Diário do Amapá - 25 e 26/10/2026

ENTREVISTA PESQUISADOR | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 25 E 26 DE OUTUBRO DE 2026 14 Especialista Nasareno Figueiredo Cei afirma que avanço da indústria de óleo e gás exigirá bases de apoio offshore, eficiência operacional, abastecimento , serviços especializados e profissionais qualificados no estado D iário do Amapá - Quando falamos em exploração de petróleo na Margem Equatorial, qual é a im- portância da infraestrutura portuária para sus- tentar uma atividade off-shore dessa dimensão? Nasareno Cei - Existem algumas questões que precisam ser muito bem compreendidas quando falamos emMargemEquatorial e pros- pecção de petróleo. AMargemEquatorial abrange uma área muito grande, desde o Rio Grande do Norte até o Amapá, e naturalmente existem grandes desafios. O atendimento portuário à atividade de prospecção possui características muito específicas. É necessário, por exemplo, ter uma base de apoio preparada para atender as operações offshore e os supply boats, que são as embarcações responsáveis por levar diferentes tipos de suprimentos e materiais necessários às ativi- dades no mar. Isso é diferente daquilo que normalmente enxergamos em um porto tradicional. No caso do Amapá, existe a necessidade de implementar uma base de apoio com essas características, especial- mente diante da perspectiva de uma atividade que poderá permane- cer durante muitos anos. É importante que essa infraestrutura seja planejada e desenvolvida para evitar atropelos durante as campanhas e permitir que as operações aconteçam com eficiência. Diário - Você chegou a comparar uma base de apoio offshore com um pit stop de Fórmula 1. Por que a veloci- dade é tão importante nesse tipo de operação? Nasareno - Eu gosto dessa comparação porque ajuda a visualizar como funciona. Imagine uma corrida de Fórmula 1: o carro entra no pit stop e tudo precisa acontecer muito rapidamente. Na atividade offshore ocorre algo semelhante. O supply boat vem das plataformas com determinadas necessidades, chega à base de apoio e ali você precisa realizar uma série de atividades. Pode ser necessário trocar ou embarcar peças, movimentar equipamentos, colocar combustí- vel, receber ou descarregar materiais e preparar novamente a em- barcação para retornar ao mar. Tudo precisa acontecer rapidamente. A embarcação não pode permanecer parada durante muito tempo porque ela faz parte de uma cadeia operacional extremamente cara. Por isso, uma base offshore não pode ser pensada simplesmente como um cais onde um barco atraca. Ela precisa possuir equipa- mentos, estrutura, pessoal e gestão capazes de executar várias ope- rações com velocidade e segurança. Diário - Os portos brasileiros ainda possuem gargalos importantes. O crescimento da movimentação de car- gas torna essa situação mais preocupante? Nasareno - O Brasil está crescendo e os volumes movimentados também aumentam. Quando você tem crescimento na produção de soja, milho e outros grãos, mesmo um aumento percentual aparen- temente pequeno representa uma quantidade enorme de carga adi- cional chegando ao sistema logístico. Isso pode significar a necessi- dade de novos terminais e novos berços. Se essa capacidade não for criada, você aumenta a fila de navios e começa a atrasar todo o fluxo logístico. Um navio de grande capacidade precisa encontrar infraes- trutura para atracar, carregar ou descarregar e seguir viagem. Quan- do isso não acontece, ele permanece aguardando. E não podemos olhar apenas para aquilo que acontece dentro do porto. Existe tam- bém toda a logística terrestre e hidroviária ligada a ele. A carga pre- cisa chegar ao porto e depois sair dele. Então a eficiência depende de todo esse conjunto. Diário - E qual é o impacto econômico dessas filas de navios e da falta de infraestrutura? Nasareno - SExiste um custo que muitas vezes parece invisível para quem está fora da operação. Quando um navio permanece fun- deado esperando um berço, ele continua gerando custos. Se existe sobreestadia, isso entra na conta da operação. E depois precisamos olhar também do porto para o interior: como está o escoamento ro- doviário? Como está a ferrovia? Como está a hidrovia? Quanto tem- po a carga permanece dentro do terminal? Tudo isso representa di- nheiro. O Brasil avançou muito ao longo dos anos e a legislação também ajudou no desenvolvimento, mas precisamos continuar melhorando a fluidez das cargas. Quando a infraestrutura não acompanha o crescimento, o resultado é aumento de custo, atraso e perda de competitividade. Diário - Você acompanhou pessoalmente a transforma- ção de alguns portos brasileiros. O que faz um porto crescer e se transformar em um grande hub? Nasareno - Eu tive a oportunidade de acompanhar portos ainda em estágios muito iniciais. Lembro, por exemplo, de quando era pi- loto de um navio de derivados da Petrobras e participei, em novem- bro de 1983, da inauguração do primeiro berço de Suape. Depois, aquele porto se transformou em um grande hub. (Leia a entrevista completa no portal www.diariodoamapa.com.br ) Reportagem: Márcia A. Almeida Edição: Cleber Barbosa PERFIL Renomado especialista, professor e consultor com mais de 45 anos de atuação no mercado de energia e logística de petróleo, uma das principais referências no Brasil em infraestrutura e operações portuárias onshore e offshore. Formação e Especializações - Nasareno Figueiredo Cei é um renomado especialista, professor e consultor com mais de 45 anos de atuação no mercado de energia e logística de petróleo, sendo uma das principais referências no Brasil em infraestrutura e operações portuárias onshore e offshore. - A trajetória de Nasareno Figueiredo Cei é pautada fundamentalmente pela formação técnica e de carreira no oficialato da Marinha Mercante, além de sua consolidação prática no setor corporativo. No meio marítimo, as titulações de carreira e as certificações de competência equivalem e são reconhecidas formalmente como qualificações de nível superior. Capitão de longo curso - É o grau máximo da carreira de Oficial de Náutica da Marinha Mercante. Habilita o profissional a comandar navios mercantes de qualquer tipo e tonelagem sem restrição de área de navegação. A formação para ingressar nessa carreira ocorre por meio da EFOMM (Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante), Nasareno Figueiredo ■ Entrevista coma especialista, no quadro ConexãoMargemEquatorial, da Rádio Diário FM (90,9) Petróleoexigenovaestruturaportuária epodeabriroportunidadesnoAmapá Petróleoexigenov

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