Diário do Amapá - 11 a 13/10/2026

| CULTURA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO A TERÇA-FEIRA | 11 A 13 DE OUTUBRO DE 2026 FALECOMOHERALDO E-mail: heraldocalmeida@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @heraldocalmeida Instagram: @heraldoalmeida65 19 Cultura HERALDOALMEIDA ESPIONAGEM, CULPA E HUMOR ÁCIDO NO CHILE DE 1973 A tualmente, sabemos que a CIA ajudou a instaurar ditaduras na América do Sul, mas como seria para os próprios americanos lidar com um agente cansado que pode revelar segredos de Estado? Essa é a engrenagem narrativa do novo filme do diretor Martin McDonagh. Em Cavalo Selvagem Nove, dois agentes veteranos da inteligência ame- ricana chegam a Santiagomeses antes do violento golpe militar de 1973 no Chile. Chris (John Malkovich) e Lee (SamRockwell) são então transferidos para a Ilha da Páscoa por seu chefe, MJ (Steve Buscemi), em uma missão para testar a lealdade mútua. O cansado agente Chris passa a sofrer com a culpa por sua carreira e decide registrar os feitos de sua Agên- cia, transformando-se em um risco à segurança nacional. Para piorar, os dois americanos criam um forte vín- culo com uma dupla de estudantes de esquerda e revolucionárias locais, o que força os parceiros a escolherem entre o mundo da espionagem e a lealdade pessoal. O primeiro trailer adiantou a proposta do filme: uma comédia dramática com contornos de suspense político. O charme colo- rido setentista entra em contraponto com os anos de chumbo na Terra dos Poetas. Vale citar que Malkovich, em Queime Depois de Ler (2008), já in- terpretou um personagem que sofre como risco de vazamento de assuntos confidenciais. No restante do elenco, TomWaits (A Balada de Buster Scruggs), Parker Posey (Pânico 3) e Mariana di Giro- lamo (Ema) estão entre os nomes confirmados. Cavalo Selvagem Nove estreia nos cinemas brasileiros em 5 de novembro deste ano. ■ POR WALLACE FONSECA ARTE CINEMATOGRÁFICA CULT’ ART Amadeu Cavalcante, Zé Miguel e Osmar Júnior colocam os pés na estrada e dão início à turnê nacional Cancioneiros do Meio do Mundo no município de Santana, no Amapá, uma caminhada até o sudoeste do Brasil. O show é parte de um projeto que proporciona, gratuitamente, um mergulho musical e de conhecimento na música, cultura e tradições amazônicas. Viabilizado pela Lei Rouanet, o projeto Cancioneiros do Meio do Mundo tem o patrocínio da Petrobrás e é uma realização da Associação de Músicos e Compositores do Amapá (AMCAP). Depois da estreia do projeto em Santana/AP, Cancioneiros do Meio do Mundo segue em turnê para Belo Horizonte/MG (28/08); São Luis /MA (26/09); Belém/PA (16/10); Macapá/AP (31/10); Boa Vista/RR (27/11); e Brasília/DF (30/01). Turnê nacional A cantora e compositora, Nany Rodrigues, além de cantar muito, agora está se destacando como uma excelente fotógrafa. Sua sensibilidade com a arte de fotografar é impressionante e com sensibilidade indiscutível. Parabéns. Fotografia Título da música de Enrico Di Miceli e Joãozinho Gomes. A obra faz parte de um novo projeto dos dois artistas, com poemas musicais eróticos. ...E partimos como um raio na direção do infinito para saborear aquele pouco instante que a imaginação do sonho me deu. Foi real, sim, cada momento e cada sorriso dela em minha direção... Língua Intrusa Todos os anos, a Igreja no Brasil mobiliza comunidades e paróquias para viver, durante o período da Quaresma, a Campanha da Fraternidade. Essa iniciativa teve início em 1961, quando três padres que trabalhavam na Cáritas Brasileira — um dos organismos da CNBB — planejaram uma campanha com o objetivo de arrecadar recursos para financiar as atividades assistenciais da instituição. A essa ação deram o nome de Campanha da Fraternidade. Campanha da Fraternidade Não, ninguém faz samba só porque prefere, coisas nenhumno mundo interfere sobre o poder da criação (Paulo Cézar Pinheiro e João Nogueira). Poder da Criação O mundo tá perdido Com o sumiço do cupido Que eu flechei num tiro certo Pro gelo derreter Fernando Canto / Nivito Guedes O público da capital paulista conseguiu mais tempo para apreciar as mais de 100 obras da exposição Miró: Mestre das Formas. A visitação, no Museu de Arte Brasileira, da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB FAAP), emHigienópolis, ficará aberta até 13 de de- zembro. São gravuras, litografias, esculturas, filmes, fotografias e tapeçarias - muitas inéditas no Brasil - do pintor catalão, um dos mais destacados artistas do século 20. O contato com outros artistas renomados ocorreu cedo. Ainda adolescente, aos 14 anos, passou a ter a arte como cotidiano, matriculado em uma escola de belas ar- tes. Miró foi um dos discípulos do também barcelonês Francesc d’Assís Galí i Fabra, que pintou o teto do Palau Nacional, local onde está atualmente o Museu Nacional d'Art de Catalunya (MNAC). Em 90 anos de vida, Miró, que, em princípio, pendeu mais para o fauvismo - vanguarda artística modernista que surgiu na França no início do século XX -, se submeteu a um processo de aprimoramento e experimentação pro- fundos. Permitiu a troca de materiais, inclusive, mas sua assinatura e sua preocupação com o contexto sociopolítico da época não são apagados nunca de suas obras. O surrealista viveu no exílio por causa da guerra civil espanhola. A forma comomanifesta sentimentos provocados por ela é, embora abstrata, tão perceptível quanto as re- presentações figurativas, com seu caráter biomórfico (que se inspira em formas orgânicas e vivas da natureza). Diante de suas obras, emummuseu, é possível entender um pouco como partiu do primeiro encontro com o fundador do surrealismo, André Breton, e chegou às suas composições. A cada elemento, é como se se pisasse em um e outro nível de um gramado de um terreno acidentado, ativando referências de Miró e seu país e de si mesmo, conscientes ou inconscientes. ■ MOSTRA GRATUITA MAB PRORROGA EXPOSIÇÃO DE MIRÓ EM SÃO PAULO

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