Diário do Amapá - 26/09/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 26 DE SETEMBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Teólogo, pedagogo e advogado E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com N os últimos anos, o conceito de educação positiva ganhou espaço nas famílias e nas escolas, prometendo uma abordagem mais gentil e respeitosa no trato com as crianças. A base dessa metodologia está no reforço do diálogo, na construção da autoestima e na eliminação de punições severas, o que, a princípio, parece uma alternativa atraente aos modelos tradicionais de educação, que muitas vezes recorriam ao castigo f ísico ou à imposição de autoridade pela força. No entanto, o que se vê, cada vez mais, é uma sociedade que começa a colher frutos negativos dessa abordagem. Estudos recentes indicam que a educação positiva, quando mal interpretada ou aplicada de maneira desequilibrada, pode gerar sérios problemas na formação das crianças. Um dos efeitos mais evidentes desse modelo é o desenvolvimento de uma geração que, em muitos casos, tem dificuldade em lidar com frustrações e limites. Ao priorizar sempre a escuta, o acolhimento incondicional e a proteção do emocional da criança, alguns pais e educadores acabamcriando umambiente onde o "não" é inexistente. As crianças, então, crescem sem saber lidar com as naturais adversidades da vida, pois foram habituadas a ter suas vontades sempre atendidas. Estatísticas globais apontam para uma tendência alarmante. Nos Estados Unidos uma pesquisa revelou que 62%dos professores relatamumaumento significativo de pro- blemas comportamentais em sala de aula nas últimas duas décadas. No ReinoUnido, outra pesquisamostrou que 70% dos professores acreditam que a ausência de limites claros está diretamente ligada ao aumento de problemas de disciplina. Já no Brasil, um levantamento do Instituto Ipsos em2022, indicou que 58%dos pais de crianças e adolescentes entre 10 e 16 anos acreditam que a falta de limites em casa tem sido um fator preponderante para o comportamento desafiador de seus filhos na escola. Esses números são reflexo de uma sociedade que, muitas vezes, interpreta a educação positiva como uma educação sem disciplina. Um exemplo claro está na sala de aula: pro- fessores, em vez de conseguiremmanter a ordem ou impor limites, muitas vezes se veem reféns de alunos que, sem a noção de hierarquia ou respeito à autoridade, tornam o ambiente escolar caótico. O mesmo estudo, apontou que 45%dos professores brasileiros acreditamque a indisciplina temcrescido drasticamente nos últimos anos, especialmente em decorrência de um modelo de educação que evita punições ou correções mais severas. Outro ponto que merece atenção é a dificuldade que essas crianças encontram ao ingressar no mercado de trabalho ou em situações sociais mais exigentes. Uma pesquisa entre jovens americanos revelou que 68%daqueles que cresceramemambientesmais permissivos, apresentaram dificuldades em lidar com feedbacks negativos ou com si- tuações que exigem resiliência no início de suas carreiras profissionais. Alémdisso, 55%desses jovens afirmaramque já haviam abandonado algum emprego ou atividade por não conseguirem lidar com a pressão ou com críticas cons- trutivas. A sociedade também começa a pagar um preço alto. A geração que foi educada sem conhecer limites adequados tem mostrado uma falta de preparo para a vida em comunidade. Uma pesquisa da Fundação Lemann no Brasil indicou que 64% dos jovens de 18 a 25 anos relataram dificuldades em lidar com frustrações cotidianas, como a rejeição em um emprego ou um relacionamento não correspondido. Além disso, 47% dos entrevistados relataram que já haviam sofrido com ansiedade severa, em parte devido à pressão por sucesso imediato e à falta de habilidade para lidar com fracassos. Esses dados refletem uma cultura crescente de egoísmo, onde as necessidades individuais são colocadas sempre à frente das coletivas. Isso reflete na convivência social, no aumento da intolerância e na incapacidade demuitos jovens de lidar comopiniões di- vergentes ou situações que exijam concessões. Esse comportamento individualista, alimentado por uma educação que priorizou sempre a satisfação pessoal da criança, está minando a construção de uma sociedade mais colaborativa e harmônica. Portanto, pais e educadores precisam