Diário do Amapá - 11 a 13/10/2026

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO A TERÇA-FEIRA | 11 A 13 OUTUBRO DE 2026 2 A apuração de 4 de outubro foi, para muitos, um tsunami político. Na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula. O PL elegeu 121 deputados federais, 22 a mais que em 2022: a maior bancada que um único partido tirou das urnas desde a eleição da Constituinte, em 1986. No Senado, conquistou 19 das 54 vagas emdisputa e chegará a fevereiro com 28 senadores, mais que o triplo do PT. Nos estados, elegeu cinco go- vernadores já no primeiro turno — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rondônia e Roraima—, contra dois há quatro anos, e lidera no Rio de Janeiro; como Republicanos, vitorioso em São Paulo, Minas Gerais eMato Grosso, governará o Sul inteiro e os dois maiores colégios eleitorais do país. Nada disso autoriza, porém, a imagem de um país que teria guinado à direita da noite para o dia. O que se moveu foi, sobretudo, o interior do campo conservador: PP e União Brasil, hoje federados, caíramde 106 para 87 deputados, indício de que o PL cresceu, emboamedida, sobre o terreno dos vizinhos. OCentrão, símbolo da fronteira difusa entre direita e centro, no Brasil, esse sim, não morreu nem perdeu sua importância, mas é inevitável dizer que ele desidratou. Quando se afasta o foco do presente e se percorre a linha do tempo, a paisagem ganha relevo. Nas três décadas que se seguiram a 1985, a direita brasileira evitava dizer o próprio nome — fenômeno que a ciência política batizou de “direita envergonhada” —, abrigada sob o rótulo cômodo do centro. Além disso, tínhamos um sistema mais brasileiro, pluripartidário, e menos estadunidense, bipartidário. Em 2018, a ruptura veio de fora das estruturas tradicionais: o PSL, legenda até então periférica, elegeu o presidente da República, três governadores, quatro senadores e 52 deputados. Em 2022, o bolsonarismo mudou de endereço, fez do PL a maior bancada daCâmara, com99 cadeiras, e conquistou oito das 27 vagas então em disputa no Senado. Em 2026, com Jair Bolsonaro inelegível e, desde 2025, con- denado pelo Supremo Tribunal Federal, o campo não apenas sobreviveu à ausência do seu líder na cédula: cresceu nas três arenas e concentrou-se, cada vezmais, numa única legenda, apesar do seu espectro ser mais amplo do que o partido e seus cabeças de chapa. A onda virou máquina partidária, e a regra do jogo trata de realimentá-la: comooFundoEleitoral é repartido segundo o desempenho no pleito anterior, 2022 rendeu ao PL R$ 881,6 milhões, a maior fatia dos R$ 4,9 bilhões de 2026. Em 25 de outubro, a regularidade fa- vorece Flávio Bolsonaro, pois desde 1989 todo segundo turno presidencial foi vencido por quem liderava o pri- meiro; mas uma vantagem de menos de dois pontos é margem estreita demais para converter estatística em destino. E o próximo presidente, qualquer que seja, en- contrará um Senado em que PL, PP, Republicanos e Novo somam43 cadeiras, 48 comaUnião Brasil: acima da maioria absoluta, de 41, mas abaixo dos 54 votos que a Constituição exige para condenar umministro do Supremo, impeachment que boa parte dos candidatos do PL ao Senado defendeu. Ninguém sabe o que vai acontecer dia 25, no entanto. Ondas quebram; marés obedecem a ciclos. Na Câmara dos Deputados, a bancada petista encolheu para 47 deputados federais, ficandomuito atrás dos 81 eleitos pelo Partido Liberal (PL). O cenário repe- tiu-se no Senado Federal e nas assembleias legislativas, onde figuras históricas e caciques da esquerda — como Gleisi Hoffmann, Randolfe Rodrigues, Benedita da Silva e José Dirceu — não conseguiram se eleger, provocando um forte sentimento de necessidade de renovação interna. Nas disputas pelos governos estaduais, as vitórias da esquerda ficaram praticamente restritas ao Nordeste, com as reeleições de Rafael Fonteles no Piauí, Elmano Freitas no Ceará e Jerônimo Rodrigues na Bahia. Fora desse eixo geográfico, a única vaga conquistada pela sigla para o Senado foi a de Marília Campos, emMinas Gerais. Como consequência direta de ficarem abaixo da linha de corte regulamentar, PDT, PSOL e REDE enfrentarão restrições severas a partir do próximo ano, perdendo as prerrogativas de liderança de bancada, o acesso às verbas do Fundo Partidário e o tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão. Dos partidos do campo da esquerda não-petista, apenas o PSB conseguiu superarminimamente a cláusula de barreira emfunção do seu desempenho eleitoral. A tarefa do campo da esquerda torna-se hercúlea, mas não impossível. O motor da história segue girando seus pistões. ■ DANIELCHAVES E-mail: Daniel.s.chaves@gmail.com Analista e Professor da Unifap Há dever de casa para a esquerda, que pode ter de enfrentar sua refundação e reestruturação ampla. O primeiro turno das Eleições 2026 resultou em um cenário