Diário do Amapá - 03/10/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 03 DE OUTUBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA E stou morando em Lisboa, este ano, mas venho novamente de visita ao sul da França, pois gosto demais da Côte D´Azur e da Provence, que fica encostadinha. Passamos por Nice, onde já ficamos algumas vezes – uma cidade grande e linda, à beira do Mediterrâneo - e estamos em Fayence, cida- dezinha da Provence, encantadora. Estamos no início do verão, então recém saímos da primavera, de maneira que está tudo muito verde e pejado de flores, muita cor por todo lado. Vejam que privilégio: escrevendo minha crônica na Provence, ao ar livre, ouvindo a cigarra, que é tempo dela, e os muitos passarinhos que (po)voam a região. Minha filha mora aqui, em Fayence, numa casa ampla e acolhedora, com todos os confortos de uma casa da cidade e o bônus de estar rodeada de árvores, numa região tranquila e pacata. Muitas vinhas – as uvas estão cacheando, o fruto ainda está pequeno, mas os pés estão carregados. As oliveiras também de floresceram recentemente, estão cheias de azeitonas, sem contar os pés de nozes, de amêndoas, de ameixas (aquela com a qual se faz a ameixa preta, eu esclareço, porque no Brasil chamamos a nêspera de ameixa, erroneamente), figos, cerejas, pêssegos, morangos, etc., etc. É verdade que o interior nos dá várias vantagens, como o ar puro, a boa comida, muita coisa produzida aqui mesmo, o bom vinho, a amizade dos vizinhos que nem são muito próximos, geograficamente, porque todos têm terrenos grandes, mas todos se conhecem e se dão bem. No segundo dia desta revisita à Fayence, saí com Romain para fazer compras. Fomos a uma quitanda, emMontauroux, tipo Direto do Campo, aí no Brasil, com muita variedade de frutas e verduras, legumes e queijos, tudo fresquinho. Emais: tudo comcertificado de origem, com o nome do produtor. Uma beleza. Dá vontade de levar tudo. Romain comprou muita coisa, inclusive uns cogumelos Porcini, fresquinhos e grandões, que ele fez grelhados e ficou uma delícia. Também fomos a um supermercado que tem um açougue fantástico: diversos cortes de carne de vaca, de vitelo, de borrego, de carneiro, frescas e de aparência excelente, organizadas em seus diversos cortes, inclusive alguns já temperados, prontos para ir ao fogo. E os embutidos e queijos da região também são ótimos, especialidade da região. O jantar foi um banquete. E depois passamos numa boulangerie, quer dizer, padaria. E os pães, ah, os pães e derivados, doces e salgados, recheados ou com cobertura e com essa farinha de grano duro daqui... Eu sou suspeito para falar porque sou movido a pão, mas dentre uma variedade imensa de pães deliciosos, há um que eu consegui gostar mais, que é um pão de gorgonzola. Mas gosto de todos. No dia seguinte fomos a Seillan e jantamos no restaurante La Gloire de mon Pére. Pedimos comida da região e conhecemos pratos fabulosos. O res- taurante fica num declive ao lado da rua, mas como agora é verão e há uma área belíssima do lado de fora, com árvores centenárias, uma fonte enorme no meio e uma outra fone coberta ao lado, também centenárias, as mesas ficam dispostas ao redor da fonte redonda e as lanternas por todo o espaço e as lâmpadas no alto tornam o ambiente meio mágico. Já havíamos estado ali, em outras visitas, mas como era inverno, o restaurante funcionava só dentro do prédio. É um lugar belíssimo. Ontem estivemos no Lac de Saint-Cassien, um lago enorme que abastece a região e também tem praias, além de ser um lugar onde se pode pescar e fazer aulas de mergulho. Isso tudo sem falar na vastidão de água, outro lugar belíssimo. ■ Verão na Provencee Fernanda aniversariou, no dia 24 de junho, e fizemos uma festa junina bem brasileira, com pé-de-moleque, paçoquita, bolo de milho, cachorro quente, brigadeiro, cajuzinho, beijinho, pipoca, tortas salgadas. LUIZ CARLOS Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC Advogado Teólogo, pedagogo e advogado E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com N o dia 4 de outubro de 2026, os brasileiros irão às urnas para escolher seus repre- sentantes. Mais uma vez, o país chega à eleição profundamente dividido entre discursos de direita e de esquerda. Emmuitos ambientes, a política deixou de ser uma discussão sobre propostas e passou a funcionar como uma guerra moral, na qual cada grupo se considera defensor absoluto da verdade e enxerga o adversário como ameaça à nação. Nas redes sociais, famílias se afastam, amizades terminam e até irmãos em Cristo se tratam como inimigos por causa de preferências