Diário do Amapá - 27/10/2026

Fator Janja Por incompetência ou medo de alguam retaliação – nos dois casos, erros crassos – os institutos de pesquisas não mensuraram o fator Janja da Silva na vida do eleitor brasileiro. A pergunta seria simples: você acha que a primeira-dama se expõe muito e atrapalha o presidente? As respostas mostrariam muito do porquê de Lula perder votos. Outra visão Se o fim da escala 6×1 preocupa o patronato, o estudo “Impactos econômicos e redistributivos da redução da jornada de trabalho no Brasil”, dos economistas Vicente Heinen e Fabio Freitas, da UFRJ, aponta que a medida pode elevar o PIB do País em 0,2% e gerar até 1,4 milhão de empregos formais. E beneficiaria diretamente cerca de 21 milhões de trabalhadores. O desafio é: de onde o patrão vai tirar dinheiro extra para isso, e onde encontrará funcionário capacitado num país que tem falta de profissionais? Chefe de Estado? Como está a segurança do Brasil e a “falta de civilidade” nas ruas (como tem repetido o ex- ministro e advogado Luís Roberto Barroso: o ministro do STF André Mendonça apareceu cercado por seis agentes federais como seguranças no local de votação ontem, em Brasília. Que medo é esse? Grande trapalhada O Judiciário mais uma vez se meteu na eleição e piorou a situação. Série de erros dos ministros envolvidos levou à maior indefinição eleitoral da História do Brasil, em pleno século 21. Presidente do TSE, o ministro Kassio Nunes Marques já sabia desde 13h30 de relatos e reclamações do PT sobre a suposta falta de ônibus nas ruas de Salvador e São Paulo. E nada, nada fez. O ministro Zanin, do STF, atropelou o TSE e melou tudo. Lentidão A ausência de atitude do presidente Nunes Marques, do TSE, sobre a questão da suposta falta de ônibus nas ruas de capitais lembra bem o seu perfil. Até os 20 anos, ele era apontador de carrinho de mão em canteiro de obras na Bahia e Piauí. Um ex-patrão confidenciou à Coluna que ele sempre foi um pouco … lento… Virada histórica Reeleito presidente do Brasil para um inédito 4º mandato, Luiz Inácio Lula da Silva tem a chance – e o dever – de fazer umGoverno melhor que os três anteriores e sair à História melhor do que entrou na política. Mas para isso terá que enterrar a falácia que abraçou pelo projeto de poder pessoal e do partido. Se mantiver tudo que prometeu na campanha, o Governo vai gastar mais R$ 400 bilhões por ano, dinheiro que, hoje, não se sabe de onde ele vai tirar. AColuna analisou os índices dos resultados oficiais do TSE e constatou que o presidente cresceu, emmédia, de sete a nove pontos em todos os Estados, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) apenas de dois a três pontos. Avotação de Minas Gerais, 2º maior colégio do País, surpreendeu as duas campanhas – e deu a vantagem ao petista. Soma-se a isso a menor abstenção e os indecisos, que podem ter migrado para o presidente da República. No staff de Flávio, o que mais se comenta é que o canal de André Janones espalhou fake news e atrapalhou muito, fazendo o candidato ter que usar a mídia para se defender. A s abstenções nas eleições gerais de 2026 caíram de 33.469.244 no primeiro turno, para 30.509.005 de eleitores no segundo turno, diferença de mais de 2,9 milhões de pessoas. Em termos percentuais, no primeiro turno 21,08% dos eleitores aptos a votar preferiram não ir às urnas no último dia 4. Já neste domingo (25), o número de ausentes caiu 19,22% dos 158.745.502. De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, o maior percentual de abstenções ontem foi registrado entre os eleitores no exterior, que somaram 58,37% do total de elei- tores aptos a votar em outros países. Nos estados brasileiros, o Acre registrou a maior abstenção (26,08%). Abstenção nas eleições Enquanto o primeiro turno das eleições gerais deste ano registrou recorde de abstenções, os dados mostram que o segundo turno teve o menor percentual dos últimos 20 anos. Na eleição de 2006, o percentual de ausências no segundo turno chegou a 18,99%. Desde a redemocratização, o recorde de eleitores que se ausentaram do pleito foi registrado em 1989, quando as abstenções no segundo turno representaram 14,4% do total de eleitores aptos a votar. Quando considerados os primeiros turnos, em 1994, quando as eleições foram resolvidas em um turno, o per- centual de abstenção foi de 17,77%. Brancos e nulos Além da queda nas ausências, este segundo turno tam- bém registrou diminuição no número de votos brancos e nulos. Ao todo 1.430.496 eleitores votaram em branco, o equivalente a 1,12%. No primeiro turno foram 2.300.798 votos em branco (1,84%). Já os nulos neste segundo turno somaram 2.723.305 votos, equivalente a 2,12% do total. No primeiro turno, foram 3.674.249 votos nulos, ou 2,93% do total. ■ AUSENTES Segundo turno das eleições registra menor abstenção em 20 anos O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, anunciou na noite deste domingo (25) que não vai reconhecer o resultado das urnas, apesar da diferença de mais de 4,4 milhões de votos a favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A justificativa seria a prorrogação do horário de votação eleitoral, decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que atendeu um pedidode ambas as candidaturas, incluindo a da campanha de Flávio. "É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não está aqui para brincadeira. Não vou aceitar que essa regra tenhamu- dado em cima do jogo. Mais uma vez, pelos amigos do Lula do SupremoTribunal Federal", afirmou Flávio em comunicado à imprensa ao lado de aliados, na frente de seu QG de campanha, em Brasília. Para ele, os acontecimentos do segundo turno foram inaceitáveis. "O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi algo, inclusive, inaceitável. Umministro da Suprema Corte, pela pri- meira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada, a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17h01, oministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral [TSE], atropelando a justiça es- pecializada, toma uma decisão prorro- gando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados. Eu nunca vou saber se numestado onde as urnas não foram rea- bertas quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconte- ceu", disse o candidato. Sem fazer menção aos mais de 59 milhões de votos recebidos, Flávio Bol- sonaro saiu sem responder às perguntas. Zanin tomou a decisão sobre a pror- rogação do horário de votação, até às 19h, emcaráter de urgência, considerando graves os relatos de dificuldades no trans- porte de eleitores, especialmente em ci- dades da Bahia e na cidade de São Paulo. A determinação, anunciada próximo das 17h, horário previsto para o encerra- mento da votação, inicialmente estabeleceu a extensão do prazo em todas as seções eleitorais. Após informações do TSE de que di- versas urnas já haviam sido fechadas, o ministro esclareceu que a prorrogação deveria ser aplicada somente às seções que ainda estavam abertas. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a manterem essas seções em funciona- mento até as 19h. Os votos registrados nas urnas já encerradas seriamcomputados normalmente. ■ 2º TURNO FLÁVIO NÃO RECONHECE VITÓRIA DE LULA E TENTARÁ ANULAÇÃO DO PLEITO V Foto/ Joédson Alves/Agência Brasil ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 27 DE OUTUBRO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO

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