de forte retração e alerta para o campo da esquerda no Brasil. Esse resultado configurou-se geograficamente com uma forte concentração, transformando o Nordeste no grande bastião restante da esquerda, única região onde o atual mandatário liderou nacionalmente. O tsunami eleitoral de 2026 “ Às vezes dizem que as crianças não entendem de política, mas isso não é verdade. Crianças da cidade de xxx, participam ativamente na transformação da cidade. Criado em 2019, o Comitê das Crianças é um espaço no qual as suas vozes são ouvidas e atendidas. ... Ao final do ano as crianças entregam um documento para o prefeito com os seus desejos e sugestões. Entre os pedidos já feitos e acolhidos pela Prefeitura estão a construção do Mundo das Crianças para que elas tivessem na cidade um espaço de brincadeiras, inclusive com água; o Dia do Brincar, em que as crianças vão à escola somente para brincar; o programa Pé de Árvore para garantir que haja mais árvores na cidade e o “De olho na Faixa”, zona de entorno das escolas em que os carros devem ter velocidade reduzida. ...” (fonte: Revista Casa Comum n.8) No evangelho do 27º Domingo do Tempo Comum encontramos a resposta de Jesus à pergunta dos fariseus se ao homem era permitido ou não se divorciar de sua mulher. Como em outras ocasiões, Jesus não discute a norma da lei em si, mas repropõe algo anterior: o projeto de Deus sobre a união conjugal “desde o começo da criação”. A questão não é concordar ou não, ou considerar dif íceis demais as condições do casamento. Todos nós somos limitados no nosso agir e continuamos a experimentar “a dureza do nosso coração”, que nos impede muitas vezes de ser perseverantes e fiéis nos compromissos assumidos. No entanto, precisamos resgatar a con- fiança em nós mesmos e em todo ser humano e nos questionar seriamente se, por acaso, não estamos desistindo de acreditar naquele amor que vai muito além da atração recíproca e que leva um homem e uma mulher a unir as próprias vidas, os seus sonhos e esperanças e, assim, a caminhar juntos, aconteça o que acontecer. Temos medo do “para sempre”, mas o contrário pode ser a fragilidade dos sentimentos, a prioridade absoluta do bem-estar individual e, por consequência, a incapacidade daquela mútua ajuda sobre a qual o casal deve construir a própria relação amorosa. Em seguida, o evangelho nos apresenta Jesus abençoando e abraçando as crianças que as mães lhe traziam. Ele nos diz que o Reino de Deus pertence àqueles e àquelas que sabemmanter o jeito das crianças. Não é infantilismo, mas confiança, ale- gria, desejo de crescer, descobrir e aprender mais. De brincar também. Porque “brincar” como as crianças não é negócio de diversão, é gratuidade, imaginação de ummundo diferente onde as histórias ainda podem ser contadas e mudadas, sempre para melhor, para que nunca mais nenhuma criança sofra pela violência dos grandes ou chore por ser abando- nada ou esquecida. Insisti um pouco sobre as crianças porque, quando acontecem as separações nas nossas famílias, talvez as maiores disputas não sejam pelos filhos, mas pelos bens materiais a serem divididos. Por exemplo, escutei a história de uma criança que pediu para ir morar com os avós, porque assistiu os pais brigando entre si, pois nenhum dos dois queria ficar com ela. Não posso deixar, porém, de lembrar que neste domingo teremos as eleições municipais. Como cidadãos cristãos, não devemos desvalorizar a nossa con- tribuição para uma cidade melhor, com vida mais digna para todos e todas. Apesar das promessas dos candidatos, sabemos que o nosso voto não irá resolver tudo e de uma só vez, no entanto será um sinal de interesse e de par- ticipação. As nossas preferências irão, ao menos, sinalizar o que esperamos e também o que não queremos mais, como o desperdício e as práticas de corrupção e mal uso do dinheiro público. Igualmente, como cristãos que acre- ditam no projeto do Reino da justiça, do amor e da paz, não podemos mais pensar que seja suficiente votar e depois esquecer até o nome de quem esco- lhemos. Precisamos cobrar ações, prestação de contas, políticas públicas, so- bretudo em defesa dos direitos das pessoas mais fragilizadas que acabam sendo deixadas para trás. É muito bom que até as crianças sejam educadas a participar e a propor. Muito melhor se forem ouvidas e atendidas nas suas famílias em primeiro lugar, e nas nossas cidades também. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá Insisti um pouco sobre as crianças porque, quando acontecem as separações nas nossas famílias, talvez as maiores disputas não sejam pelos filhos, mas pelos bens materiais a serem divididos. Por exemplo, escutei a história de uma criança que pediu para ir morar com os avós, porque assistiu os pais brigando entre si, pois nenhum dos dois queria ficar com ela. Crianças

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