu um artigo na revista Phi- losophical Quarterly em que propôs que o nosso universo poderia ser uma simulação de computador, ou seja, seríamos inteligências artificiais em ummundo simulado. Fouad Khan escreveu uma interessantematéria na Scientific American sobre o assunto apontando que a ideia teve adesão de alguns "gênios" da atualidade como ElonMusk e do cientista Neil deGrasse Tyson, discípulo de Carl Sagan. Já o f ísico Frank Wilczek não acredita nisso, seu argumento é que há muita complexidade desperdiçada emnosso uni- verso para ser simulada. A complexidade de um edif ício requer energia e tempo. Por que um "designer" de realidades desperdiçaria tantos re- cursos para tornar nosso mundo mais complexo do que precisa ser? Isso não é exatamente ver- dadeiro, como em um jogo, precisaria apenas si- mular com detalhes aquilo que está no foco dos nossos sentidos, como visão e audição. Também a f ísica e comunicadora científica Sabine Hossenfelder entende que essa hipótese não é científica, não podemos realmente testá-la ou refutá-la e, portanto, não vale a pena investigar seriamente. Mas isso tambémnão é inteiramente verdade. Há algumas operações de computador que demoramomesmo tempo, porque depende da capacidade operacional do computador. Por exemplo, emum computador moderno, o tempo de somar 1+1 é igual ao de somar 458.391+763.611, ou seja, se você demorar, pode ser um indicativo de viver na realidade... Ou a simulação é muito boa! De qualquer forma, a simulação não precisa ser muito boa, apenas boa o suficiente para en- ganar as inteligências simuladas. Mesmo assim, precisa- se de muita capacidade computacional. Por exemplo, Bostrom estimou que para cada ser humano simulado seria necessário de 10^33 (quatrilhões de quintilhão) a 10^36 (quintilhão de quintilhão) de operações por segundo. Usando a tecnologia atual, um computador tão grande quanto nosso planeta Terra, simularia ummilhão de seres humanos. Acapacidade computacional dos computadores cresceram incrivelmente nos últimos 50 anos e deve crescer ainda mais, mas há um limite f ísico para isso. Provavelmente, a tecnologia evoluirá para simular um cérebro com capacidade cognitiva de um ser humano, mas ainda será grande demais, o cérebro biológico parece ser imbatível em solução viável. Fouad Khan intitulou sua matéria de "Confirmado! Vivemos em uma Simulação" e que foi publicado em primeiro de abril, o dia da mentira, ou dos tolos, como dizem os americanos. Um dia excelente para pregar uma peça nos leitores, mas nesse caso, para dizer que a própria realidade que vivemos pode ser uma mentira de fato. ■ A capacidade computacional dos computadores cresceram incrivelmente nos últimos 50 anos e deve crescer ainda mais, mas há um limite físico para isso. Provavelmente, a tecnologia evoluirá para simular um cérebro com capacidade cognitiva de um ser humano, mas ainda será grande demais. Você realmente está vivo? MARIO EUGENIO
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