retomar a noção de que a frustração e o "não" também educam. A infância precisa ser um terreno de aprendizado, onde as crianças aprendam, sim, a se expressar e a serem ouvidas, mas também a respeitar limites, a lidar com as consequências de suas ações e a entender que nem sempre terão tudo o que querem. Somente assim conseguiremos reverter os males que hoje vemos emergir e formar uma geração que realmente esteja preparada para enfrentar os desafios da vida em sociedade. ■ Esses dados refletem uma cultura crescente de egoísmo, onde as necessidades individuais são colocadas sempre à frente das coletivas. Isso reflete na convivência social, no aumento da intolerância e na incapacidade de muitos jovens de lidar com opiniões divergentes ou situações que exijam concessões. Frutos negativos da educação positiva RODRIGO LIMA JUNIOR N o início de dezembro, escrevi ao Presidente Lula propondo um novo Proálcool. Fiquei obcecado pelo rendimento de uma célula etanol apresentada dias antes pelos bolsistas PCI (Pro- grama de Capacitação Institucional) do INPE. O Instituto desenvolve uma célula de etanol (gera eletricidade diretamente por reações ele- trolíticas), com uma eficiência de 70%. Algo espetacular, já que um motor a combustão não chega a 30%, ou seja, mais que o dobro. Se um carro comum faz 10 km/l, um carro elétrico com célula de etanol faria mais de 23 km/l. O PCI é um programa patrocinado pelo MCTIC e operacionalizado pelo CNPq com vistas a fomentar a capacitação técnica, científica e de inovação das Unidades de Pesquisas ligadas ao MCTIC como o INPE. Eu sou responsável pelos bolsistas da Ciência e Tecnologia Es- paciais. Tomei a liberdade de sugerir ao presidente Lula repetir a ideia do Motor a Álcool Brasileiro, quando o presidente Geisel encomendou ao CTA (Centro Técnico Aeroespacial) fazer estudos técnicos sobre o etanol que permitiram que o governo mais tarde criasse o Proálcool logo após a crise do petróleo em 1973. De 1973 a 1976, realizaram experiências com diversos tipos de motores adaptando-os para o uso do etanol combustível. Em 1975, apresentou os resultados de seus estudos ao presidente Ernesto Geisel, fato que levou o go- verno brasileiro a criar o programa de substi- tuição de combustíveis derivados de petróleo por álcool. Até 1976, o CTA adaptou e testou motores de diversos fabricantes. A situação atual está mais fácil, pois há di- versos institutos federais e estaduais, além das indústrias automobilísticas, estudando e testando células de etanol, como meus colegas do INPE. O governo federal deveria apadrinhar o novo carro a etanol, mais eficiente e bem menos po- luente. Os Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Indústria poderiam gerir. A necessidade de dinheiro para a pesquisa já está até suprida no orçamento e, posteriormente, incentivos para a fabricação e venda na forma de emprés- timo é dinheiro que volta ao Erário. A Revista Pesquisa da Fapesp vem divulgando diversas pesquisas brasileiras sobre o assunto. Uma parceria entre a montadora japonesa Nissan e o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) desenvolve uma tecnologia da célula a combustível a etanol, que permite abastecer o veículo com esse combustível em qualquer posto do país, como já ocorre hoje. Um consórcio de empresas reunindo as multinacionais Mercedes- Benz, Stellantis (Fiat, Chrysler, Opel, Peugeot e Citroën), Bosch, Umicore e a brasileira Ipiranga, estabeleceu dois acordos de parceria com o Ipen para o desenvolvimento de células a combustível de baixa temperatura, que opera por volta de 100º C, para o aproveitamento do etanol como combustível de carros elétricos. Outro consórcio, formado por Volkswagen, Stellantis, Toyota, Ford, Shell, Bosch, AVL e a brasileira Caoa, também fechou um contrato de parceria com a Unicamp para desenvolver células a com- bustível a etanol, apoiado pela FAPESP e Finep. Já temos todos os ingredientes para fazer no Brasil um projeto de sucesso. ■ Outro consórcio, formado por Volkswagen, Stellantis, Toyota, Ford, Shell, Bosch, AVL e a brasileira Caoa, também fechou um contrato de parceria com a Unicamp para desenvolver células a combustível a etanol, apoiado pela FAPESP e Finep. Um Novo Projeto de Motor a Álcool MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior do INPE
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