eleitorais. Candidatos são apresentados como salvadores, enquanto seus opositores são retratados como encarnações do próprio mal. Nesse cenário de polarização, surge uma pergunta importante: como deve votar um cristão genuíno? A Bíblia não indica um partido específico, mas oferece princípios para orientar a consciência do eleitor. O cristão precisa lembrar, antes de tudo, que sua identidade principal não está em uma ideologia, legenda ou liderança política. “A nossa cidadania, porém, está nos céus” (Filipenses 3:20). Isso não significa desprezar a responsabilidade como cidadão, mas reconhecer que nenhum governo terreno merece a devoção que pertence somente a Deus. O primeiro critério deve ser o caráter. Provérbios 28:18 ensina: “O que anda em inte- gridade será salvo”. Oeleitor cristão deve observar se o candidato demonstra honestidade, responsabilidade, equilíbrio e respeito pela verdade. Não basta avaliar discursos religiosos ou declarações de fé; é necessário examinar atitudes, decisões, alianças e amaneira como a pessoa utiliza o poder. Jesus ensinou: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:16). Essa orientação conduz o eleitor a analisar o histórico dos candidatos, e não apenas suas promessas. Como gover- naram anteriormente? Cumpriram compromissos? Res- peitaram as instituições? Foram transparentes? Admitiram erros? O passado não determina tudo, mas oferece sinais importantes sobre o futuro. O cristão também deve considerar cuidadosamente os valores defendidos pelo candidato. Embora nenhumpolítico seja perfeito, não é coerente apoiar conscientemente propostas que afrontem princípios essenciais da fé cristã, como a dig- nidade da vida humana, a verdade, a justiça, a liberdade de consciência, a responsabilidade familiar e o cuidado comos mais vulneráveis. Dessemodo, as propostas tambémprecisamser avaliadas à luz da justiça. As Escrituras declaram: “Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei o opressor; defendei o direitodo órfão” (Isaías 1:17). Assim, o cristãodeve considerar como cada candidatura pretende enfrentar a pobreza, a violência, a corrupção, a desigualdade, os problemas da saúde e da educação. Obemcomumnãopode ser substituído por interesses particulares ou vantagens. Também é necessário avaliar se as propostas são res- ponsáveis e viáveis. Provérbios 21:5 afirma: “Os planos do diligente tendemà abundância”. Promessas grandiosas, mas semexplicação sobre custos, prioridades e execução, podem ser apenas instrumentos de manipulação. O eleitor cristão não deve escolher somente quem fala aquilo que deseja ouvir, mas quemapresenta caminhos realistas para enfrentar os problemas nacionais. A verdade deve ser umcritério indispensável na escolha de um candidato. Um político que recorre habitualmente à mentira, à manipulação e à distorção dos fatos dificilmente honrará suas promessas ou executará comresponsabilidade as propostas apresentadas ao povo. ABíblia afirma: “Os lábiosmentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu prazer” (Provérbios 12:22). Por isso, o eleitor cristão deve avaliar a coerência entre discurso e prática, verificar as informações divulgadas e observar o histórico do candidato, lembrando que quem não respeita a verdade antes de conquistar o poder dificilmente passará a respeitá-la depois de eleito. O respeito à dignidade humana tambémdeve orientar a escolha. Gênesis 1:27 ensina que o ser humano foi criado à imagem de Deus. Por isso, o eleitor deve examinar como as propostas tratam a vida, a família, a liberdade, a segurança, os necessitados, os idosos, as crianças e todos os grupos vulneráveis. Finalmente, o cristão deve buscar sabedoria em oração. “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus” (Tiago 1:5). Deve informar-se, comparar propostas e votar com consciência, sem idolatrar candidatos e sem alimentar ódio de quem pensa diferente. O conselho é equilíbrio, portanto, ore, examine o caráter, avalie o histórico, verifique os fatos e compare a viabilidade das propostas. Vote não para fortalecer um grupo político, mas para contribuir, dentro de suas limitações, para uma sociedade mais justa, honesta, livre e compassiva. Na urna, escolha comprudência; na convivência, revele a Cristo. ■ Finalmente, o cristão deve buscar sabedoria em oração. “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus” (Tiago 1:5). Deve informar-se, comparar propostas e votar com consciência, sem idolatrar candidatos e sem alimentar ódio de quem pensa diferente. Como deve votar um cristão genuíno RODRIGO LIMA JUNIOR

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