Diário do Amapá - 14/10/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 14 DE OUTUBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br E m novembro do ano passado, o estudo "Topological turning points across the human lifespan" foi publicado na revista Nature Com- munications, em que uma equipe de neurocientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, identificou cinco grandes fases da estrutura cerebral ao longo da vida humana. Essas eras ocorrem à medida que o cérebro humano se reconecta para sustentar as diferentes formas de pensamento enquanto crescemos, amadurecemos e, eventualmente, declinamos. No estudo, eles compararam os cérebros de 3.802 pessoas entre re- cém-nascidos e 90 anos, usando dados de exames de ressonância magnética. Esses exames mapeiam as sinapses (conexões neurais). Eles detectaram as cinco grandes fases separadas, quando nossos cérebros se reconfiguram. Até os 9 anos, o cérebro é definido pela consolidação de redes, as sinapses que foram produzidas em excesso são reduzidas. As sinapses mais ativas sobrevivem, moldando a arquitetura inicial do cérebro. Enquanto isso, a substância cinzenta e a substância branca do cérebro crescem rapidamente em volume. O cérebro está passando por uma mudança na capacidade cognitiva, mas também por um risco aumentado de transtornos de saúde mental. Aos 32 anos, o cérebro adulto toma forma. A substância branca continua a crescer em volume, de modo que as redes de comunicação do cérebro se tornam cada vez mais refinadas. Essas mudanças mantêm o cérebro em um nível aprimorado de desempenho cognitivo e é o ponto de virada to- pológico mais forte do cérebro em toda a vida. Aqui se vê a maior mudança geral de trajetória, em comparação aos demais pontos de virada. A fase adulta dura três décadas e corresponde a um platô na inteligência e na personalidade. Aos 66 anos, começa o envelhecimento inicial, mas não acontecem grandes mudanças estruturais. Ocorre uma reorganização gradual das redes ce- rebrais, com conectividade reduzida à medida que a substância branca começa a degenerar. Essa é uma idade em que as pessoas enfrentam maior risco para uma variedade de condições de saúde que podem afetar o cérebro, como hipertensão. Aos 83 anos, ocorre o envelhecimento tardio, é o último ponto de virada. Os dados para essa era final são mais limitados, mas a característica definidora é uma mudança do global para o local. A conectividade de todo o cérebro diminui ainda mais e passa a depender de certas regiões à medida que outras se enfraquecem. Olhando para trás, muitos de nós sentimos que nossas vidas foram caracterizadas por diferentes fases. Acontece que os cérebros também passam por isso. Muitas condições do neurodesenvolvimento, de saúde mental e neurológicas estão ligadas à maneira como o cérebro é conectado. De fato, diferenças na fiação cerebral preveem dificuldades com atenção, linguagem, memória e toda uma série de comportamentos diferentes. Entender que a jornada da estrutura do nosso cérebro é geralmente composta por alguns poucos grandes pontos de virada, em vez de uma progressão constante, pode ajudar os neurocientistas a identificar melhor quando e como a fiação é mais vulnerável. ■ Olhando para trás, muitos de nós sentimos que nossas vidas foram caracterizadas por diferentes fases. Acontece que os cérebros também passam por isso. Muitas condições do neurodesenvolvimento, de saúde mental e neurológicas estão ligadas à maneira como o cérebro é conectado. As cinco fases do cérebro MARIO EUGENIO Radialista e estudante de Filosofia E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br A arte de protesto sempre teve o direito de incomodar. É parte de sua natureza. O problema começa quando o incômodo vira fina- lidade, o choque substitui a reflexão e o grotesco passa a ser con- fundido com coragem. É o caso de *A Peste Laranja*, ou *Rei da Injustiça*, do dinamarquês Jens Galschiøt, instalada em Estrasburgo, no Parlamento Europeu. A es- cultura mostra Donald Trump nu, recoberto por ouro de 23 quilates, sentado sobre os ombros de uma figura frágil. Em uma das mãos, a balança da Justiça. Na outra, um taco de golfe. Abaixo, o planeta. A men- sagem não exige interpretação. Trump representa o poder que pesa sobre os outros enquanto proclama que pretende ajudá-los. A obra retoma *Survival of the Fattest*, criada pelo artista em 2002, na qual uma mulher obesa, símbolo da Justiça e da riqueza ocidental, aparece sentada sobre um homem africano faminto. A frase inscrita nas duas esculturas resume a ironia. Farei qualquer coisa para ajudá-lo, menos sair de suas costas. A crítica é legítima. A metáfora funciona. Mas talvez seja justamente esse o problema. Fun- ciona depressa demais. A arte política contemporânea parece cada vez mais interessada em produzir imagens que possam ser compreendidas antes mesmo que o espectador pense. O inimigo precisa estar iden- tificado, o culpado precisa ser reconhecível e a indignação precisa caber numa fotografia. É quase a lógica das redes sociais aplicada à escultura. Galschiøt não comete crime algum ao fazer isso. Ao contrário. Uma sociedade livre deve proteger o direito de um artista ridicularizar um presidente, qualquer presidente. Mas liberdade de expressão não transforma automaticamente toda provocação em grande arte. O público tam- bém tem o direito de olhar para o protesto e considerar que ele passou do ponto, que a cari- catura é óbvia ou que o espetáculo é maior que a ideia. E há uma comparação especialmente reveladora dentro do próprio Parlamento Europeu. Ali tam- bém está *Man on a Bench*, do mesmo artista, representando um homem sem teto sentado em um banco. Não há ouro, não há celebridade, não há nudez calculada, não há vilão personalizado. Há apenas um homem abandonado no espaço de uma instituição pode- rosa. Talvez essa imagem seja mais incômoda. Um homem sem teto obriga a pensar sobre pobreza, abandono, Estado e responsabilidade coletiva. Não oferece um inimigo conveniente. Não permite que o espectador saia satisfeito por ter escolhido o lado certo. Esse é o risco do protesto transformado em espetáculo. Ao transformar o adversário em caricatura absoluta, ele também oferece ao público uma absolvição fácil. Basta rir do vilão e ir embora. Trump pode merecer a crítica. Políticas podem merecer a denúncia. O poder deve ser confrontado. Mas ninguém deveria ser elevado a ídolo, nem mesmo como inimigo. A boa arte não precisa apenas chocar. Precisa permanecer na cabeça quando o choque termina. E, nesse terreno, às vezes um homem sentado em silêncio vale mais que um rei dourado e nu. ■ Esse é o risco do protesto transformado em espetáculo. Ao transformar o adversário em caricatura absoluta, ele também oferece ao público uma absolvição fácil. Basta rir do vilão e ir embora. Trump pode merecer a crítica. Quando o protesto precisa gritar GREGÓRIOJ.L. SIMÃO

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