Diário do Amapá - 04 e 05/10/2026
LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 04 E 05 OUTUBRO DE 2026 2 N o domingo, 4 de outubro, o eleitor amapaense digitará um nome para a Presidência e dois para o Senado, e é bastante possível que, em ao menos um desses votos, a preferência seja definida por rejeição. A última Quaest nacional, divulgada em 28 de setembro, registra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34% no primeiro turno, empate de 42% a 42% no segundo e rejeições acima da metade do eleitorado para ambos: 56% para Flávio, 54% para Lula. Omedo da volta da família Bolsonaro e o medo de mais um mandato petista empatam em 43%. É uma eleição de soma negativa, em que vence quem for menos rejeitado pela estreita fatia que ainda flutua. Ser aceito é importante, mas ser menos rejeitado também é decisivo. Em eleições em que dois disputam, quem consegue capturar votos do outro pode ter o seu ás de ouro na manga. Ponderamos, claro, de que se trata de comparação entre agregados, não entre indivíduos, que mistura institutos, datas e métricas distintas. Só o cruzamento do voto para o Senado com o voto presidencial, ainda não publicado, permitiria afirmar quem, de fato, divide o próprio voto. Lembramos sempre, as fronteiras ideológicas estão cada vez mais turvas e não é possível dizer, com nitidez, que a polarização é de ideias. É tambémde comportamentos e correlações de força, os vetores que movem a política como ela é. No Amapá, o quadro se desdobra em três ca- madas. Na disputa presidencial, as pesquisas oscilam entre o empate, com Lula à frente por 37% a 36% no levantamento American Analytics de agosto, e a vantagem de Flávio, com 41,4% a 36% na Veritá de setembro. Não é a primeira vez que o estado descola o local do nacional. Em 2022, Lula venceu o primeiro turno no Amapá por 45,67% a 43,41%; Clécio Luis elegeu-se governador no primeiro turno com 53,69% e declarou apoio ao petista; e, ainda assim, Bolsonaro virou no segundo turno e levou o estado com 51,36%. O vencedor local su- perou em oito pontos o aliado nacional, e o eleitorado foi para o outro lado. A novidade de 2026 está noutro lugar. Numa mesma amostra, a da American Analytics, Randolfe aparece com 38% e Lula com 37%; Barreto, com 34%, e Flávio, com 36%. A segunda vaga do Senado não diverge da disputa presidencial: acaba se reproduzindo em miniatura, com diferença de um ou dois pontos. *** O voto dividido existe, e desnacionalizar a eleição serve a quem lidera com folga; para quem disputa a segunda cadeira, a lógica é a inversa. É por ali que a soma negativa nacional encontra sua porta de entrada no Amapá. Com dois votos, o eleitor não precisa gostar de dois candidatos, e o segundo pode servir para barrar. O destino da segunda cadeira depende, portanto, menos do voto próprio de cada postulante do que da distribuição do segundo voto de quem já escolheu o primeiro. Se o eleitor de um candidato ou candidata concentrar a segunda escolha em um terceiro, a vaga converte-se em bloqueio. Institutos de pesquisa já dizem que o voto para o Senado já é definitivo para dois terços, e menos de um terço dos eleitores admitem mudar. É nessa fresta que a rejeição decide. Como reflexão nossa, o Amapá soma 0,58 milhão de eleitores, 0,36% do eleitorado nacional, mas ocupa 3 das 81 cadeiras do Senado, pouco mais de 3,7% da Casa. Desde que a Constituição de 1988 converteu o antigo Território Federal em estado, a periferia setentrional pesa na Casa da Federação cerca de dez vezes mais do que pesa na urna, e é precisamente por isso que a cadeira amapaense interessa tanto a Brasília. Não à toa, essa valorização do Senado no Amapá fez com que, por vezes e vezes, o Amapá fosse presidente da casa. No Senado, o amapaense votará a favor de alguém ou contra alguém? É nessa hora que a rejeição pode decidir mais do que a adesão, em um país dividido e um estado que decide seu futuro. ■ DANIELCHAVES E-mail: Daniel.s.chaves@gmail.com Analista e Professor da Unifap Como reflexão nossa, o Amapá soma 0,58 milhão de eleitores, 0,36% do eleitorado nacional, mas ocupa 3 das 81 cadeiras do Senado, pouco mais de 3,7% da Casa. Desde que a Constituição de 1988 converteu o antigo Território Federal em estado, a periferia setentrional pesa na Casa da Federação cerca de dez vezes mais do que pesa na urna. O voto, a aceitação e a rejeição em 2026 U m jovem caminhava com um dos seus amigos. Enquanto caminhavam, encontraram um par de sapatos