Diário do Amapá - 11 a 13/10/2026

ENTREVISTA PESQUISADORA | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO A TERÇA-FEIRA | 11 A 13 DE OUTUBRO DE 2026 14 Especialista relata os desafios de construir uma carreira em um ambiente predominante mente masculino, fala sobre liderança, voluntariado e defende mais mulheres na engenharia, na ciência e nas oportunidades que podem surgir. D iário do Amapá - Você saiu ainda muito jovem de uma cidade pequena para construir sua trajetória profissional em uma metrópole. O que trouxe da infância que foi fundamental para enfrentar os desafios encontrados depois na indústria de óleo e gás? KarenAlves - Eu saí de casa com 17 anos, de uma cidade bem pe- quena, onde existiammuitos sonhos e uma vontade muito grande de vencer. Fui criada em um ambiente extremamente acolhedor e frater- no, onde o voluntariado estava presente desde cedo. Aprendi dentro de casa a lidar com o próximo commuito respeito. Quando saí do in- terior para uma cidade grande, levei comigo justamente esses valores. E, falando particularmente da minha família, acredito que uma das principais coisas que recebi foi a valorização da educação. Amaior parte da minha formação aconteceu na educação pública, e acredito muito que, por meio da educação e do conhecimento, conseguimos vencer barreiras que muitas vezes nem imaginávamos que consegui- ríamos superar. Outra coisa muito importante são os sonhos. É algo sobre o qual também falo no livro: precisamos acreditar que pode- mos sonhar e realizar aquilo que desejamos quando existe muita vontade para buscar. Diário - A indústria de óleo e gás ainda é um ambiente predominantemente masculino. Como foi chegar a esse setor e, muitas vezes, ser uma das poucas mulheres nos espaços técnicos? Karen - Eu já tive uma preparação durante a própria faculdade porque fiz Engenharia Química, que também era um curso predo- minantemente masculino. Estudava em uma cidade do interior e convivi commuito machismo. De certa maneira, aquilo acabou sen- do um treinamento para quando cheguei ao universo de óleo e gás, que é gigantesco e também possui muito mais homens. Eu já sabia que determinadas piadinhas poderiam aparecer e, naquela época, até quais roupas eu poderia ou não usar em certos ambientes. No início não foi fácil. Convivi com assédio moral, inclusive com situa- ções de assédio sexual e piadas de mau gosto. Mas fomos caminhan- do e evoluindo. Quando você constrói uma carreira e estabelece que o respeito é a base da relação profissional, começa a conquistar seu espaço. Liderança não significa simplesmente aumentar a voz ou impor autoridade. Você precisa construir respeito. Hoje ainda exis- tem problemas, evidentemente, mas, no ambiente em que estou, esse tipo de situação é muito menor. Muitas barreiras foram sendo vencidas aos poucos. Diário - Emvários momentos você precisou provar sua competência. Como essas experiências ajudaram a mol- dar sua visão sobre liderança feminina? Karen - O conhecimento foi fundamental. Quando saí da faculda- de, talvez ainda não tivesse dimensão de como aquela formação ha- via sido dif ícil e importante. Tive professores e professoras que fo- ram referências e que me alertavam: você entrou muito nova, veio do interior e será testada o tempo inteiro. E havia também o fato de ser mulher. Éramos poucas. Então comecei a pensar muito sobre aquilo que eu queria para minha carreira e continuei estudando. Fiz faculdade, mestrado, pós-graduações, doutorado e continuei bus- cando conhecimento. Conhecimento nunca é demais. Quando me colocavam à prova, eu tinha condições de demonstrar que sabia so- bre aquilo que estava falando. Desde o momento em que ingressei na ANP, procurei estudar e conhecer profundamente a área de pe- tróleo. Sempre pensei muito antes de falar. Isso exige paciência e re- siliência, principalmente porque a mulher muitas vezes é testada para saber se realmente possui aquele conhecimento. Hoje, ter títu- los não me torna superior a ninguém, mas me dá confiança sobre aquilo que estou dizendo. E também aprendi uma coisa importante: quando não sei, digo que não sei, vou estudar e procurar saber. Diário - Essa diferença entre homens e mulheres já aparecia claramente na própria universidade? Karen - Sim. Entraram cerca de 120 alunos na minha turma de En- genharia Química e acredito que havia algo entre 20 e 30 mulheres, no máximo. Nós já éramos uma minoria desde o início. No decorrer do curso, muita gente foi ficando pelo caminho ou seguindo sua própria grade e seu próprio ritmo. Quando concluí a graduação, com quatro anos e meio, apenas duas pessoas da turma consegui- ram se formar exatamente naquele período, e eram duas mulheres. Então essa presença minoritária das mulheres nos cursos de enge- nharia era uma realidade bastante evidente. Isso vemmudando, mas naquele momento fazia parte do ambiente em que construí minha formação. NOTADAREDAÇÃO Leia a entrevista completa no portal www.diariodoamapa.com.br Reportagem: Márcia A. Almeida Edição: Cleber Barbosa PERFIL Ocurrículo da Dra. KarenAlves de Souza reflete uma sólida trajetória acadêmica aliada amais de duas décadas de experiência técnica e regulatória no setorde óleo e gás. Ela é servidora pública federal de carreira naANPdesde 2006, atuando como Especialista emRegulação. Formação Acadêmica e Especializações - Doutorado (D.Sc.) em Engenharia Metalúrgica e de Materiais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) (com pesquisas também vinculadas à UNICAMP). - Mestrado em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). - Graduação em Engenharia Química pela Faculdade de Engenharia Química de Lorena (FAENQUIL / atual EEL-USP). - Pós-Graduação (Especialização) em Engenharia de Petróleo com ênfase em Reservatório. - Pós-Graduação (Especialização) em Engenharia da Qualidade pela Faculdade de Engenharia Química de Lorena Mercado atual - Como Especialista em Regulação de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ocupou posições de liderança técnica e gestão em diferentes frentes estratégicas da Agência Nacional do Petróleo Karen Alves ■ Entrevista coma especialista, no quadro ConexãoMargemEquatorial, da Rádio Diário FM (90,9) Conhecimento, propósitoecoragem abremespaçoamulheresna indústria deóleoegás

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