Diário do Amapá - 11 a 13/10/2026

Motos e consórcio O setor de consórcios movimentou R$ 389,59 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, alta de 24,2% na comparação anual. Os dados são da Associação de Administradoras de Consórcios. Foram comercializadas 3,82 milhões de cotas, alta de 15,1%, com 12% de participantes. “Isso reforça a expansão da modalidade como alternativa planejada”, diz Guilherme Lamounier, da Multimarcas Consórcios. IA jurídica A legaltech LawAgent estima em R$ 2 bilhões/ano o mercado de ferramentas de IA para advogados no Brasil. A projeção é dos sócios Bruno Abreu e Andre Estrella, com dados da OAB e pesquisa da FGV Direito SP, que aponta que 78% dos usuários usam ferramentas pagas, em universo estimado de 1,5 milhão de advogados. A LawAgent, que investiu R$ 2 milhões para desenvolver sua plataforma, mira a partir de outubro em departamentos jurídicos. Saúde financeira De 2020 a 2026, hospitais, laboratórios, farmácias e operadoras de planos de saúde captaram ao menos R$ 191 bilhões via emissões de ações e títulos de renda fixa no mercado de capitais, segundo dados do ANBIMA DATA. Grupos como Rede D’Or, Dasa, Mater Dei, Fleury, Raia Drogasil e NotreDame Intermédica usaram o dinheiro levantado via crédito privado para expandir, gerar empregos e modernizar estruturas. Nova chance Os deputados eleitos Daniel Soranz (federal) e João Pires (estadual), ambos pelo PSD, devem abrir vaga em janeiro para dois aliados de Ronaldo Caiado no Rio de Janeiro: Hugo Leal e Cláudia Vasconcellos. O 1º deve voltar para a Secretaria Municipal de Saúde e o 2º para a Defesa do Consumidor. Com isso, o veterano Hugo Leal pode voltar à Câmara e Cláudia Vasconcellos terá seu 1º mandato na ALERJ. Euforia Ex-secretário de Segurança de São Paulo, o deputado federal Guilherme Derrite (PL), eleito senador, causou ciumeira na reunião de Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado. Alguns aliados torceram o nariz quando ele enfatizou, mais de uma vez, segundo quem estava na reunião, que foi o mais votado em SP. Há quem veja uma tentativa de levar uma pasta em eventual Governo Flávio. LAI sem validade A despeito de quem vencer a eleição no fim do mês, o próximo presidente da República precisa rever urgente a Lei de Acesso à Informação (LAI) – para fazê-la valer! Atualmente, diferentes órgãos dos três Poderes se valem do sigilo institucional (o contrarregra dessa lei) para esconder dados importantes da sociedade, quando demandados, inclusive em ministérios. Um caso surreal é o notório passeio do então presidente do STF, Luiz Roberto Barroso, a Mendoza, terra dos vinhedos argentinos, conforme revelou a Coluna. Ele voou de jatinho da FAB para uma palestra a convite na cidade, ficou dois dias e meio lá, com jato no pátio, e levou seis caroneiros – num evento que lhe demandou 1 hora de agenda oficial. Nem a FAB tampouco o STF informaram quem são os passageiros. Nenhum dos órgãos também quis responder questionados via LAI. No Executivo, principalmente, a transparência de programas e suas execuções são imprescindíveis para a boa gestão do futuro Governo. O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União- AP), marcou para a próxima quarta-feira (14) a votação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1). A PEC 221, de 2019, prevê descanso remunerado de 2 dias por semana, sem redução salarial, e reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição de 14 meses. Ao agendar a votação, Alcolumbre disse que cumpre, portanto, o compromissode colocar a proposta na pauta “comresponsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental”. Aprovada na Câmara A PEC pelo fim da escala 6x1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos em maio deste ano e foi encaminhada ao Senado. Por se tratar de uma proposta de emenda constitucional, a matéria precisa ser aprovada nas duas Casas legislativas, em dois turnos em cada uma. Caso os senadores façam mudanças na proposta, o texto terá que ser apreciado novamente pelos deputados. No Senado, a base do governo na Casa tentou pautar a análise da proposta, mas Alcolumbre manteve o texto parado. Apenas em agosto encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No início de setembro, a CCJ aprovou o fim da escala 6x1, mas Al- columbre não levou o tema ao plenário. E afirmou que a votação aconteceria após as eleições. Veja o que prevê a proposta: - Obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana - Redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial. - Jornadas diferenciadas para trabalhadores com diploma de ensino superior que recebem, atualmente, igual ou acima de R$ 21.188,87, desde quemantida a escala 5x2. Nesses casos, a negociação direta entre patrão e trabalhador deve definir a duração do traba- lho. - Implementação da nova escala terá uma transição de até 14 meses. Aexceção são os trabalhadores terceirizados da administração pública, que terão uma regra de transição diferenciada. - 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, as em- presas terão que garantir a escala 5x2, assim como a redução da jornada para 42 horas semanais. - 12 meses após essa primeira redução, a jornada cai para 40 horas. ■ PEC 221 Alcolumbre marca votação da PEC pelo fim da 6x1 para quarta-feira T anto organizações sociais quanto fontes governamentais registraram aumento no número de casos de agressões políticas de gênero neste mês em que é lembrado o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que esses ataques aumentaram 11 vezes entre 2022 e 2026, de 15 para 177 processos. A data, comemorada neste sábado (10), foi instituída para marcar o ato histórico, em 1980, quando mulheres se reuniram nas escadarias do Teatro Mu- nicipal de São Paulo para contestar o aumento dos crimes de gênero em todo o país. Em meio ao atual contexto eleitoral brasileiro, levantamento divulgado pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global mostra que houve 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno das eleições, no último domingo (4), o que representou um caso a cada nove horas. Ao todo, 70 tiveram mulheres como vítimas (52,2%). Dos 102 episódios dirigidos apenas a pessoas candidatas, 60 tiverammulheres como vítimas (58,8%). Embora repre- sentem cerca de um terço das candida- turas, as mulheres foram alvos em mais da metade dos episódios de violência. Dados da Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180, mostram que o número de denúncias de violência política registradas contra elas alcançou a marca de 1.564 denúncias, entre janeiro e agosto de 2026. Mulheres pretas e pardas são as prin- cipais vítimas. Das 1.564 denúncias re- gistradas, mais de 53% (842) são de vio- lência política sofridas por elas, seguidas por 590 (37,72%) denúncias de violências sofridas por mulheres brancas. As demais 132 (8,44%) foram denúncias com im- pacto em mulheres de outras raças. No final de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao TSE documento com diversas denúncias de agressões contra mulheres candidatas nas eleições de 2026. Os casos incluem violência f ísica e verbal, além de ataques e ameaças de morte e estupro. Caso concreto As ameaças de morte e de violência sexual denunciadas, esta semana, pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT- MG) ilustram o cenário de violência po- lítica pelo qual passa o Brasil durante o pleito de 2026. Ela denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e violência sexual que recebeu no período da campanha. Segundo a parlamentar, as mensagens incluem ataques machistas, racistas e ameaças de estupro. Além disso, ela conta que dados pessoais como o ende- reço residencial, número de telefone e documentos foram expostos. Por esse motivo, o partido contratou segurança armada para protegê-la. ■ LUTA POR DIREITOS AUMENTAM AGRESSÕES POLÍTICAS EM MÊS DE LUTA CONTRA VIOLÊNCIA À MULHER V Foto/ Marcelo Camargo/Agência Brasil ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO A TERÇA-FEIRA | 11 A 13 DE OUTUBRO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO

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