velhos ao lado da trilha. Vendo um traba- lhador próximo, entenderam que os sapatos pertenciam a ele. O homem estava acabando seu trabalho daquele dia. Voltando-se para o amigo, o jovem sugeriu: - Vamos pregar uma peça no velho. Vamos esconder os sapatos dele, depois ficamos atrás destes arbustos e observar a reação dele. - Você acha mesmo que devemos fazer isso?Perguntou o amigo. Por que não surpreendemos o idoso colocando algum dinheiro em cada sapato e depois ob- servamos sua reação quando o encontrar? Ooutro jovemnão ficou entusiasmado, mas acabou concordando com a ideia. Quando o pobre homem concluiu o seu trabalho e calçou os sapatos, sentiu alguma coisa diferente por dentro. Surpreso, viu o dinheiro e se ajoelhou para a gradecer a Deus por ter provido ajuda para sua família tão necessitada. -Você não se sente mais feliz, por ter ajudado um velho trabalhador, em vez de ter-lhe pregado uma peça? Cochichou o amigo. O jovem concordou. Neste Segundo Domingo do Tempo Comum, encontramos uma página tra- dicional de começo deste tempo litúrgico: as chamadas “bodas de Caná”. Nela aparece o primeiro dos “sinais” que servem, do jeito próprio do evangelista João, para fazer conhecer quem é Jesus. Uma página, aparente- mente narrativa, mas tão cheia de símbolos e referências ao Antigo Testamento que, se não forem levadas em conta, podem esvaziar a beleza do texto e reduzi-lo ao “milagre” da água transformada em vinho. O primeiro “símbolo”, ou figura, é o próprio casa- mento por ser uma “aliança” entre duas pessoas que se acolhem entre si, porque se amam. Essa é uma comparação antiga, cara aos profetas, do amor prefe- rencial que Deus tem como povo eleito. Agora, porém, algo “velho” acabou (“não tem mais vinho”) e algo “novo” está começando. Com a imagemdo casamento, o evangelista João anuncia a “nova” aliança entre Deus e o seu povo, concluída entre o Filho que o Pai enviou e um povo novo, representado, neste caso, pelos diversos convidados. Entre ele, estão os primeiros dis- cípulos que, por enquanto, assistem à passagem do velho (a água nas talhas de pedra) ao novo (o vinho melhor). Começa, para eles e para nós, se decidimos acompanhar Jesus, o dif ícil caminho da fé, até chegar a “hora” que será aquela da cruz. Esse será o supremo “sinal” do inaudito. Jesus entregará a própria vida. Até esse ponto, chegam a fidelidade, o compromisso e o amor de Deus com o seu povo. Será o “vinho-sangue” da nova aliança. O segundo sinal que envolve Maria, a mulher- mãe, é a “festa” que o vinho melhor, servido depois, não deixa acabar. Esse sinal ilumina o sentido da transformação da água em vinho. A vida de Jesus não será algo fácil, enfrentará provações, infidelidades e a derrota final. Contudo quem crer nele experimentará alegria (Jo 16,22), paz (Jo 16,33) e vida em seu nome (Jo 20,31). A página das bodas de Caná é rica demais. Está posta no início do evangelho como um pedido. O mesmo que Maria falou “aos que estavam servindo”: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5). Fazemos - ou deixamos de fazer - tantas coisas por sugestão, convite, imposição dos outros. Às vezes para agradar, outras por obrigação, outras, simplesmente, porque achamos que “todos fazem assim”. Nem sempre pensamos se vale a pena, se é justo, se é bom o que decidimos, ou não, fazer. De maneira especial, me refiro-me ao consumismo, mas poderíamos falar da oração. Deixamos de rezar porque temos coisas mais importantes para fazer ou optamos por ler ou escutar no celular o que outros pensaram e refletiram. Repetimos rezas que outros fazem para nós. É mais fácil que ficar em silêncio, fazer o nosso exame de consciência pessoal e a nossa oração espontânea. O evangelho deste domingo, oferece-nos uma luz interessante: a alegria da festa. Os amigos da historinha, na dúvida entre pregar uma peça ao velho ou fazê-lo feliz, escolheram a segunda opção e ficaram alegres também. O “vinho” do amor e do bem é sempre novo e melhor. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá O segundo sinal que envolve Maria, a mulher-mãe, é a “festa” que o vinho melhor, servido depois, não deixa acabar. Esse sinal ilumina o sentido da transformação da água em vinho. A vida de Jesus não será algo fácil, enfrentará provações, infidelidades e a derrota final. Contudo quem crer nele experimentará alegria (Jo 16,22), paz (Jo 16,33) e vida em seu nome (Jo 20,31). Surpresa nos sapatos
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