Diário do Amapá - 15/10/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 15 DE OUTUBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA T odo traidor tem uma motivação em sua cabeça que lhe parece nobre ou justa, o suficiente para amenizar seu crime. O mesmo acontece entre seus amigos, familiares e simpatizantes. E muitos destes cometem crimes para proteger aqueles. Nos Estados Unidos da América, para um político, trair a esposa já acabaria com sua carreira, afinal, se não consegue ser fiel àquela a quem conheceu, namorou, noivou e jurou fidelidade no casamento, o que fará àqueles a quem não conhece? Muitos traidores tornaram-se conhecidos pela História, como Efialtes de Traquis, o homem que traiu os 300 espartanos na Batalha das Termópilas (480 a.C.), durante as Guerras Médicas entre gregos e persas. Efialtes (pesadelo em grego) conhecia os caminhos das montanhas e ofereceu ao rei persa Xerxes I. Talvez o traidor histórico mais famoso seja Marcus Junius Brutus, filho adotivo de Júlio César, a quem devia favores e lealdade, mas participou da conspiração e assassinato de César, em 44 a.C., e justificando o ato como defesa da República contra um possível tirano. Enquanto era apunhalando, Cesar exclama: "Até tu, Brutus?". Algumas décadas depois, surge outro famoso, Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, que o traiu por 30 moedas de prata e indi- cando Jesus na escuridão por um beijo, no Getsê- mani. Até Raul Seixas e Paulo Coelho procuraram defender Iscariotes. No Brasil colonial teve um traidor, Domingos Fernandes Calabar, que colaborou com os holan- deses, durante a invasão do Brasil, fornecendo in- formações estratégicas valiosas. Sua traição foi considerada gravíssima pelos portugueses, que o capturaram e executaram por enforcamento e es- quartejamento. Finalmente chegamos a Francisco José de Oli- veira Silvério dos Reis, um militar que se passou por patriota, que queria a independência do Brasil, mas denunciou a Inconfidência Mineira (1789) às autoridades portuguesas, em troca do perdão de dívidas com a Coroa. Na França, Philippe Pétain, herói francês da Primeira Guerra Mundial, tornou-se líder do go- verno de Vichy durante a ocupação nazista na Segunda Guerra. Colaborou com Hitler, instaurando regime autoritário e antissemita na zona livre da França. Depois, foi julgado por traição, condenado à morte, mas teve a pena comutada para prisão perpétua, por sua idade. Outro traidor famoso é o Aldrich Ames, ex-agente da CIA, Ames traiu os EUA ao espionar para a KGB nos anos 1980 e 1990, entregou identidades de agentes norte-americanos infiltrados na URSS, causando várias execuções. Motivado por dinheiro, recebeu milhões dos soviéticos. Foi preso em 1994 e condenado à prisão perpétua, expos falhas graves na contrainteligência dos EUA. Pouca gente sabe, mas há pena de morte no Brasil e traição é um dos crimes punidos por essa pena capital, mas somente em tempos de guerra (Art. 355 a 361 do Código Penal Militar). Como dizia Ulisses Guimarães: traidor da Constituição é traidor da Pátria. Para os civis, não há lei para traidores, ainda! Geralmente, o Supremo Tribunal Federal pune por analogia. Traição não pode passar impune! ■ Outro traidor famoso é o Aldrich Ames, ex-agente da CIA, Ames traiu os EUA ao espionar para a KGB nos anos 1980 e 1990, entregou identidades de agentes norte-americanos in7ltrados na URSS, causando várias execuções. Motivado por dinheiro, recebeu milhões dos soviéticos. Foi preso em 1994 e condenado à prisão perpétua, expos falhas graves na contrainteligência dos EUA. De Iscariotes, Silvério, Calabar et alii E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO É um espanto. Um povo que não lê, não estuda, não entende nada de política comercial internacional, mas acha que virou especialista em geopolítica de balcão de padaria. Estamos vendo brasileiros aplaudindo tarifas americanas sobre pro- dutos brasileiros como se fossem uma vingança épica. Uma espécie de “troco histórico”. “É isso aí, tem que taxar mesmo! Quem mandou eles fazerem isso com a gente?” — dizem, entre um churrasco e um post com a bandeira do Brasil tremulando. Genial. Genialmente burro. Vamos aos fatos — se é que ainda há espaço para isso. O governo Lula bateu o martelo e decidiu acionar os Estados Unidos na OMC, por conta das tarifas protecionistas impostas pelo governo Trump. Ora, Trump faz isso desde o primeiro mandato. Ele odeia co- mércio internacional. Odeia qualquer coisa que beneficie mais alguém que não seja ele mesmo — ou a economia rural decadente dos red states. E o que o Brasil faz? Vai reclamar com a OMC, um órgão que perdeu autoridade desde que virou clube de discurso. Mas o pior não é o governo. O pior é o bra- sileiro médio batendo palma. Porque, veja: não há tarifa mínima que seja inofensiva. Qualquer taxação contra nossos pro- dutos — seja café, aço, ou a bendita soja — é ruim para o Brasil. Ponto. Não é questão de “arregar” ou “temer os Estados Unidos”. É ma- temática. Se taxam nossos produtos, eles ficam mais caros, vendem menos, e nossa indústria, que já está de joelhos, ajoelha ainda mais. Menos exportação = menos produção. Menos produção = menos emprego. Menos emprego = mais miséria. Elementar, Watson. Mas não. O brasileiro, sempre com seu complexo de vira- lata invertido, acredita que retaliar os EUA com discursos grandiosos é “defesa da soberania na- cional”. Não é. É discurso de palanque para quem nunca pagou um boleto com juros. A realidade é que nós ainda estamos no fundo do poço. Só que agora batemos palma. Celebramos o fato de que alguém lá fora olhou para o nosso país — e, em vez de nos ajudar a sair da lama, jogou mais pedra. E a gente aplaude porque acredita que a lama é jacuzzi. Não se trata de submissão, mas de bom senso. O protecionismo americano é danoso. Mas a pior resposta a isso é se iludir com o mito de que estamos em pé de igualdade. Não estamos. Reclamar na OMC pode ser protocolar, mas resolver? Resolver mesmo? Só com política industrial de verdade, com produtividade, com acordo comercial sério — não com briga de ego e jogo de cena. Exportar é sobreviver. E qualquer barreira, mesmo mínima, prejudica o Brasil — que já vem sendo prejudicado por décadas de burrice eco- nômica endêmica. Celebrar tarifa contra o Brasil é como torcer pro vi- zinho quebrar o nosso carro porque você não gostou da buzina. O brasileiro tem que parar de achar que entende de política inter- nacional só porque viu meia dúzia de manchetes no Instagram. Menos torcida, mais leitura. E, sobretudo, mais vergonha de comemorar o próprio fracasso como se fosse vitória. ■ Exportar é sobreviver. E qualquer barreira, mesmo mínima, prejudica o Brasil — que já vem sendo prejudicado por décadas de burrice econômica endêmica. Celebrar tarifa contra o Brasil é como torcer pro vizinho quebrar o nosso carro porque você não gostou da buzina. O brasileiro bate palmas para o próprio fundo do poço E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO
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