Diário do Amapá - 30/09/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 30 DE SETEMBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O Brasil está entrando em uma primavera que não permite dis- tração. A previsão de calor intenso, períodos prolongados de seca e eventos extremos, especialmente no Norte e no Nordeste, não pode ser tratada como mais uma notícia sobre o tempo. É um alerta sobre saúde, responsabilidade pública e, princi- palmente, sobre quem não tem condições de se proteger sozinho. O El Niño deverá ganhar força nos próximos meses, com reflexos diferentes entre as regiões brasileiras. No Norte e no Nordeste, a combinação de temperaturas elevadas e menor ocorrência de chuvas preocupa. No Centro Oeste e no Sudeste, o calor deverá conviver com pancadas de chuva e mudanças bruscas. No Sul, a previsão aponta para períodos de chuva volumosa e ocorrência de eventos ex- tremos. Mas existe uma dimensão dessa história que costuma aparecer pouco nos mapas meteorológicos. O calor não atinge todos da mesma maneira. Crianças pequenas estão entre as mais vul- neráveis. Quanto menor a criança, maior a di- ficuldade do organismo para controlar a tem- peratura corporal. Bebês dependem inteira- mente dos adultos para hidratação, proteção e ambiente adequado. Quando o calor aperta, qualquer descuido pode deixar de ser apenas desconfortável e se transformar em problema de saúde. Entre os idosos, a situação também exige atenção redobrada. Acima dos 80 anos, prin- cipalmente entre pessoas acamadas, debilitadas ou internadas em asilos e casas de repouso, o risco é ainda maior. Muitos dependem de ter- ceiros para beber água, trocar de ambiente, tomar banho, aliviar o calor ou simplesmente perceber que algo não está bem. É justamente aí que entra a responsabilidade dos governos municipais. Prefeituras não podem esperar que uma onda de calor provoque internações para depois reagir. É preciso identificar previamente os grupos vulneráveis, orientar famílias, fiscalizar instituições de longa permanência, reforçar a atenção básica e preparar unidades de saúde para períodos de maior demanda. Também é necessário cobrar condições mínimas de ventilação, hidratação e conforto térmico em instituições que abrigam idosos. Não basta abrir uma campanha nas redes sociais quando a temperatura já estiver sufocante. Prevenção exige planejamento, estrutura e dinheiro público aplicado onde realmente faz diferença. O calor extremo não escolhe suas vítimas, mas seus efeitos são mais severos sobre quem tem menos capacidade de reação. A meteorologia está fazendo seu papel ao avisar o que pode acontecer. Agora cabe aos governos fazerem o seu. Porque, quando uma criança pequena passa mal pelo calor ou um idoso acamado sofre as consequências de uma temperatura extrema, já não estamos falando apenas de clima. Estamos falando de cuidado, omissão e responsabilidade. E nesse terreno, nenhuma prefeitura pode alegar que não foi avisada. ■ O calor extremo não escolhe suas vítimas, mas seus efeitos são mais severos sobre quem tem menos capacidade de reação. A meteorologia está fazendo seu papel ao avisar o que pode acontecer. Agora cabe aos governos fazerem o seu. O calor que cobra uma conta humana E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia T odo mês, escrevo para 3.889 parlamentares, de vereador a senador, meus artigos e sugestões que colho pelo mundo e que possam fazer a diferença no Brasil. Desde que as bets e "tigrinhos" apare- ceram, manifesto os malef ícios aos nossos parlamentares, sem muita esperança de sucesso. Pressionado pelas urnas, o presidente Lula manifesta que acabará com essa modalidade de apostas. Os eleitores e setores da sociedade que votam na direita também deveriam cobrar de seus candidatos o compromisso de combater os jogos de apostas e os outros responsáveis por vícios na população, os mais pobres especialmente. É claro que o candidato Flávio Bolsonaro deve ser bem cobrado, afinal, ele é a favor de cassinos. É um evangélico que não segue o cristia- nismo de origem que pregava contra o vício e o trabalho como forma de sustento. Aliás, enriquecer não faz parte do Novo Testamento, conforme adverte 1 Timóteo 6,9-10: Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em muitos desejos insensatos e nocivos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição. Porque a raiz de todos os males é o amor ao di- nheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé. OCentro Celso Furtado divulgou no 3º Update do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros que a partir de janeiro de 2025, as pessoas f ísicas, através do Pix, transferiu R$ 4,7 bilhões por mês em média, de outubro de 2024 a março de 2026. Ou seja? Quase cem bilhões de reais foi subtraído das famílias, o que explica muito a si- tuação piorada de muitas famílias enquanto o desemprego cai, o salário aumenta e a inflação é das mais baixas da história do Real. O estudo calcula que o volume médio mensal atribuído às bets foi estimado em R$ 24,1 bilhões, de outubro de 2024 a março de 2026. Só no ano de 2025, primeiro ano da regulamentação das bet, o valor chegou a R$ 350,97 bilhões. Percebe o malef ício? Isso deixa de ser um consumo de bens das famílias para ser de pessoas que nem gastarão essas fortunas no Brasil. Ao reduzir a renda das famílias, reduz-se o PIB e também os impostos diretos e indiretos. O Senado Federal promoveu uma Audiência Pública para tratar das bets e constatou um quadro perturbador. É um problema de saúde pública, psiquiátrico, e já é tratado como o tabaco, álcool e outras drogas. E tem um agravante hoje, as apostas estão nos celulares, não precisa procurar um cassino legal ou ilegal. De 2018 a 2025, aumentou em 140% o número de atendimentos a pessoas com mania de jogos de apostas e transtorno do jogo no SUS. Em 2025, mais de 25 milhões de pessoas apostaram, com uma prevalência de 4,4% de pessoas com o transtorno do jogo. O órgão entende que a restrição da publicidade é necessária, pois o cassino chega a você e com propaganda no horário nobre. É deprimente ver celebridades, especialmente ligadas ao esporte, fa- zendo propaganda das apostas on-line. Sinto o mesmo asco que sentia daquele jogador que ficou conhecido por "gostar de levar vantagem em tudo". Que saudades do Pelé que não fazia propaganda de nada que pre- judicasse a saúde. ■ O Senado Federal promoveu uma Audiência Pública para tratar das bets e constatou um quadro perturbador. É um problema de saúde pública, psiquiátrico, e já é tratado como o tabaco, álcool e outras drogas. E tem um agravante hoje, as apostas estão nos celulares, não precisa procurar um cassino legal ou ilegal. O vício das apostas MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sêniordo INPE GREGÓRIOJ.L. SIMÃO
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