Diário do Amapá - 28/10/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 28 DE OUTUBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O mundo contemporâneo construiu uma contradição vergo- nhosa. Exige que homens e mulheres trabalhem por décadas, prolonga a idade para a aposentadoria e, quando finalmente envelhecem, reduz as condições para que vivam com dignidade. O idoso é tratado como contribuinte enquanto produz e como problema quando precisa de proteção. Na Itália, na Dinamarca e na Austrália, a aposentadoria chega aos 67 anos. Na Alemanha, a idade está em elevação para alcançar esse patamar. No grupo de economias de renda média, o Brasil exige 65 anos dos homens e 62 das mulheres na aposentadoria urbana pelas regras gerais. México e China também elevaram ou estão elevando suas exigências, enquanto a Argentina mantém idades distintas para homens e mulheres. Em economias de menor renda, como Índia, In- donésia, Bangladesh e Etiópia, as regras variam, mas também impõem longos anos de trabalho. Os números mudam conforme o regime pre- videnciário, a profissão e as regras de transição, porém revelam uma tendência preocupante de prolongamento da vida laboral. O problema não está apenas na idade legal. Está na hipocrisia de exigir mais resistência de quem já entregou a saúde, o tempo e a força à sociedade, sem assegurar condições reais para envelhecer. A aposentadoria, con- quistada com contribuições e trabalho, não pode ser convertida numa espera angustiante entre contas, medicamentos e necessidades básicas. A situação torna-se ainda mais cruel quando o transporte público sofre cortes e o idoso perde o acesso a consultas médicas, mercados, atividades culturais e encontros familiares. A notícia publicada pelo jornal belga De Morgen denuncia precisamente o risco de isolamento de pessoas mais velhas diante das reduções no transporte coletivo. Não se trata de mero desconforto. Trata-se de restringir a autonomia, aprofundar a solidão e expulsar silencio- samente o idoso da vida comunitária. Os governos não podem celebrar o aumento da longevidade e, si- multaneamente, abandonar quem envelhece. Não basta conceder uma aposentadoria formal se o benef ício não cobre as necessidades essenciais, se as cidades se tornam inacessíveis e se os serviços públicos desaparecem. Uma sociedade revela seu caráter não pela homenagem que presta aos idosos em discursos solenes, mas pelo respeito concreto que lhes garante todos os dias. Quem trabalhou uma vida inteira não merece invisibilidade, isolamento ou abandono. Merece segurança, mobilidade, saúde e participação social. Envelhecer não pode significar perder direitos. A dignidade não deve expirar com a idade, e a aposentadoria não pode ser o começo de uma segunda exclusão. ■ Uma sociedade revela seu caráter não pela homenagem que presta aos idosos em discursos solenes, mas pelo respeito concreto que lhes garante todos os dias. Quem trabalhou uma vida inteira não merece invisibilidade, isolamento ou abandono. Merece segurança, mobilidade, saúde e participação social. A sociedade exige que o idoso trabalhe até mais tarde e depois o abandona à própria sorte E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO A China tem vários projetos em andamento para recuperar desertos. O maior programa ecológico do mundo, conhecido como o "Grande Muralha Verde", é o Programa de Cinturão Protetor das Três Nascentes, que está em execução desde 1978 e deve continuar até 2050. As iniciativas não envolvem somente o plantio de árvores, mas adota tecnologias inovadoras e que geram receitas para garantir a sustentabilidade do projeto. Omais impressionante foi realizado no Deserto de Taklimakan que tem 337.000 km², o maior deserto da China e o segundo maior deserto de dunas movediças do mundo, apelidado de "Mar da Morte". Há dois anos, ele foi cercado por um cinturão verde de mais de 3.000 km. E, no ano passado, entrou para a lista das 10 Maiores Realizações de Engenharia Global de 2025, organizada pela Federação Mundial de Orga- nizações de Engenharia. Entretanto, o confina- mento foi só o começo. Somente em 2025, o cin- turão protetor foi alargado entre 110 metros e 7,5 km, e sua área foi expandida em impressionantes 626.000 hectares. O objetivo não é eliminar o deserto, mas frear sua expansão. Equipes de especialistas foram reu- nidas e três estações de pesquisa do deserto rece- berama tarefa de desenvolver tecnologias. Criaram padrões locais para a construção ecológica e fundos para promover a colaboração entre uni- versidades, instituições de pesquisa e empresas estatais e privadas. Estações de pesquisa em diferentes regiões foramapoiadas para realizar estudos sobre espécies de plantas adequadas para o cultivo no deserto, modelos de gestão e a combinação de técnicas mais eficazes para o controle do deserto. E ainda incluiu organizações sem fins lucrativos e agri- cultores e pastores locais. Os resultados: de 2009 a 2019, a área de terra desertificada diminuiu em 50.000 km², e a área de terra arenosa diminuiu em 43.300 km². Em Xinjiang, dados de 2024 mostram uma redução líquida de mais de 5.229 km² de terra desertificada e de 1.507 km² de terra arenosa. E, ainda, os dias com tempestades de areia caíram de 179 para 128 anualmente. A estratégia atual de Xinjiang é fazer a barreira verde gerar riqueza, tendo três modelos: o primeiro é o cultivo comercial em mais de 722.000 hectares de culturas baseadas na areia, como o ginseng do deserto, gerando um valor impressionante de US$ 4,2 bilhões. E ainda empregar dezenas de milhares de famílias. O segundo modelo, painéis solares geram energia elétrica e sombra para plantas. Com a eletricidade extrai-se água salobra subterrânea para algumas plantas. Os empregos gerados são de 1.200 pessoas na primeira fase, quando concluído, deve passar de 5.000 empregos. Finalmente, criaram o ecoturismo no deserto. Em 2025, Yutian recebeu mais de 2 milhões de visitantes, um sinal claro de que o deserto está mudando de um lugar a ser temido para um lugar de fascínio e oportunidade econômica. Eis um ótimo modelo para que nossos políticos apoiem, seja da situação ou da oposição. OBrasil precisa salvar rios, como o São Francisco, e combater a desertificação, missão que não tem cor partidária! ■ Lições chinesas para recuperar desertos Finalmente, criaram o ecoturismo no deserto. Em 2025, Yutian recebeu mais de 2 milhões de visitantes, um sinal claro de que o deserto está mudando de um lugar a ser temido para um lugar de fascínio e oportunidade econômica. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Jornalista MARIO EUGENIO
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